O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (11) mostrou nova alta na projeção do mercado financeiro para a inflação de 2026. A estimativa para o IPCA passou de 4,89% para 4,91%, enquanto as projeções para os anos seguintes ficaram estáveis.
Para 2027, a expectativa para o IPCA permaneceu em 4,00%. Já para 2028, a projeção continuou em 3,64%. Para 2029, o mercado manteve a estimativa de inflação em 3,50%.
A revisão reforça a atenção dos investidores sobre a trajetória dos preços no Brasil, especialmente em um cenário em que as expectativas de juros seguem em patamar elevado. O IPCA é o principal índice de inflação do país e serve como referência para a condução da política monetária pelo Banco Central.
Selic de 2027 sobe para 11,25% ao ano
No campo dos juros, o Focus manteve a projeção para a Selic de 2026 em 13,00% ao ano. A mudança veio na estimativa para 2027, que passou de 11,00% para 11,25% ao ano.
Para 2028 e 2029, o mercado manteve a projeção da taxa básica de juros em 10,00% ao ano. O movimento indica que os analistas seguem prevendo uma trajetória de juros ainda restritiva nos próximos anos.
A Selic é um dos principais instrumentos utilizados pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando as expectativas de preços sobem ou permanecem pressionadas, o mercado tende a ajustar também as projeções para os juros futuros.
PIB de 2026 fica estável em 1,85%
As projeções para o crescimento da economia brasileira tiveram poucas alterações no boletim desta semana. Para 2026, a estimativa do Produto Interno Bruto permaneceu em 1,85%.
Para 2027, a projeção passou de 1,75% para 1,76%. Já para 2028 e 2029, o mercado manteve a expectativa de crescimento em 2,00%.
Os números indicam uma visão de crescimento moderado para a economia brasileira nos próximos anos, com poucas mudanças em relação ao levantamento anterior.
Dólar projetado para 2026 cai para R$ 5,20
No câmbio, a projeção para o dólar ao fim de 2026 recuou de R$ 5,25 para R$ 5,20. Para 2027, a estimativa permaneceu em R$ 5,30. Para 2028, o mercado reduziu a projeção de R$ 5,39 para R$ 5,35. Já para 2029, a expectativa foi mantida em R$ 5,40.
A taxa de câmbio é acompanhada de perto pelo mercado por seu impacto sobre inflação, comércio exterior, custos de empresas importadoras e competitividade de companhias exportadoras.
Projeção para IGP-M também avança em 2026
O Boletim Focus também trouxe alta na projeção para o IGP-M de 2026, que passou de 5,50% para 5,61%. Para 2027, a estimativa ficou estável em 4,00%.
Para 2028, a projeção teve leve ajuste, de 3,83% para 3,82%. Para 2029, permaneceu em 3,70%.
Já a estimativa para os preços administrados dentro do IPCA subiu de 4,98% para 5,01% em 2026. Para os anos seguintes, as projeções ficaram em 3,80% em 2027 e 3,50% em 2028 e 2029.
Contas externas e fiscal
Nas contas externas, a projeção para o déficit em conta corrente de 2026 passou de US$ 61,20 bilhões negativos para US$ 60,50 bilhões negativos. Para 2027, a estimativa permaneceu em déficit de US$ 62 bilhões.
A balança comercial projetada para 2026 ficou estável em superávit de US$ 75 bilhões. Para 2027, a expectativa também permaneceu em US$ 75 bilhões.
No fiscal, a projeção para a dívida líquida do setor público em 2026 ficou em 69,90% do PIB. Para 2027, a estimativa passou de 73,43% para 73,48% do PIB. Para 2028 e 2029, as projeções permaneceram em 76,30% e 78,82% do PIB, respectivamente.
O resultado primário esperado para 2026 ficou em déficit de 0,50% do PIB. Para 2027, a projeção permaneceu em déficit de 0,40% do PIB. Para 2028, passou de déficit de 0,25% para 0,26% do PIB, enquanto a estimativa para 2029 ficou em déficit de 0,10% do PIB.














