Em 12 de janeiro de 1616, três embarcações portuguesas atracaram numa baía no extremo norte do Brasil e fincaram um forte de madeira chamado Presépio. Era o nascimento de Belém, hoje a porta de entrada da Amazônia e palco do maior cortejo católico do continente.
O forte de madeira que virou capital amazônica
A expedição comandada por Francisco Caldeira Castelo Branco partiu de São Luís com cerca de 200 homens e atingiu a Baía de Guajará no dia que daria nome à cidade. Conforme registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o objetivo era conter franceses, holandeses e ingleses que disputavam as drogas do sertão amazônico.
Ao redor do forte ergueu-se a primeira capela, dedicada a Nossa Senhora de Belém, e o povoado batizado de Feliz Lusitânia. O núcleo deu origem ao bairro hoje chamado Cidade Velha. No século 18, com a chegada do arquiteto italiano Antônio José Landi e de engenheiros militares alemães, a capital ganhou contornos neoclássicos que ainda marcam ruas, igrejas e sobrados do centro histórico.

Por que Belém é a metrópole das mangueiras e dos rios?
Apelidada de Cidade das Mangueiras, a capital paraense soma 1.303.403 habitantes pelo Censo 2022 e estimados 1.397.315 em 2025, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O território de 1.059,458 km² inclui a parte continental e 42 ilhas fluviais, que correspondem a cerca de 65% da área municipal.
A cidade fica a aproximadamente 100 km do Oceano Atlântico, na confluência do Rio Guamá com a Baía de Guajará, parte do sistema do Rio Amazonas. Essa geografia explica o ritmo das chuvas diárias, as feiras de peixe ao amanhecer e os passeios de barco que partem do centro rumo a ilhas como o Combu, a 15 minutos de canoa.

O que visitar entre fortalezas mercados e ilhas amazônicas?
Belém combina herança colonial e floresta urbana num raio de poucos quilômetros. Veja paradas que resumem a cidade:
- Mercado Ver-o-Peso: em funcionamento desde 1625, foi tombado pelo IPHAN em 1977 e é considerado um dos maiores mercados a céu aberto da América Latina.
- Forte do Presépio: marco zero da cidade, hoje abriga museu sobre a colonização da Amazônia e mirante para a Baía de Guajará.
- Estação das Docas: complexo gastronômico instalado em três antigos galpões de ferro inglês na orla, com restaurantes, bares e o ícone Sorveteria Cairu.
- Mangal das Garças: parque zoobotânico de 40 mil m² com torre-mirante de 47 metros, borboletário e garças que vivem soltas.
- Theatro da Paz: inaugurado em 1878 em estilo neoclássico no auge do ciclo da borracha, com 900 lugares e fachada imponente.
- Ilha do Combu: floresta amazônica a 15 minutos de barco do centro, com restaurantes ribeirinhos e produção artesanal de chocolate.
O Círio de Nazaré e os sabores do tucupi
No segundo domingo de outubro, mais de 2 milhões de pessoas tomam as ruas da capital para acompanhar uma berlinda puxada por uma corda de 400 metros. O Círio de Nazaré é Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2004 e foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Patrimônio Imaterial da Humanidade em 2014. A procissão acontece desde 1793.
A cozinha paraense é tão única quanto a festa. Os pratos típicos vêm da floresta:
- Tacacá: caldo quente de tucupi e goma de mandioca, servido com camarão seco e jambu, erva que adormece a língua.
- Pato no tucupi: pato cozido no caldo amarelo da mandioca-brava, servido com arroz e jambu, prato símbolo do Círio.
- Maniçoba: a feijoada paraense feita com folhas de mandioca cozidas por sete dias antes do preparo final.
- Açaí com farinha: aqui é prato salgado, acompanha peixe frito ou camarão, longe da versão doce do sudeste.
Quer descobrir o que fazer em Belém do Pará em uma rápida passagem de 30 horas? Vai curtir esse vídeo:
Quando ir e como é o clima em Belém?
Belém tem clima equatorial, calor o ano inteiro e chuvas praticamente diárias. A temporada mais seca vai de junho a novembro, ideal para roteiros ao ar livre. Em abril, o pico das chuvas, a média histórica chega a 399 mm, segundo o Climatempo. Veja como cada época se comporta:
Período marca o aumento das precipitações. Refugie-se da chuva explorando o Mercado Ver-o-Peso e museus cobertos.
Índices pluviométricos atingem o limite. Prefira ambientes fechados como a Estação das Docas e o Theatro da Paz.
O clima favorece roteiros ao ar livre. Descubra os sabores da Ilha do Combu e passeie pelo Mangal das Garças.
Época com menor chance de chuva. Realize passeios de barco e acompanhe o tradicional Círio de Nazaré.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Vale a pena conhecer a porta da Amazônia
Belém junta numa única paisagem o passado das fortalezas portuguesas, a fé que move milhões em outubro e o sabor de uma floresta que ninguém mais cozinha igual. Poucas capitais brasileiras conseguem reunir tanta cultura viva em pouco mais de mil km².
Você precisa subir o mirante do Mangal das Garças ao entardecer e entender por que essa cidade é a porta certa para começar a conhecer a Amazônia.

