O cheiro de barricas envelhecidas escapa das caves enquanto os barcos rabelos balançam no Douro. Segunda maior cidade de Portugal e capital do norte do país, o Porto nasceu como Portus Cale por volta de 136 a.C., quando o general romano Décimo Júnio Bruto Galaico fundou um porto comercial na foz do rio. O nome viajou através dos séculos e batizou primeiro um condado, depois um reino e, por fim, o vinho mais famoso da Europa.
Como um porto romano deu nome a um país inteiro
Antes da chegada dos romanos, o local era um povoado celta chamado Cale, na foz do rio Douro. Em 136 a.C., o general Décimo Júnio Bruto Galaico conquistou a região e fundou a cidade romana de Portus Cale, que significa porto de Cale.
O entreposto se firmou como ponto-chave da rota entre Olisipo, a atual Lisboa, e Bracara Augusta, a atual Braga. Quando os visigodos chegaram, o lugar foi rebatizado como Portucale. Em 868, o cavaleiro Vímara Peres reconquistou a cidade dos mouros e fundou o primeiro Condado de Portucale, embrião do que viria a se tornar Portugal.

Por que o Porto é chamado de Cidade Invicta?
O Porto é chamado de Invicta porque resistiu a um cerco de 18 meses entre 1832 e 1833, durante a guerra civil entre liberais e absolutistas. A população aguentou bombardeios, fome e doenças sem se render às tropas de Miguel I de Portugal.
O movimento liberal de 1820, que pediu uma constituição e o retorno do rei João VI do Brasil, também começou no Porto. Décadas antes, em 1809, o duque de Wellington recuperou a cidade dos franceses de Napoleão atravessando o Douro com barcas de vinho na Segunda Batalha do Porto. Toda essa resistência se cristalizou no apelido que a cidade carrega até hoje.

Centro histórico tombado pela UNESCO em 1996
O centro histórico do Porto foi inscrito na lista de Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 5 de dezembro de 1996, durante a sessão realizada em Mérida, no México. Em 2016, o conjunto foi renomeado para incluir oficialmente a Ponte Luís I e o Mosteiro da Serra do Pilar.
- Ribeira: bairro mais antigo da cidade, com casas coloridas penduradas na encosta e mesas à beira do Douro.
- Ponte Dom Luís I: construída em 1886 por Théophile Seyrig, ex-parceiro de Gustave Eiffel, tem 172 metros de vão e dois tabuleiros para pedestres, carros e metrô.
- Mosteiro da Serra do Pilar: erguido a partir de 1538 em planta circular única em Portugal, oferece a vista mais famosa do casario portuense.
- Sé do Porto: catedral românica do século 12, ponto mais alto da cidade medieval e início do Caminho Português de Santiago.
- Estação de São Bento: inaugurada em 1916, tem o saguão revestido por mais de 20 mil azulejos pintados com cenas da história portuguesa.
Outros marcos do centro histórico incluem o Palácio da Bolsa, com a deslumbrante Sala Árabe, e a Torre dos Clérigos, projetada pelo italiano Nicolau Nasoni entre 1732 e 1763, hoje cartão-postal da cidade alta.
Vinho do Porto e a primeira região vinícola demarcada do mundo
O Vinho do Porto tira o nome da cidade que sempre exportou o produto, embora as uvas venham do Alto Douro Vinhateiro, a cerca de 100 km a leste. As barricas seguem por barcos rabelos até as caves de Vila Nova de Gaia, na margem oposta, onde envelhecem por anos.
Em 1756, o Marquês de Pombal demarcou oficialmente a região do Douro como zona produtora exclusiva, criando a primeira denominação de origem controlada do mundo. As caves de Gaia abrigam casas centenárias como Sandeman, Graham’s, Cálem e Taylor’s, que recebem visitas guiadas com degustação. O Tratado de Methuen, assinado com a Inglaterra em 1703, abriu o mercado britânico e ajudou a transformar o vinho em ícone global.
Pratos que combinam com a manhã fria do Douro
A cozinha portuense é farta, gordurosa e perfeita para o clima atlântico. Os clássicos da cidade nasceram nas tascas e ainda dominam os cardápios de bairro.
- Francesinha: sanduíche de carnes coberto por queijo derretido e molho de cerveja apimentado, criado nos anos 1950 por um português que voltou da França.
- Tripas à moda do Porto: cozido de tripas com feijão branco, prato que rendeu aos portuenses o apelido de tripeiros.
- Bacalhau à Gomes de Sá: bacalhau com batatas, cebola, ovo cozido e azeitonas, criado no século 19 em uma cozinha do Porto.
- Sandes de pernil: pão crocante recheado com pernil de porco assado, parada obrigatória no Casa Guedes, em Bonfim.
- Pastel de Chaves: empada folhada de carne picada com a marca certificada da região de Chaves, vendida em padarias clássicas.
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Como o clima do Porto se comporta o ano todo?
O clima do Porto é mediterrâneo com forte influência atlântica, mais úmido e chuvoso que o de Lisboa. Os verões são suaves e os invernos chuvosos, com temperaturas raramente abaixo de zero.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao Porto a partir do Brasil?
Voos diretos saem de várias capitais brasileiras até o Aeroporto Francisco Sá Carneiro (OPO), principal porta aérea do norte de Portugal. O terminal fica a 11 km do centro e está conectado pela Linha E (violeta) do Metro do Porto, que leva à Praça da Trindade em cerca de 35 minutos.
Vá conhecer a cidade que deu nome a Portugal
Poucas cidades carregam o próprio passado em cada barril, em cada azulejo de igreja e em cada esquina da Ribeira. O Porto entrega ruínas romanas, ponte de ferro do século 19, fado nas tascas e o vinho fortificado mais famoso do planeta em uma única caminhada beira-rio.
Você precisa atravessar o Atlântico e conhecer o Porto, a Cidade Invicta onde dois mil anos de história escorrem junto com o vinho pelo Douro abaixo.

