O som dos elétricos amarelos se mistura ao silêncio dos blocos de concreto do Memorial do Holocausto. Capital da Alemanha e maior cidade do país, Berlim nasceu em 1237, quando um documento medieval mencionou pela primeira vez a vila de Cölln, na ilha do rio Spree. Quase oito séculos depois, a cidade carrega no traçado das ruas as marcas de cinco regimes, uma guerra mundial e um muro que dividiu o mundo.
De vilarejo medieval a capital de cinco regimes
O documento mais antigo da cidade foi assinado em 28 de outubro de 1237 e mencionou o pároco Symeon de Cölln. A vila irmã, Berlim, fica do outro lado do Spree e aparece em registros de 1244. As duas se uniram formalmente em 1307 e prosperaram com o comércio de grãos, peixe e âmbar pela Liga Hanseática.
A partir de 1417, Berlim foi capital do Marquesado de Brandemburgo, governado pela família Hohenzollern por 500 anos. Depois virou capital do Reino da Prússia em 1701, do Império Alemão em 1871, da República de Weimar em 1919 e da Alemanha Nazista entre 1933 e 1945. Cinco regimes diferentes em pouco mais de cinco séculos.

O muro que dividiu uma cidade por 28 anos
Em 13 de agosto de 1961, a República Democrática Alemã ergueu o Muro de Berlim, com cerca de 162 km de extensão e 296 torres de observação. A barreira separou famílias, isolou a parte ocidental e virou símbolo da Guerra Fria. A queda só veio em 9 de novembro de 1989, e a reunificação alemã foi oficializada em 3 de outubro de 1990.
Um trecho preservado de 1,3 km do muro, ao longo do Spree, virou a East Side Gallery, hoje considerada uma das maiores galerias de arte ao ar livre do planeta. Próximo dali, o Checkpoint Charlie marca o antigo posto de controle entre os setores americano e soviético. O Portão de Brandemburgo, erguido entre 1788 e 1791 a mando do rei Frederico Guilherme II e inspirado nos propileus da Acrópole de Atenas, ficou na terra de ninguém durante a divisão e virou ícone da reunificação.
A ilha com 5 museus tombada pela UNESCO
A Ilha dos Museus foi inscrita na lista de Patrimônio Mundial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) em 1999. O complexo ocupa a parte norte da ilha do Spree, no bairro Mitte, e reúne cinco museus erguidos entre 1824 e 1930.
- Pergamonmuseum: o mais visitado de Berlim, abriga o Altar de Pérgamo, o Portão do Mercado de Mileto e a Porta de Ishtar da Babilônia. Está em reforma com previsão de reabertura completa em 2027.
- Neues Museum: guarda o famoso busto de Nefertiti e a maior coleção de arte egípcia da Alemanha, em prédio reaberto em 2009 após décadas em ruínas.
- Altes Museum: edifício neoclássico de 1830 com pórtico de 87 metros, dedicado à arte clássica grega e romana.
- Alte Nationalgalerie: galeria do século 19 com obras do Impressionismo, Romantismo e Neoclassicismo alemão.
- Bode-Museum: coleção de esculturas, arte bizantina e uma das maiores coleções de moedas do mundo.
Bem ao lado, a Berliner Dom, catedral de quatro torres construída entre 1894 e 1905, foi inspirada na Basílica de São Pedro, em Roma. Outros marcos do centro são o Reichstag, com cúpula de vidro projetada por Norman Foster, e o Memorial do Holocausto, com 2.711 blocos de concreto inaugurados em 2005.
Bairros que mostram a cidade reinventada
Berlim é uma cidade gigante e plana, com cerca de 891 km², dividida em bairros de personalidades muito distintas. Cada um conta um capítulo diferente do passado e do presente alemães.
- Mitte: o coração histórico, abriga o Portão de Brandemburgo, a Ilha dos Museus, a Alexanderplatz e a Torre de TV de 368 metros.
- Kreuzberg: bairro alternativo, multicultural e cheio de bares descolados, base da cena punk dos anos 1980.
- Friedrichshain: vizinho de Kreuzberg, concentra a vida noturna mais intensa da cidade e o início da East Side Gallery.
- Charlottenburg: bairro elegante a oeste, com o palácio de mesmo nome, residência de verão dos Hohenzollern desde 1699.
- Tempelhofer Feld: antigo aeroporto nazista virou parque de 300 hectares, maior espaço público aberto da cidade.
- Tiergarten: parque urbano de 210 hectares no centro, conecta o Portão de Brandemburgo à Coluna da Vitória.
Comer em Berlim vai muito além da salsicha
A cozinha berlinense é farta, barata e prática, criada para alimentar trabalhadores e estudantes. Os clássicos da cidade nasceram nas ruas e nas tabernas mais antigas.
- Currywurst: salsicha grelhada cortada em rodelas e regada com molho de tomate apimentado e curry, inventada em Berlim em 1949.
- Döner kebab: sanduíche de carne assada com pão pita e legumes, criado por imigrantes turcos na Berlim Ocidental em 1972.
- Eisbein: joelho de porco cozido servido com chucrute e batatas, prato berlinense por excelência.
- Königsberger Klopse: almôndegas brancas em molho de alcaparras, prato prussiano servido em restaurantes tradicionais.
- Berliner Pfannkuchen: o sonho recheado, conhecido fora da Alemanha simplesmente como Berliner.
Quem sonha em conhecer Berlim, na Alemanha, vai curtir esse vídeo do canal Sonhe Alto Viagens, onde Mariana mostra um roteiro de 3 dias com o que fazer, onde comer e todos os preços:
Como o clima de Berlim se comporta o ano todo?
O clima de Berlim é continental, com invernos longos e gelados e verões agradáveis. As estações são bem marcadas e cada uma muda totalmente o ritmo da cidade.
Enfrente o frio rigoroso para explorar os famosos mercados natalinos e os tradicionais museus de Berlim.
Temperaturas começam a subir. Aproveite para passear pelo Tiergarten e visitar as clássicas cervejarias locais.
Estação mais quente e convidativa. Relaxe nas badaladas praias urbanas montadas às margens do rio Spree.
Faça roteiros históricos a pé e contemple a coloração alaranjada das folhas nos majestosos palácios alemães.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Berlim a partir do Brasil?
Voos para Berlim costumam fazer escala em capitais europeias como Lisboa, Frankfurt, Munique ou Paris, com cerca de 13 a 15 horas de duração no total. O Aeroporto de Berlim-Brandemburgo (BER), inaugurado em 2020, fica a 24 km do centro e está conectado por trem regional ao Hauptbahnhof em pouco menos de 30 minutos.
Vá conhecer a capital que se reinventou cinco vezes
Poucas cidades carregam tanto peso histórico em cada esquina, do entreposto medieval ao Memorial do Holocausto, do Portão de Brandemburgo aos grafites do muro. Berlim entrega 800 anos de história, ruínas reconstruídas e uma das cenas culturais mais vibrantes da Europa em qualquer estação do ano.
Você precisa atravessar o Atlântico e conhecer Berlim, a capital que sobreviveu a cinco regimes, a uma guerra mundial e a um muro de 162 km, e ainda assim consegue ser uma das cidades mais jovens em espírito de toda a Europa.

