Quem pousa em Boa Vista espera selva e encontra avenidas largas irradiando de uma praça central como raios de sol. A capital de Roraima é a única do país totalmente no Hemisfério Norte, e desde 2025 carrega um título improvável: Capital Nacional da Paçoca de Carne com Farinha.
O leque que não veio de Paris como todo mundo repete
O mito é popular, mas o próprio filho do autor do projeto já o desmentiu. O engenheiro civil Darcy Aleixo Derenusson desenhou o traçado radial da cidade entre 1944 e 1946, durante o governo do capitão Ene Garcez, primeiro governador do então Território Federal do Rio Branco. A inspiração real foi o conceito de cidade-jardim, conforme revelou o arquiteto Darcy Romero Derenusson em 2016.
O projeto mobilizou mais de mil plantas técnicas e cerca de 20 profissionais. As avenidas partem do Centro Cívico Joaquim Nabuco e se abrem em leque até o Rio Branco. Uma regra do plano original determinava que nenhum edifício poderia ter altura superior à metade da largura da rua, mantendo a capital ventilada e horizontal. Boa Vista foi a terceira capital planejada do Brasil, depois de Belo Horizonte e Goiânia, e antes de Brasília.

O que visitar na capital mais setentrional do Brasil?
A maioria das atrações fica no centro ou às margens do Rio Branco, e boa parte tem entrada gratuita. Estes são os pontos que definem a cidade:
- Orla Taumanan: estrutura suspensa de 6.500 m² sobre a margem do rio. “Taumanan” significa “paz” em macuxi. O pôr do sol visto dali é considerado um dos mais bonitos da região Norte.
- Parque do Rio Branco: inaugurado em 2020, é a maior obra turística de Roraima. Abriga o mirante, a Selvinha Amazônica com mais de 160 esculturas e um mural do artista Eduardo Kobra.
- Parque Anauá: 106 hectares de área verde com lago, forródromo e quadras. “Anauá” significa “lugar de encontro” em macuxi.
- Praça das Águas: fontes luminosas, o Portal do Milênio com 16 m de altura e concentração de bares na Avenida Capitão Ene Garcês.
- Praça do Centro Cívico: coração do leque urbanístico, com o Monumento ao Garimpeiro e as sedes dos três poderes estaduais.
Quem quer conhecer Boa Vista, a capital de Roraima, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 28 mil visualizações, onde os apresentadores mostram um roteiro de 1 dia explorando a única capital brasileira totalmente no Hemisfério Norte:
Paçoca salgada com Guinness e damurida na mesma mesa
A gastronomia da capital roraimense mistura heranças indígenas, nordestinas e venezuelanas. O prato símbolo é a paçoca de carne com farinha, feita com carne de sol desfiada, socada no pilão com farinha de mandioca amarela e temperada com pimenta murupi. Em 2024, a iguaria entrou para o Guinness World Records com 1.356,5 kg, recorde superado em 2025 com 1.547,5 kg durante o Boa Vista Junina, segundo a Prefeitura de Boa Vista. A Lei 15.195/2025 oficializou o município como Capital Nacional da Paçoca de Carne com Farinha.
Outros pratos que valem a pena provar na capital:
- Damurida: caldo de peixe com tucupi preto e diversas pimentas, de origem macuxi e wapichana, servido com beiju.
- Peixe à delícia: filé de peixe amazônico empanado com molho branco, queijo e banana à milanesa.
- Mujica de peixe: peixe assado desfiado e cozido com farinha branca até formar caldo espesso.
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Como chegar à capital de Roraima?
O Aeroporto Internacional Atlas Brasil Cantanhede recebe voos diários de Manaus e Brasília, com conexões para outras capitais. Por terra, a BR-174 liga Boa Vista a Manaus (785 km, cerca de 10 horas) e à fronteira com a Venezuela ao norte. A BR-401 conecta a cidade à Guiana. De lá, o Monte Roraima fica a 210 km, e a Serra do Tepequém, com cachoeiras e piscinas naturais, a 200 km, conforme o Ministério do Turismo.

A capital que se abre como um leque para quem chega
Boa Vista desmente a ideia de que o extremo norte do Brasil é só floresta e isolamento. Avenidas planejadas, orla viva, gastronomia de fronteira e o leque urbanístico mais improvável do país se encontram às margens do Rio Branco. Com a população que mais cresce entre todas as capitais brasileiras, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade vive um momento raro de expansão sem perder o ritmo de interior.
Você precisa cruzar a Linha do Equador e conhecer Boa Vista, a capital onde a paçoca não tem nada de doce e o sol nasce antes de todo o resto do país.

