O ouro forrava as paredes da Matriz de Nossa Senhora do Pilar antes mesmo da independência do Brasil. As ladeiras de pedra, os 12 templos barrocos e as obras de Aleijadinho fizeram de Ouro Preto o primeiro bem cultural brasileiro inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, em 5 de setembro de 1980. Elevada à categoria de vila em 1711 com o nome de Vila Rica, a cidade nas montanhas de Minas Gerais guarda 90% de seu conjunto urbano original do século XVIII.
Por que Ouro Preto foi a 1ª cidade brasileira reconhecida pela UNESCO?
A história começa em 1698, quando bandeirantes paulistas chefiados por Antônio Dias de Oliveira e o Padre João de Faria Fialho acamparam às margens de um córrego cantando entre pedras e descobriram ouro de aluvião na região, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
A junção dos vários arraiais foi elevada à categoria de vila em 1711 com o nome de Vila Rica de Albuquerque. Em 1720, virou capital da nova Capitania das Minas Gerais. Em 1750, chegou a 80 mil habitantes, mais populosa que Nova York na mesma época. Em 1789, foi cenário da Inconfidência Mineira. Em 1823, ganhou de Dom Pedro I o título de Imperial Cidade de Ouro Preto e seguiu como capital de Minas até 1897.

Vale a pena viver na cidade onde Aleijadinho criou suas obras-primas?
Vale para quem busca uma rotina cercada de arte barroca, montanha e clima de altitude. Ouro Preto tem cerca de 74 mil habitantes em altitude média de 1.179 metros, segundo a Prefeitura. A cidade fica a 96 km de Belo Horizonte, na Serra do Espinhaço, e mantém suas ruas de pedra e o sobe e desce do casario praticamente intactos desde o século XVIII.
A economia gira em torno do turismo, da mineração e da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), uma das mais antigas do Brasil. As repúblicas estudantis dão um ritmo único à cidade, especialmente no Carnaval e no Festival de Inverno. O calendário cultural é cheio o ano todo, com tapetes de serragem na Semana Santa, palestras e shows no inverno e gastronomia mineira em qualquer estação.
Reconhecimento internacional: a 1ª cidade brasileira na Lista do Patrimônio Mundial
Ouro Preto reúne uma sequência de reconhecimentos patrimoniais que poucas cidades do Brasil conseguem somar:
- Monumento Nacional desde 1933: decreto do governo Getúlio Vargas declarou o conjunto como patrimônio nacional, antes mesmo da criação do IPHAN.
- Tombamento pelo IPHAN em 1938: uma das primeiras cidades tombadas pelo IPHAN, com proteção do conjunto arquitetônico e urbanístico completo.
- 1ª cidade brasileira na Lista da UNESCO em 1980: declarada Patrimônio Cultural Mundial em 5 de setembro de 1980, na 4ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial em Paris, segundo o IPHAN.
- Maior conjunto homogêneo de arquitetura barroca do Brasil: a cidade preserva 90% de seu traçado urbano colonial original, com 12 igrejas barrocas e centenas de casarões.
- Berço do barroco mineiro: lar do escultor Antônio Francisco Lisboa (o Aleijadinho) e do pintor Manoel da Costa Ataíde (Mestre Ataíde).
O nome atual veio do ouro escuro, recoberto por uma camada de óxido de ferro, encontrado nas jazidas locais. Oficialmente, 800 toneladas de ouro foram enviadas a Portugal no século XVIII, sem contar o que circulou ilegalmente ou ficou na colônia, segundo a Prefeitura de Ouro Preto.
O que fazer no museu a céu aberto em Minas Gerais?
O passeio começa na Praça Tiradentes e segue pelas ladeiras de pedra entre igrejas, museus e antigas minas. Os principais atrativos são:
- Igreja de São Francisco de Assis: obra-prima do barroco mineiro projetada por Aleijadinho, com fachada curva e teto pintado por Mestre Ataíde retratando a Glorificação de São Francisco.
- Matriz de Nossa Senhora do Pilar: um dos templos mais ricos do Brasil, com mais de 400 kg de ouro nas talhas internas e altares barrocos do século XVIII.
- Museu da Inconfidência: instalado na antiga Casa de Câmara e Cadeia na Praça Tiradentes, guarda os restos mortais dos inconfidentes e mais de 4 mil peças do período colonial.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição: abriga o túmulo de Aleijadinho e de seu pai, com Museu do Aleijadinho na cripta e na sacristia.
- Igreja de Santa Efigênia dos Pretos: erguida pela irmandade de africanos escravizados no alto de uma ladeira íngreme, com obras de Aleijadinho.
- Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos: datada de 1785, em formato elíptico raro, com teto da nave em forma de quilha de navio.
- Mina da Passagem: a maior mina de ouro aberta à visitação no mundo, com lago subterrâneo cristalino, em Mariana, a poucos minutos de Ouro Preto.
- Parque Estadual do Itacolomi: 7.543 hectares de natureza preservada com trilhas, cachoeiras e vista do Pico do Itacolomi (1.772 metros).
A gastronomia mineira é uma das mais tradicionais do Brasil. Os pratos típicos para experimentar são:
- Feijão tropeiro: receita do tempo das tropas que cruzavam Minas, feita com feijão, farinha de mandioca, torresmo, linguiça e couve refogada.
- Frango ao molho pardo: prato emblemático preparado com galinha caipira e seu próprio sangue, servido com angu de fubá.
- Tutu de feijão: feijão cozido espessado com farinha de mandioca, acompanhado de torresmo, couve e linguiça.
- Doce de leite e queijo Minas artesanal: combinação clássica conhecida como Romeu e Julieta, vendida nas confeitarias do centro histórico.
Quem deseja viajar para Minas Gerais, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 122 mil visualizações, onde são mostrados os roteiros históricos e as belezas de Ouro Preto e Mariana:
Qual a melhor época para visitar Ouro Preto?
O clima é tropical de altitude, com verões chuvosos e invernos secos e gelados. A temperatura média anual é de 18°C, e nas noites de julho pode chegar a 10°C ou menos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A melhor época para visitação é o período de estiagem, entre junho e setembro.
Veja como cada estação se comporta na cidade:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Imperial Cidade de Ouro Preto?
Ouro Preto fica a 96 km de Belo Horizonte. As principais opções de acesso são:
- De carro: pela BR-356, uma rodovia sinuosa com vistas espetaculares, em cerca de 1h30 saindo de Belo Horizonte.
- De ônibus: linhas regulares partem da rodoviária de Belo Horizonte de hora em hora, com tempo médio de viagem de 2h.
- De avião: o Aeroporto Internacional Tancredo Neves (Confins) é a porta de entrada para quem vem de longe, com transfer ou ônibus para Ouro Preto a cerca de 140 km.
Dentro do centro histórico, a recomendação é estacionar e explorar a pé. As ruas estreitas e o calçamento de pedra não foram feitos para o tráfego moderno.
Por que Ouro Preto merece pelo menos uma viagem na vida
Poucas cidades do Brasil reúnem 315 anos de história, o título de primeira inscrita na Lista da UNESCO, 12 igrejas barrocas e as obras de Aleijadinho preservadas em seu local original. Ouro Preto é o tipo de lugar em que o século XVIII ainda se vê em cada esquina, em cada teto pintado, em cada talha de pedra-sabão.
Você precisa subir as ladeiras de Ouro Preto e entrar na Matriz do Pilar para entender por que esta cidade é considerada o maior tesouro barroco a céu aberto do Brasil.

