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80% de reciclagem sem nenhuma máquina: o bairro metropolitano onde 60000 pessoas vivem e trabalham exclusivamente no meio de toneladas de resíduos reciclados diariamente

Vitor Por Vitor
13/03/2026
Em Cidades

No sopé das colinas de Mokattam, na periferia leste do Cairo, um labirinto de ruas estreitas desaparece sob montanhas de plástico, papelão e tecido. É Manshiyat Naser, conhecida mundialmente como Garbage City, a Cidade do Lixo. Aqui, cerca de 60 mil cristãos coptas transformaram resíduos urbanos em economia, identidade e fé.

Quem são os Zabbaleen e por que reciclam o lixo do Cairo?

O nome vem do árabe egípcio e significa, literalmente, “povo do lixo”. Os Zabbaleen são descendentes de agricultores do Alto Egito que migraram para o Cairo nos anos 1940, fugindo de secas e colheitas fracassadas. Sem emprego formal, passaram a recolher resíduos de porta em porta por uma taxa simbólica e a transportá-los em carroças puxadas por burros até suas casas em Manshiyat Naser.

A divisão de trabalho segue regras próprias. Os homens coletam e transportam. As mulheres e crianças separam o material por tipo: plástico, metal, vidro, tecido e papel. Cada família se especializa em um resíduo específico e vende o resultado a outras famílias que operam máquinas de trituração e granulação. Os pellets de plástico seguem para fábricas no Cairo, em Alexandria e no Delta do Nilo, onde viram baldes, cabides, chinelos e até tapetes exportados para a Europa.

Trabalhador Zabbaleen em rua estreita do Cairo com fardos de plástico sob luz dourada (imagem ilustrativa)

A taxa de reciclagem que envergonha países ricos

Sem esteiras automatizadas, sensores ópticos ou caminhões compactadores, os Zabbaleen reciclam aproximadamente 80% de tudo o que coletam. O número foi confirmado por estudos acadêmicos publicados em periódicos como o Habitat International e corroborado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF). Para efeito de comparação, a Alemanha, líder mundial em reciclagem formal, atinge cerca de 66%. As multinacionais contratadas pelo governo egípcio em 2003 eram obrigadas a reciclar apenas 20%.

Em 1992, o sistema dos Zabbaleen recebeu reconhecimento internacional na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, como modelo de gestão sustentável de resíduos urbanos em países em desenvolvimento. Décadas depois, o Fórum Econômico Mundial classificou a operação como uma das mais eficientes redes de economia circular do planeta.

O abate que quase destruiu a Cidade do Lixo

Em abril de 2009, quando os primeiros casos de gripe H1N1 surgiram no México, o parlamento egípcio ordenou o abate de todos os 300 mil porcos do Cairo. Nenhum caso da doença havia sido registrado no Egito. A Organização das Nações Unidas (ONU) criticou a decisão publicamente, e o Egito foi o único país do mundo a adotar medida tão drástica.

Para os Zabbaleen, os porcos eram peça-chave no sistema de reciclagem. Os animais consumiam todo o resíduo orgânico, que representava cerca de 60% do lixo coletado, e deixavam apenas o material inorgânico para a triagem humana. Com o abate, restos de comida passaram a apodrecer nas ruas de bairros como Heliópolis e Imbaba. A crise sanitária obrigou o próprio governo a reconhecer a importância do trabalho informal que havia tentado substituir.

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Uma catedral de 20 mil lugares escavada na montanha

Entre pilhas de plástico e o cheiro constante de resíduos, as colinas de Mokattam escondem a maior igreja do Oriente Médio. O Mosteiro de São Simão, o Curtidor, também chamado de Igreja da Caverna, foi escavado diretamente na rocha a partir de 1975. Sua nave principal, a céu aberto, comporta 20 mil fiéis sentados.

O templo homenageia um santo copta do século X, associado à lenda de que teria movido a montanha de Mokattam pela força da fé durante o califado fatímida. As paredes internas exibem cenas bíblicas esculpidas na pedra por um artista polonês chamado Mario, que trabalhou no local por anos. O complexo inclui sete igrejas e capelas, uma escola para surdos e cursos de alfabetização para moradores do bairro.

O complexo inclui sete igrejas e capelas, uma escola para surdos e cursos de alfabetização para moradores do bairro. (imagem ilustrativa)

O mural invisível que só aparece do alto

Em 2016, o artista franco-tunisiano eL Seed passou semanas pintando fachadas em Manshiyat Naser. A obra, batizada de Perception, cobre cerca de 50 edifícios com caligrafia árabe em branco, laranja e azul. Vista do nível da rua, parece um conjunto de manchas coloridas sem sentido. Do topo da montanha de Mokattam, revela uma frase circular de Santo Atanásio de Alexandria, bispo copta do século III: “Quem quiser ver a luz do sol com clareza precisa antes limpar os próprios olhos”.

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O projeto, apresentado em palestra no TED, foi concebido para questionar o preconceito contra a comunidade. O padre Samaan Ibrahim, líder religioso local, ajudou a obter a permissão dos moradores cujas varandas, paredes e telhados foram pintados.

Entre o reconhecimento e a sobrevivência

Apesar da eficiência reconhecida internacionalmente, Manshiyat Naser ainda enfrenta carências graves. Partes do bairro não têm água encanada, rede de esgoto ou eletricidade estável. Em 2008, um deslizamento de rochas soterrou casas e matou centenas de moradores. O contato diário com resíduos hospitalares, incluindo seringas descartadas, expõe a população à hepatite C, que atinge índices alarmantes no Egito.

A Lei de Gestão de Resíduos 202, aprovada em 2020, deu um passo inédito: reconheceu oficialmente os coletores informais como “recicladores”, título que passará a constar em seus documentos de identidade. Com apoio de multinacionais e do Ministério do Meio Ambiente, um sistema digital de créditos reversos começou a remunerar cada etapa da cadeia, da coleta ao processamento. O objetivo é integrar os Zabbaleen à economia formal sem destruir o modelo que eles próprios inventaram.

O bairro que transformou rejeito em civilização

Manshiyat Naser é, ao mesmo tempo, um problema urbano e uma resposta que o mundo ainda tenta replicar. Em suas ruas sem asfalto, famílias coptas construíram, com as próprias mãos, uma economia circular, uma catedral e uma identidade que resiste a pandemias, privatizações e preconceito.

Quem se interessa por cidades, resíduos ou simplesmente por histórias de resistência humana precisa conhecer a Cidade do Lixo do Cairo, nem que seja pelo olhar do topo de Mokattam.

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