A 67 km de São Paulo, São Roque recebe o visitante com cheiro de uva nas safras de verão e flor de alcachofra cobrindo as encostas na primavera. A cidade produz cerca de 20 milhões de litros de vinho por ano e sediou em 1942 a primeira Festa do Vinho do Brasil.
O capitão bandeirante que plantou as primeiras vinhas em 1657
A história começa com Pedro Vaz de Barros, capitão paulista que fundou o povoado em 1657 e plantou os primeiros vinhedos nas encostas da serra. A produção de uva nasceu antes do café e atravessou os séculos sustentada por sucessivas levas de imigrantes europeus.
O grande salto veio depois da inauguração da Estrada de Ferro Sorocabana, em 1875, que ligou São Paulo a Sorocaba passando por São Roque. A chegada de famílias portuguesas, italianas e espanholas a partir de 1884 reativou as vinícolas, e em 1924 a cidade já produzia 10 mil litros por ano. Em 1990, a localidade foi elevada à categoria de Estância Turística pelo estado, segundo registro publicado pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

Como aproveitar o Roteiro do Vinho em três estradas?
O Roteiro do Vinho é formado por três vias paralelas que se conectam entre vinhedos, alcachofrais e restaurantes: a Estrada do Vinho, a Estrada dos Venâncios e a Rodovia Quintino de Lima. O percurso é gratuito, pode ser feito de carro ao longo do dia e atrai cerca de 600 mil visitantes por ano, segundo o Governo do Estado de São Paulo.
- Vinícola Góes: casarão português da família Gumercindo Góes, com tradição desde 1938 e tour guiado pela adega histórica.
- Vinícola Canguera: instalada nos anos 1950 em frente à antiga linha férrea, abriga o único museu do vinho da cidade.
- Quinta do Olivardo: complexo gastronômico em estilo de vilarejo português, conhecido pelo bacalhau e pela rua de guarda-chuvas coloridos.
- Vinícola XV de Novembro: vinhedos extensos e mirante com vista para parreiras e plantações de alcachofra.
- Sítio Santo Antônio: Casa Grande e Capela bandeirantes de 1681, tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1947.
Detalhes atualizados de horários e visitas no site oficial do Roteiro do Vinho.

A flor que dividiu o protagonismo com a uva
A alcachofra chegou junto com os imigrantes italianos no fim do século XIX e encontrou na serra paulistana clima ideal para se desenvolver. A safra acontece entre setembro e novembro, e nesse período os restaurantes lançam cardápios temáticos com receitas que vão do creme de entrada à massa recheada.
A combinação dos dois produtos virou marca registrada na Expo São Roque, festival realizado todos os anos em outubro e novembro que une vinho e alcachofra. Empórios da região oferecem colheita participativa, em que o visitante apanha a flor diretamente do pé e leva para casa apenas o que decide comprar.
Quem deseja descobrir por que esta cidade a menos de uma hora da capital paulista é conhecida como a “Terra do Vinho”, vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal De fora em Juiz de Fora, que já conta com mais de 123 mil visualizações, onde a turismóloga Tati Marmon apresenta um roteiro completo por São Roque, São Paulo
Onde comer entre o sabor português e a cozinha italiana?
A gastronomia divide o protagonismo entre os herdeiros das duas grandes correntes de imigrantes. As cantinas italianas competem com restaurantes portugueses que servem bacalhau em forno a lenha e adega aberta para degustação.
- Bacalhau à portuguesa: prato âncora das casas de inspiração lusitana ao longo da Estrada do Vinho.
- Risoto de alcachofra: receita tradicional do calendário de festas, servida com taça de vinho fino local.
- Rondelli com alcachofra: massa recheada que aparece em vários cardápios da região, especialmente nos meses da safra.
- Suco de uva integral: alternativa não alcoólica vendida em quase todas as vinícolas, produzida com as mesmas uvas dos vinhos de mesa.
- Pão de alcachofra: criação local servida com manteiga aromatizada nos empórios do roteiro.
Quando ir e o que esperar do clima da serra paulistana?
São Roque tem clima subtropical com inverno seco e ameno e verão chuvoso. A altitude e o relevo de morros suaves favorecem o cultivo da uva e mantêm as temperaturas mais frescas que na capital o ano todo.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar pela Castello Branco ou pela Raposo Tavares?
A cidade fica a 67 km da capital paulista, com duas opções principais de acesso. A Rodovia Castello Branco (SP-280), com saída pelo km 54B, é a rota mais rápida em dias úteis. A Rodovia Raposo Tavares (SP-270) é alternativa sem pedágios, com trajeto um pouco mais longo. O tempo médio fica em torno de uma hora e quinze.
Para quem vem de Sorocaba, a distância é de 37 km. O carro próprio é a melhor opção para circular pelo Roteiro do Vinho, já que as três estradas que formam o circuito não têm transporte coletivo regular entre as vinícolas. Hotéis e pousadas ao longo do trajeto permitem dividir o passeio em mais de um dia.
Suba a serra e descubra a terra do vinho paulista
São Roque combina quase quatro séculos de tradição vinícola, herança portuguesa e italiana viva nas adegas e um calendário gastronômico que vai da colheita da uva à florada da alcachofra. Poucos destinos brasileiros oferecem essa soma de história, cultura europeia e produção rural a tão pouca distância de uma capital.
Você precisa subir a serra e conhecer São Roque para entender por que a primeira festa de vinho do país nasceu nessa cidade do interior paulista em 1942.

