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Tarifas, dívida e dólar: especialista explica por que a China não tem como vencer os Estados Unidos

Redação BM&C News Por Redação BM&C News
20/06/2025
Em Análises

Em meio à crescente tensão econômica e diplomática entre Estados Unidos e China, o economista Bruno Musa, sócio da Acqua Vero, avalia que, apesar de deter instrumentos que poderiam desestabilizar o mercado financeiro e imobiliário norte-americano, a China está hoje mais frágil do que aparenta, e tem mais a perder do que os Estados Unidos em uma escalada de confronto econômico.

Bruno Musa analisa o impacto da guerra tarifária intensificada por Donald Trump, a fragilidade estrutural da economia chinesa, e os riscos associados à venda massiva de ativos americanos por parte de Pequim, como os títulos lastreados em hipotecas (MBS) e os treasuries.

“A China tem mecanismos que poderiam desestabilizar o mercado americano, mas usá-los também traria efeitos colaterais severos para ela mesma”, pontuou Musa.

Tarifas no Radar: Estados Unidos pressionam e China cede tempo

Segundo Musa, desde que Donald Trump adotou uma postura mais agressiva nas tarifas de importação, os dois países passaram a negociar com mais frequência, ainda que sob tensão constante. Ele acredita que os Estados Unidos jogam com mais força na mesa, especialmente em um momento em que a economia chinesa sofre com queda de população, deflação, desemprego juvenil superior a 21% e colapso no mercado imobiliário.

“O Trump quer manter a hegemonia do dólar, mas sem que ele esteja excessivamente valorizado. A estratégia das tarifas visa justamente reduzir o déficit comercial com a China”, explicou.

China tem cartas, mas não pode jogá-las facilmente

Entre os trunfos da China está a posse de mais de US$ 1,3 trilhão em títulos hipotecários americanos (MBS) e cerca de US$ 750 bilhões em títulos públicos dos EUA. Musa alertou que uma liquidação desses ativos poderia pressionar os juros nos Estados Unidos, dificultando o financiamento imobiliário e encarecendo os empréstimos para uma população já endividada.

Por outro lado, a medida também prejudicaria a própria China. A venda massiva desses ativos derrubaria o valor dos títulos e, consequentemente, desvalorizaria a posição cambial da China, que ainda concentra parte significativa de suas reservas em dólar.

“Não há vantagem para a China em liquidar tudo. Primeiro, porque desvalorizaria suas reservas. Segundo, porque levaria à valorização do yuan, o que reduziria sua competitividade externa, justamente o que Trump quer”, destacou Musa.

Mercado imobiliário dos Estados Unidos segue resiliente

Apesar das pressões, Musa avalia que não há, no curto prazo, risco de colapso no mercado imobiliário dos Estados Unidos, por três razões principais:

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  1. Oferta de moradias ainda limitada, o que mantém os preços sustentados;
  2. Critérios de concessão de crédito mais rígidos, evitando um novo ciclo de inadimplência como o da crise do subprime;
  3. Economia americana segue forte, com mercado de trabalho aquecido e inflação se aproximando da meta de 2% do Fed.

“Mesmo com juros de hipoteca elevados, por volta de 7%, o cenário hoje é muito diferente de 2008. O risco sistêmico é baixo”, afirmou o economista.

China tem pouco espaço de manobra, e os Estados Unidos lideram a negociação

Musa encerra sua análise apontando que, embora ambos os lados tenham muito em jogo, os Estados Unidos estão em posição mais confortável. O cenário chinês é marcado por problemas internos severos, repressão social crescente e perda de credibilidade nos dados oficiais.

“A venda massiva de MBS e treasuries não interessa à China. Ambos estão sentados à mesa porque sabem que uma escalada seria autodestrutiva”, concluiu.

Tensão entre Estados Unidos e China e os impactos no setor imobiliário

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