Em meio a tantos indicadores econômicos, o PMI — sigla em inglês para Purchasing Managers’ Index ou Índice de Gerentes de Compras — se destaca como uma das ferramentas mais relevantes para medir o ritmo de uma economia. Com divulgação mensal, ele fornece uma fotografia antecipada da atividade nos setores de serviços e indústria, com base nas percepções dos profissionais responsáveis por abastecer empresas com matérias-primas, produtos e serviços.
“O PMI é um termômetro setorial. Ele mede a percepção dos gerentes de compras sobre o andamento dos negócios, permitindo identificar se o mercado está aquecido, estável ou retraído”, explica o economista Caio Augusto, em entrevista à BM&C News.
O índice varia de 0 a 100. Leituras acima de 50 pontos indicam expansão da atividade econômica; abaixo de 50, sinalizam retração; e exatamente em 50, indicam estabilidade. Essa marca funciona como uma linha divisória entre crescimento e contração no setor avaliado.
Como o PMI é calculado?
O cálculo é feito a partir de uma pesquisa com empresas que respondem a perguntas sobre volume de produção, novos pedidos, estoques, preços e outros fatores relevantes para a atividade. A metodologia não coleta dados objetivos como números de vendas ou faturamento, mas sim as percepções dos gestores sobre o andamento atual e futuro da economia.
“A ideia é entender se houve mais ou menos movimentação em comparação com o período anterior, seja em produção, custos ou novos contratos. Por isso, ele é considerado um indicador antecedente: aponta tendências antes de os dados oficiais serem divulgados”, detalha Caio.
PMI Industrial, de serviços e composto: qual a diferença?
A principal distinção entre os tipos de PMI está no setor avaliado. O PMI Industrial capta a atividade das fábricas e indústrias de transformação. O de Serviços, por sua vez, reflete o desempenho de segmentos como comércio, turismo, tecnologia e outras áreas não industriais. Já o PMI Composto reúne ambos os dados, oferecendo uma visão mais abrangente do cenário econômico.
E o PMI no Brasil e no mundo?
No Brasil, o PMI é calculado pela S&P Global com base em entrevistas mensais com cerca de 400 empresas. Os dados consideram informações como volume de produção, carteira de pedidos, custos e prazos de entrega. A coleta busca capturar a percepção do momento atual e das expectativas em relação ao curto prazo.
Na China, o PMI mais acompanhado é o Caixin, voltado ao setor industrial privado. Ele considera dados como produção, emprego, estoques e velocidade de entregas. Já nos Estados Unidos, há dois PMIs industriais de destaque: o da Markit, que avalia empresas privadas, e o do ISM (Institute for Supply Management), que abrange 18 setores econômicos, incluindo organizações públicas e privadas.
Por que os investidores acompanham o PMI?
A resposta é simples: porque ele antecipa movimentos da economia real. Alterações nas curvas do PMI podem influenciar decisões de política monetária, impactar o humor do mercado e sinalizar riscos de desaceleração ou superaquecimento. Com isso, ele se torna um dos principais guias para investidores, empresários e formuladores de políticas públicas.

