
No dia 24 de fevereiro, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou uma “operação militar especial” no território ucraniano. A principal razão declarada pelo Klemlin foi a intenção da Ucrânia de entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o que representaria um “grande perigo” para a segurança nacional russa.
Além disso, a Rússia exige a desmilitarização, a “desnazificação” da Ucrânia, o reconhecimento da independência de Donetsk e Luhansk, bem como o entendimento de que a Crimeia faz parte do território russo desde 2014, quando a península foi anexada no primeiro movimento militar de Putin na região.
Confira o histórico da relação entre Rússia e Ucrânia e os principais acontecimentos do conflito:
Contexto histórico
Antes de começar a falar de fato da guerra, vamos voltar um pouco no tempo, e entender os fatores históricos que levaram esse conflito acontecer. Em 1992, quando Ucrânia se tornou independente da União Soviética, criou-se um acordo informal que determinava que a OTAN (aliança militar de proteção de seus países-membros) não se expandisse para as antigas Repúblicas Soviéticas, incluindo a Ucrânia.
Poucos anos depois, em 2004, o país passou por uma onda de protestos, que ficou conhecida como revolução laranja. O oeste da Ucrânia, parte do país que é contra a Rússia e mais ligada aos países do ocidente e a OTAN, mobilizou protestou contra corrupção e fraude nas eleições.
Então, por meio da revolução laranja, uma nova eleição presidencial ocorreu, levando Viktor Yanukóvytch para a cadeira presidencial.Com a posse dele, a Ucrânia, que já era dividida entre leste e oeste aumentou ainda mais essa polarização e a relação desse país com o governo russo ficou bastante desgastadas.
Em 2008 teve um acontecimento importante para a escalada desse conflito, uma declaração pública do ministro da relações exteriores russo, sinalizou que a Ucrânia e a Otan estariam cruzando uma linha vermelha ao manterem essa aproximação.
Anexação da Crimeia
Avançando um pouco no tempo – em 2013 -, a relação Rússia e Ucrânia ficou mais conturbada. Na época, as negociações para a entrada da Ucrânia na União Europeia foram suspensas pelo então presidente do país, que tinha interesses políticos que se alinhavam aos da Rússia. No ano seguinte, Yanukovych foi desposto do cargo após mais uma intensa onda de protestos no país, movimento que ficou conhecido como revolução da dignidade.
Ainda em 2014, ano importante para a história dos dois países, aconteceu a tomada da Crimeia pela Rússia, que nesse mesmo período declarou apoio às regiões separatistas do leste ucraniano, região que possui muitas pessoas de origem russa.
Com a anexação da Crimeia, veio também o acordo de Minsk, ambos os países assinaram o protocolo, que garantia que o leste ucraniano (a região separatista de Donbass) teria uma autonomia na região.
2022: O início da guerra
A aproximação da Ucrânia com a OTAN, os interesses de Putin no leste ucraniano e o não cumprimento do acordo de Minsk explicam boa parte do conflito iniciado em 2022. No dia 22 de fevereiro, Vladimir Pútin anunciou que o acordo de Minsk estava morto.
A resposta do Ocidente
O Ocidente foi rápido na resposta aos ataques, e isso desencadeou uma enxurrada de sanções dos países que tentavam atingir a Rússia, e fazê-la recuar. Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia foram alguns dos países que sancionaram a Rússia nos primeiros momentos da guerra de diversas maneiras, fechando o espaço aéreo ou com restrições comerciais, como no caso dos Estados Unidos.
Uma das sanções consideradas mais duras na época foi a retirada da rússia do SWIFT, sistema internacional que permitir a troca de moeda entre diferentes países de forma mais rápida e segura. Com isso, a Rússia ficou sem conseguir fazer nenhuma transação em dólar. As sanções visavam atingir os setores financeiro, energético e de transporte russos e incluíam controles de exportação e proibições de financiamento comercial.
O cenário no mercado financeiro da Rússia não poderia ter sido diferente. As bolsas de valores de Moscou e São Peterburgo suspenderam as negociações logo após o ataque, o principal índice da bolsa de Moscou chegou a tombar mais de 30% antes da interrupção. No mercado de câmbio, o Banco Central russo interviu após o rublo, a moeda oficial do país, atingir mínima histórica em relação ao dólar.
A crise de refugiados
Desespero, insegurança e incerteza sobre o futuro: Esses foram alguns dos sentimentos retratados pelo povo ucraniano com o que estava acontecendo. Em poucas horas, milhares de civis deixaram suas casas em busca de fugir para um lugar seguro.
Isso levou a algo que não era visto nessa proporção desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Dados da agência da ONU para refugiados, a ACNUR, eram atualizados diariamente. Civis saiam de suas casas na esperança de recomeçar a vida em um outro pais. Polônia, Eslováquia e Hungria tiveram suas fronteiras lotadas de pessoas em busca de um novo lar.
A resistência ucraniana e o aumento da ofensiva russa
O que a Rússia não contava é que um país tão pequeno em relação a eles fosse ter uma resistência tão grande. Em comparação com a Rússia, as chances da Ucrânia nesse conflito eram quase nulas, mas todo o apoio do ocidente, da OTAN e da União Europeia levou à Ucrânia, mesmo com chances quase que negativas, a “aguentar firme”.
Putin não ficou nada feliz com isso. Sete meses após o começo da guerra, o presidente russo aumentou a ofensiva do país, em resposta aos últimos acontecimentos. A mobilização de 300 mil homens da Rússia ficou conhecida no mundo inteiro junto com as ameças de utilizar armamentos nucleares, intensificando ainda mais a tensão entre os países em guerra.
Por outro lado, o que o ocidente não contava era que a economia russa fosse conseguir sobreviver apesar de todas as sanções, mas isso só foi possível principalmente porque a China manteve o comércio aberto com a Rússia.
Anexação dos territórios
Como já mencionado, no final de setembro do ano passado, a Rússia aumentou a ofensiva e, com isso, veio outra peça chave de todo esse quebra-cabeça: a anexação dos territórios separatistas pela rússia.
Foram quatro regiões que, no dia 30 de setembro, o presidente Putin assinou o documento de anexação dessas regiões. Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia, que formavam 20% de toda a Ucrânia, foram os territórios integrados pela Russia.
Falta de gás na Europa
O conflito ocasionou uma serie de graves consequências. Uma delas foi a falta de gás na Europa, e vale lembrar que a Rússia fornecia cerca de 40% de todo o gas dos países da União Europeia. O gás natural é essencial para manter as pessoas aquecidas no inverno europeu e gerar energia para as indústrias, e para piorar houve um ataque no gasoduto Nord Stream 2, que intensificou ainda mais o problema.
OTAN e Rússia trocam acusasões sobre o ataque ao gasoduto. Em decorrência de todos esses fatores, a Agencia Internacional de Energia já alertou os governos que cerca de 30 bilhões de metros cúbicos de gás podem vir a faltar, caso cortem totalmente o fornecimento russo somado com outro fator que é a recuperação econômica da China, que utilizará uma larga parte do gás natural liquefeito, o GNL.
As consequências econômicas desse conflito
De acordo com o economista Alan Ghani, a capacidade produtiva da Ucrânia foi devastada, tanto em mão de obra quando em maquinários. Para a Rússia, o economista destacou que com todas as sanções, a retirada do país do SWIFT, e o impacto comerciais vão refletir por muito tempo na economia do país.
“Outros países também tiveram que pagar o preço dessa guerra”, disse Ghani, ao falar sobre os preços das commodities, que foram diretamente impactados por conta da escassez de commodities, já que a Rússia é uma das maiores exportadoras de commodity do mundo.

