A decisão do conselho de administração da Vale de aplicar a sanção de destituição ao conselheiro Marcelo Gasparino da Silva pode aumentar as dúvidas do mercado sobre a governança corporativa da mineradora, segundo Marco Saravalle, CIO da Krivo Capital.
Para o especialista, o principal risco não está necessariamente na reação imediata dos investidores, mas nas consequências que o episódio pode produzir sobre a imagem da companhia ao longo do tempo.
“Estou muito preocupado, não tanto no curto prazo, mas mais para o longo prazo. Isso pode ter um impacto significativo”, afirma Saravalle.
Governança da Vale entra no radar com caso Gasparino
Na avaliação do CIO da Krivo Capital, a decisão representa “um movimento que pode levantar dúvidas sobre a governança corporativa da Vale”.
O caso envolve o vazamento de informações confidenciais relacionadas a uma reunião do conselho de administração realizada em 19 de junho.
Segundo a Vale, uma apuração conduzida por um escritório externo independente confirmou o vazamento. A companhia classificou o episódio como desvio de conduta, conforme sua Política de Gestão de Desvios de Conduta.
A situação direciona a atenção do mercado para a capacidade da mineradora de preservar a confidencialidade das discussões internas, aplicar seus mecanismos de controle e administrar conflitos dentro do conselho.
Embora a empresa tenha informado que adotou medidas após a conclusão da investigação, o episódio pode influenciar a percepção dos investidores sobre o funcionamento de sua estrutura de governança.
Efeito pode aparecer no longo prazo
A preocupação apresentada por Saravalle está relacionada ao impacto que o caso pode ter sobre a confiança dos acionistas e do mercado na condução das decisões estratégicas da companhia.
Questões envolvendo informações confidenciais podem afetar a percepção sobre os controles internos, a atuação dos comitês e a relação entre os integrantes do conselho de administração.
No curto prazo, a reação dos investidores pode permanecer concentrada nos resultados financeiros, na produção e nos preços do minério de ferro. No longo prazo, no entanto, episódios de governança podem ser considerados na avaliação de risco da empresa.
Vale afastou Gasparino de comitês
Além de decidir pela aplicação da sanção de destituição, o conselho afastou Gasparino dos dois comitês dos quais participava: o Comitê de Indicação e Governança e o Comitê de Pessoas e Remuneração.
A decisão acompanhou recomendações do Comitê de Auditoria e Riscos, o Care, e da Diretoria de Auditoria e Conformidade.
Em fato relevante, a Vale afirmou que a medida foi baseada nos fatos e nas conclusões da investigação independente, que teria confirmado o vazamento de informações.
Acionistas terão decisão final
A saída definitiva de Gasparino ainda depende de deliberação dos acionistas reunidos em Assembleia Geral. Como ele ocupa uma vaga no conselho de administração, a aplicação da sanção precisa passar pela aprovação dos acionistas da companhia.
Após a conclusão dos trâmites necessários, o conselho da Vale deverá convocar a assembleia para deliberar sobre a destituição e outras matérias relacionadas ao caso. A votação será o próximo passo formal do processo e poderá ampliar o debate sobre a governança da mineradora entre investidores e acionistas.
Vale decide afastar Marcelo Gasparino após apuração sobre vazamento de informações














