As propostas de tarifas de Trump contra o Brasil carregam uma dimensão que vão além da conta comercial. Para o economista Alex André, em entrevista à BM&C News, a medida americana tem caráter unilateral e embute uma camada política que o governo brasileiro ainda não soube endereçar. A resposta brasileira, segundo ele, deveria ocorrer em canais diretos de negociação, não no palanque público.
A análise de Alex André aponta que a escalada retórica contra Donald Trump e Marco Rubio amplia o risco em vez de reduzi-lo.
O mercado não reage ao discurso, reage ao risco.
A medida americana não é apenas sobre tarifa
Alex André sustenta que as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil não se explicam exclusivamente por desequilíbrios comerciais. O movimento tem componentes de pressão geopolítica e sinalização de poder.
Nesse cenário, a resposta pública do governo brasileiro, com declarações duras e exposição midiática, funciona como combustível para uma disputa que deveria ser tratada com discrição diplomática.
“A negociação deveria ser direta, longe dos holofotes, para ser mais eficaz”, avalia.
O risco-país já começou a refletir a tensão
Para Alex André, o impacto das tarifas americanas já se faz sentir na percepção de risco sobre o Brasil. Bolsa, dólar e juros podem responder de forma negativa à indefinição sobre o desfecho da disputa.
A falta de uma estratégia clara do governo brasileiro aumenta a volatilidade.
“O setor produtivo pode precisar agir por conta própria, como já ocorreu em embates comerciais anteriores, diante da ausência de uma resposta estruturada por parte do Estado”, pontua.
Produtividade e segurança jurídica voltam ao centro do debate
Na avaliação de Alex André, as tarifas de Trump reforçam a necessidade de o Brasil olhar para dentro.
“Produtividade baixa, insegurança jurídica e ausência de políticas de Estado minam a competitividade brasileira no cenário global”, analisa.
A crise tarifária expõe a fragilidade de um modelo que depende mais de favores pontuais do que de fundamentos sólidos. O economista defende que o país precisa construir resiliência estrutural, não apenas respostas reativas.
O economista alerta que a ampliação do confronto público reduz margens de manobra. A saída, segundo ele, passa por canais técnicos, envolvimento do setor privado e compromisso com previsibilidade.














