O governo Lula trabalha para evitar que a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos provoque uma deterioração mais profunda da relação bilateral entre os dois países.
Integrantes do Planalto avaliam que o tema deve ser tratado por meio da cooperação institucional e do diálogo entre autoridades dos dois países. A preocupação é impedir que a decisão americana gere efeitos indiretos sobre empresas, bancos e operações financeiras ligadas ao Brasil.
PCC e Comando Vermelho e a possível conversa entre Lula e Trump
No governo, existe a avaliação de que uma conversa direta entre o presidente Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderia ajudar a reduzir tensões após a classificação das facções brasileiras como organizações terroristas.
A intenção seria reforçar a cooperação bilateral no combate ao crime organizado e evitar medidas que possam atingir o sistema financeiro nacional. Apesar disso, auxiliares do presidente afirmam que não há, neste momento, agenda definida para um contato entre os dois líderes.
O Planalto prefere acompanhar os efeitos concretos da decisão antes de avançar para uma iniciativa diplomática de maior alcance.
Fazenda lidera interlocução
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, passou a liderar a interlocução do governo brasileiro sobre os efeitos econômicos da decisão dos Estados Unidos. Segundo ele, o objetivo é estabelecer contato com autoridades americanas para esclarecer o alcance da classificação do PCC e do Comando Vermelho.
Durigan afirmou estar aberto a reuniões com representantes dos Estados Unidos, embora ainda não exista agenda oficialmente marcada. As conversas devem abordar temas ligados à prevenção à lavagem de dinheiro, cooperação regulatória, combate ao crime organizado e funcionamento do sistema financeiro.
Preocupação com sistema financeiro
A principal preocupação da equipe econômica envolve os possíveis efeitos da decisão americana sobre bancos, fintechs e demais participantes do sistema financeiro brasileiro.
Segundo Dario Durigan, a classificação das facções como organizações terroristas pode aumentar exigências internacionais de monitoramento, fiscalização e compliance. O receio é que instituições financeiras passem a enfrentar custos maiores para realizar operações internacionais e cumprir novas exigências regulatórias.
O governo também monitora o risco de restrições indiretas a empresas brasileiras ou aumento da burocracia em transações ligadas ao sistema financeiro global. A avaliação é que parte desses custos pode acabar sendo repassada ao mercado.
Por isso, o Ministério da Fazenda busca esclarecimentos junto aos Estados Unidos para reduzir incertezas e evitar impactos desnecessários sobre a atividade econômica.













