A indústria brasileira perdeu fôlego no momento em que os juros altos deixaram de ser apenas um custo para se tornar um bloqueio estrutural. Carlos Honorato, professor da FIA Business School, analisa em entrevista à BM&C News o cenário de contração captado pelo PMI industrial e aponta para um problema mais profundo: a política monetária entrou num beco sem saída.
Segundo Honorato, o Banco Central enfrenta uma sinuca de bico. Elevar ainda mais a Selic pode asfixiar de vez o setor produtivo, mas não resolve sozinho o descontrole das expectativas inflacionárias. O resultado é uma economia travada, onde empresas adiam investimentos, o consumo recua e o crédito encarece além do suportável.
O juro real corrói o setor produtivo antes de controlar a inflação
Para o professor, a inflação resistente não é apenas um problema de demanda aquecida. Ela reflete insegurança econômica, desconfiança sobre a trajetória fiscal e expectativas desancoradas. Elevar os juros nesse contexto funciona como um freio de mão puxado em alta velocidade: a economia para, mas o problema de fundo permanece intacto.
O custo elevado do capital atinge em cheio empresas que dependem de crédito para capital de giro e investimento. Na avaliação de Honorato, o setor industrial já sente os efeitos desse aperto, com a entrada do PMI em território de contração, sinal de que a atividade encolheu e a confiança empresarial despencou.
A política monetária sozinha não ancora expectativas quando o fiscal está solto
Honorato destaca que o Banco Central opera num ambiente em que a política fiscal não colabora. Com gasto público pressionado, dívida em trajetória ascendente e pouca clareza sobre ajustes estruturais, o mercado não acredita que juros altos sejam suficientes para trazer a inflação de volta ao centro da meta. O mercado não reage ao discurso, reage ao risco.
Esse descompasso entre política monetária e fiscal cria um ambiente tóxico para o setor produtivo. Empresas enfrentam juros reais elevados, demanda fraca e incerteza regulatória. O resultado é uma combinação explosiva: menos investimento, menos emprego, menos crescimento.
Indústria fica entre a asfixia do crédito e a paralisia da demanda
As consequências desse cenário já são visíveis. Segundo o professor, empresas adiam projetos, cortam custos e evitam assumir novos compromissos financeiros. O consumo perde tração, especialmente em bens duráveis, que dependem de financiamento. O crédito, por sua vez, fica mais caro e seletivo, ampliando o fosso entre grandes corporações e pequenas e médias empresas.
Honorato alerta que o risco não é apenas conjuntural. A prolongação desse quadro pode provocar uma onda de inadimplência, fechamento de empresas e destruição de capacidade produtiva. O Excel fecha. O caixa é que cobra.
O alerta é claro: sem previsibilidade fiscal, a indústria não reage
Na leitura de Honorato, o Brasil enfrenta um problema de coordenação de políticas. Juros altos podem conter a demanda, mas não criam condições para o setor produtivo reagir. Para que a indústria volte a crescer, é preciso mais do que arrocho monetário: é necessário previsibilidade fiscal, ambiente regulatório estável e sinalização clara de que o país está comprometido com o ajuste estrutural.
O diagnóstico apresentado pelo professor da FIA Business School na entrevista à BM&C News reforça um alerta recorrente: política monetária restritiva sem âncora fiscal é veneno disfarçado de remédio. A análise completa está disponível no canal da BM&C News e oferece uma leitura aprofundada sobre os riscos que rondam o setor produtivo brasileiro neste momento de encruzilhada.












