Do barco que cruza o braço de mar, montanhas brancas aparecem no horizonte antes da areia. Parecem neve, mas são sal. Essa é Galinhos, uma vila de pescadores numa estreita península do litoral norte do Rio Grande do Norte, onde charretes substituem carros e o relógio é a maré. A 160 km de Natal, o lugar resiste ao tempo num cenário de dunas, salinas e manguezais.
Uma língua de areia entre o oceano e o rio
A geografia explica o isolamento. Galinhos ocupa uma península estreita, que em alguns trechos tem menos de 500 metros de largura, entre o Oceano Atlântico e o braço de mar do Rio Aratuá, que os moradores chamam de “rio”.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município tem 2.104 habitantes, área de cerca de 341 km² e densidade de apenas 6,17 moradores por quilômetro quadrado. Carros comuns não chegam ao centro: é preciso deixar o veículo no Porto de Pratagil e cruzar o braço de mar de barco.

O nome que veio de um peixe miúdo
A origem do nome está na pesca. Os pescadores que chegaram à península encontravam peixes-galo de tamanho menor que o habitual, que apelidaram de “galinhos”, segundo o histórico do IBGE. O apelido grudou no povoado.
A pesca de peixes-galo e voadores e as salinas naturais sustentaram as primeiras famílias. O povoado se emancipou de São Bento do Norte pela lei estadual de 26 de março de 1963, com instalação oficial em abril daquele ano.

Montanhas de sal que parecem neve
As pirâmides brancas que pontilham a paisagem são de sal marinho. O Rio Grande do Norte responde por cerca de 95% de toda a produção de sal marinho do país, e a planície de Galinhos-Guamaré é uma das áreas mais importantes, segundo estudo publicado na revista científica Mercator.
O processo é simples e antigo. A água do mar entra em tanques rasos, evapora sob o sol forte e deixa para trás cristais que se acumulam em montes de vários metros. A água dessas salinas tem densidade tão alta que o corpo boia sem esforço.
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O que fazer na península de Galinhos?
Os passeios seguem o ritmo da maré e combinam barco, areia e vento. Entre os programas mais procurados, destacam-se:
- Passeio de barco pelo manguezal: navegação pelas gamboas, com observação de aves, caranguejos e cavalos-marinhos.
- Farol de Galinhos: erguido em 1931 na ponta da península, funciona como mirante para o encontro do rio com o mar.
- Dunas de areia: morros móveis de areia clara, ótimos para o pôr do sol sobre a península.
- Visita às salinas: as montanhas de sal vistas de perto, parte da paisagem e da economia local.
- Kitesurf e windsurf: os ventos fortes do segundo semestre atraem praticantes de várias partes do mundo.
Quem deseja planejar a viagem perfeita para uma península belíssima e ainda pouco conhecida no Brasil, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 469 mil visualizações. No conteúdo, o canal Rolê Família mostra um roteiro completo com passeios de barco, dunas, praias e dicas imperdíveis do que fazer em Galinhos, Rio Grande do Norte.
Conheça a vila onde o tempo anda no ritmo da maré
Galinhos reúne dunas, salinas e o cotidiano simples de uma vila de pescadores que o isolamento ajudou a preservar. Poucos lugares no Brasil entregam tanto sossego e uma paisagem tão diferente em uma só viagem.
Vale deixar o carro em Pratagil, cruzar o braço de mar de barco e sentir o tempo desacelerar nessa língua de areia potiguar.

