Encaixada na Serra da Mantiqueira, no encontro com a Serra da Bocaina, a cerca de 240 km de São Paulo e 49 km de Paraty, uma cidade de pouco mais de 22 mil habitantes ostenta um título raro no Brasil. Cunha é a Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura, status oficializado por lei federal em 2022, e abriga o maior número de fornos noborigama fora do Japão em ateliês espalhados pelas ruazinhas do centro histórico.
A cidade que ganhou um forno japonês em 1975 e nunca mais foi a mesma
A tradição cerâmica do destino paulista nasceu da fusão entre a herança indígena, o ofício das paneleiras coloniais e uma ponte inesperada com o Japão. Em 1975, um grupo formado pelo arquiteto português Alberto Cidraes, sua esposa Maria Estrela e os ceramistas japoneses Toshiyuki Ukeseki e Mieko Ukeseki chegou ao destino paulista e construiu o primeiro forno noborigama do Brasil no antigo matadouro da cidade.
Segundo o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (CRAB), o forno é construído em declive, com câmaras interligadas, fornalha e chaminé, atingindo até 1.400°C em queimas que duram entre 30 e 40 horas. A primeira fornada foi aberta ao público em 1976 e, em 2022, a Lei nº 14.349 conferiu à cidade o título de Capital Nacional da Cerâmica de Alta Temperatura.

Quais ateliês não podem ficar de fora do roteiro?
O destino paulista reúne mais de 50 ateliês de cerâmica abertos à visitação, distribuídos pelo centro histórico e ao longo da estrada que leva a Paraty. As fornadas abertas ao público se tornaram um ritual que reúne dezenas de visitantes a cada 2 meses.
- Ateliê Suenaga e Jardineiro: fundado em 1985, mantém a tradição do forno noborigama e abre fornadas para o público em rituais com horários divulgados pelos ceramistas.
- Ateliê Alberto Cidraes: laboratório do arquiteto pioneiro, considerado um dos maiores nomes da cerâmica brasileira contemporânea.
- Casa do Artesão: instalada no antigo matadouro onde tudo começou em 1975, reúne obras de diferentes ceramistas locais e tem café anexo.
- Ateliê Mieko Ukeseki: da pioneira japonesa, ainda em funcionamento e referência na queima de alta temperatura.
- Festival da Cerâmica: realizado todo mês de junho desde 2005, quando a cidade celebrou os 30 anos do primeiro forno noborigama.
O Lavandário e a Pedra da Macela que entregam outra Cunha
Além da cerâmica, o destino paulista guarda paisagens que renderam à cidade o apelido de Toscana Brasileira. O Lavandário, um dos maiores campos de lavanda do Brasil, tem vista direta para a Serra do Mar e fica especialmente fotogênico nos fins de tarde, com a luz dourada banhando as flores roxas.
A Pedra da Macela, mirante natural a 1.840 metros de altitude, recompensa a subida com vista panorâmica que alcança a cidade de Paraty, parte da Ilha Grande, a Usina Nuclear de Angra dos Reis e o Pico dos Marins, na Serra da Mantiqueira. A trilha integra a área do Parque Nacional da Serra da Bocaina, com Mata Atlântica preservada.

Cozinha de altitude com pinhão, truta e café colonial
O destino paulista é conhecido também como Terra do Pinhão e a gastronomia reflete o clima ameno e a tradição da Mantiqueira. Os restaurantes e cafés do centro servem preparos com ingredientes da região e da cultura caipira preservada.
- Pinhão: presente em sopas, pratos quentes e doces, é o ingrediente mais celebrado do destino paulista.
- Truta: criada em fazendas locais nas águas frias da serra, servida defumada ou grelhada.
- Café colonial: programa de fim de tarde com pães caseiros, geleias, queijos da região e doces de tacho.
- Cachaça artesanal: produzida nos alambiques da Mantiqueira, presente nas mesas dos restaurantes do centro.
Quem deseja curtir a tranquilidade das montanhas, as artes em cerâmica e a culinária do interior de São Paulo vai adorar este vídeo selecionado do canal Rolê Família, que já conta com mais de 25 mil visualizações, onde é apresentado um roteiro completo de 1 dia e meio para aproveitar o melhor de Cunha, São Paulo:
Quando é a melhor época para visitar o destino paulista?
O clima é tropical de altitude, ameno o ano todo, com inverno seco e fresco. O Festival da Cerâmica em junho e o Festival de Inverno são os eventos mais procurados, e a neblina constante na estrada para Paraty é parte da experiência.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar saindo de São Paulo?
O destino paulista fica a cerca de 240 km da capital pela Rodovia Presidente Dutra (BR-116), com saída em Guaratinguetá, depois pela SP-171. A viagem leva aproximadamente 3 horas de carro. De Paraty, no litoral do Rio de Janeiro, são 49 km pela cênica Estrada Cunha-Paraty, parte asfaltada e parte de terra, conhecida como uma das mais bonitas do Sudeste. Ônibus rodoviários partem de São Paulo, Rio de Janeiro e Taubaté para o terminal do município.
Conheça a Toscana Brasileira da Mantiqueira
O destino paulista reúne em poucos quilômetros 50 ateliês de cerâmica japonesa, campos de lavanda com vista para o mar, mirantes a quase 2 mil metros e a cozinha do pinhão. É a parada certa para quem quer combinar arte, natureza e o silêncio da Mantiqueira em um só fim de semana.
Você precisa caminhar pelos ateliês ao fim da tarde, subir até a Pedra da Macela ao amanhecer e pegar a estrada para Paraty pelo menos uma vez para entender por que Cunha guarda um pedaço único da Serra do Mar.

