O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o papel da Petrobras na política energética brasileira e afirmou que, diante da crise dos combustíveis, o Brasil estaria entre os países que vendem diesel e gasolina pelos menores preços. A declaração foi feita em Paulínia, no interior de São Paulo, durante cerimônia de anúncio de investimentos da Petrobras no Estado.
“Nessa crise do combustível, o Brasil é possivelmente o país que está vendendo diesel e a gasolina no menor preço”, afirmou Lula. A fala ocorreu em meio ao debate sobre preços de combustíveis, investimentos da estatal e segurança energética do país.
No mesmo discurso, o presidente também defendeu a exploração da Margem Equatorial pela Petrobras. Lula afirmou que o Brasil tem responsabilidade ambiental sobre a Amazônia e disse que nenhum outro país teria mais cuidado com a região. “Ninguém tem mais cuidado com a Amazônia do que o Brasil”, declarou.
Ao tratar da Margem Equatorial, Lula também fez uma referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, se o Brasil não ocupar economicamente seus próprios territórios, outros países poderiam demonstrar interesse sobre áreas estratégicas. “Daqui a pouco, o Trump acha que é dele e vai lá”, afirmou Lula, ao lembrar declarações do governo americano sobre o Canadá e a Groenlândia.
Lula defende soberania em energia e recursos naturais
As declarações reforçam uma linha que o presidente tem adotado em temas ligados à energia, mineração e recursos estratégicos. Para Lula, o Brasil deve preservar o controle sobre suas riquezas naturais, mas sem fechar as portas para parcerias internacionais.

Essa posição também apareceu nas declarações feitas pelo presidente sobre terras raras e minerais críticos. Em Campinas, durante a cerimônia de entrega de novas linhas de luz síncrotron do acelerador de partículas Sirius, no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, o CNPEM, Lula afirmou que o Brasil está aberto a acordos com outros países para exploração desses recursos, desde que os projetos ocorram dentro do território nacional e gerem valor para a economia brasileira.
O presidente disse que o país pode se associar a empresas e governos estrangeiros, inclusive aos Estados Unidos, mas afirmou que não abre mão da soberania nacional. Segundo Lula, as terras raras pertencem ao Brasil e devem ser exploradas com processamento, desenvolvimento tecnológico e agregação de valor dentro do país.
Brasil pode se associar aos EUA em minerais críticos
Ao comentar a disputa comercial e tecnológica entre Estados Unidos e China, Lula disse esperar que Donald Trump reduza a tensão com o presidente chinês, Xi Jinping, e considere uma associação com o Brasil no setor de minerais críticos.
O presidente afirmou que o Brasil não estabelece preferência por parceiros comerciais. Segundo ele, empresas chinesas, alemãs, francesas, japonesas ou norte-americanas podem participar de projetos no país. A condição, de acordo com Lula, é que a exploração dos recursos naturais seja feita de forma compatível com os interesses brasileiros.
A fala ocorre em um momento de disputa global por terras raras e minerais críticos, insumos usados em cadeias ligadas à transição energética, à indústria de tecnologia, à produção de baterias, semicondutores, carros elétricos e equipamentos de alta complexidade.
Qual é a estratégia do governo para terras raras?
Durante o evento no CNPEM, Lula também relacionou a exploração de minerais críticos à capacidade científica brasileira. O presidente afirmou que o Brasil ainda conhece apenas parte do potencial existente em seu território e defendeu o uso da ciência e da tecnologia para acelerar esse mapeamento.
O Sirius, instalado em Campinas, é uma estrutura de pesquisa que permite analisar materiais em escala molecular e atômica. As novas linhas de luz ampliam a capacidade de estudos em áreas como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia e novos materiais.
Na avaliação do presidente, esse tipo de infraestrutura pode ajudar o país a avançar no conhecimento sobre seus recursos naturais e reduzir a dependência de métodos tradicionais de pesquisa mineral, que demandam mais tempo.
Recursos estratégicos entram no centro da disputa global
As declarações de Lula sobre combustíveis, Petrobras, Margem Equatorial e terras raras têm um ponto em comum: a defesa de que o Brasil use seus recursos naturais como parte de uma estratégia de desenvolvimento nacional.
No caso dos combustíveis, o presidente buscou destacar o papel da Petrobras em um cenário de pressão global sobre energia. Na Margem Equatorial, defendeu a exploração pela estatal e vinculou o tema à presença brasileira em áreas estratégicas. Já nas terras raras e minerais críticos, afirmou que o país aceita parcerias internacionais, mas não deve repetir um modelo baseado apenas na exportação de matéria-prima.
A diretriz sinaliza uma tentativa de combinar soberania, investimento, ciência e indústria. Para Lula, o Brasil pode receber capital e tecnologia de parceiros estrangeiros, desde que os projetos fortaleçam a cadeia produtiva nacional e mantenham o controle brasileiro sobre os recursos estratégicos.
(Com informações da Agência Brasil)












