Depois de uma semana de encontros, reuniões e agendas em Nova York, a leitura entre empresários, investidores e executivos que participaram da Brazilian Week 2026 é de que o Brasil voltou a ocupar um espaço mais relevante no radar do capital global. A cobertura especial da BM&C News acompanhou discussões sobre infraestrutura, energia, tecnologia, indústria de transformação, ambiente institucional e os desafios políticos que podem influenciar os próximos ciclos de investimento no país.
O tema central que atravessou os encontros foi a capacidade do Brasil de atrair capital de longo prazo. Não apenas recursos financeiros voltados a movimentos táticos de mercado, mas investimentos produtivos, ligados à economia real, à geração de empregos, à expansão da infraestrutura e ao aumento da competitividade da indústria brasileira.
Para Rafael Japur, CFO da Gerdau, o investidor estrangeiro olha para o Brasil considerando variáveis que vão além da oportunidade de retorno. A estabilidade econômica, a previsibilidade institucional e o custo de capital aparecem como fatores decisivos para a tomada de decisão.
“Quando alguém vem e quer colocar dinheiro naquele país, ele não quer que a moeda se desvalorize, ele não quer que tenha inflação, porque isso tudo atrapalha a rentabilidade e o crescimento longo prazo”, afirmou Japur.
Segundo ele, um ambiente mais equilibrado do ponto de vista institucional e das finanças públicas poderia abrir espaço para taxas de juros menores e, por consequência, para um custo de capital mais baixo. Na avaliação do executivo, esse seria um cenário mais favorável ao crescimento sustentável e aos investimentos produtivos.
A política também esteve no centro das conversas. Para Felipe Nunes, CEO da Quaest, a disputa eleitoral e o nível de polarização no país são observados de perto porque podem alterar o desenho da agenda econômica dos próximos anos.
“Os brasileiros reconhecem que uma mudança de governo sim pode fazer diferença do ponto de vista da agenda pública, do ponto de vista daquilo que é defendido por cada um dos governos”, disse Nunes.
Ele destacou que uma diferença pequena no resultado eleitoral pode representar uma mudança relevante de direção para o país. “Esse alto nível de polarização, esse alto nível de competitividade que a pesquisa está mostrando, no fundo é um sinal de que os brasileiros sabem que uma mudança pequena pode, na verdade, fazer uma diferença enorme para o futuro do Brasil”, afirmou.
Ao longo da semana, a cobertura da BM&C News mostrou que as oportunidades foram se revelando em diferentes frentes. Em Nova York, encontros entre empresários, investidores e lideranças do setor produtivo ocorreram em um ritmo que, segundo os participantes, dificilmente seria replicado no Brasil em tão pouco tempo. O ambiente favoreceu conversas sobre negócios, acordos e compromissos de investimento.
O empresário Tallis Gomes destacou que há discussões em curso envolvendo grandes volumes de capital para infraestrutura e tecnologia no Brasil. “Eu vim para Nova York há mais de 10 anos. Eu nunca vi o mundo tão bullish com o Brasil como está agora. Brasil, enfim, está na moda e a gente não pode perder essa chance”, disse.
A inteligência artificial apareceu como uma das principais avenidas de oportunidade. A avaliação discutida na Brazilian Week é que o Brasil pode não necessariamente capturar a primeira camada dos investimentos globais em IA, concentrada nas grandes empresas de tecnologia e nos modelos de linguagem, mas pode participar de movimentos posteriores ligados a infraestrutura, energia, data centers, serviços e aplicações práticas.
Direto de Nova York, Felipe Nascimento, da BM&C News, destacou que o debate não ficou restrito ao investimento financeiro de curto prazo. O foco esteve no que ele classificou como investimento geracional, com potencial de gerar efeitos ao longo dos anos sobre infraestrutura, PIB, emprego e bem-estar social.
Outro eixo relevante da cobertura foi a indústria. A discussão apontou para a necessidade de o Brasil avançar além da exportação de commodities, agregando valor à produção nacional e fortalecendo a indústria de transformação. O país segue competitivo em setores como petróleo, minério de ferro e agronegócio, mas a avaliação dos participantes é que o próximo ciclo de crescimento depende de maior sofisticação produtiva.
Para Luiz Carlos Trabuco, presidente do Conselho do Bradesco, o crescimento sustentável passa pelo investimento na economia real. “Acho que todos nós desejamos é um ciclo de crescimento e desenvolvimento de longo prazo sustentável, que nós só vamos reduzir as desigualdades, reduzir a pobreza, gerando emprego. E isso só através de investimento na economia real”, afirmou.
Trabuco também reconheceu que o ano eleitoral adiciona cautela às decisões, mas sem eliminar a visão positiva sobre o Brasil. “É natural um ano eleitoral as pessoas ficarem mais céticas, mas eu diria que é um otimismo com ceticismo. Então acho que esse é o sentimento geral”, disse.
Este conteúdo integra a cobertura especial da BM&C News durante a Brazilian Week 2026, em Nova York. Uma agenda dedicada a discutir o papel do Brasil no novo ciclo de capital global.
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