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Com 310 mil quilômetros quadrados e 145 milhões de anos, o Maciço Tamu virou o supervulcão que reescreveu a geologia da Terra

Laila Por Laila
12/05/2026
Em Ciências Naturais

Um supervulcão escondido no fundo do oceano parece coisa de ficção, mas o Maciço Tamu existe a quase 2 mil metros abaixo do Pacífico. Com área comparável à Grã-Bretanha e Irlanda, ele passou de maior vulcão único da Terra a uma das maiores revisões modernas da tectônica.

As dimensões monumentais do Maciço Tamu no noroeste do Oceano Pacífico

Com uma área total de aproximadamente 310.000 quilômetros quadrados, o supervulcão Maciço Tamu domina a região conhecida como elevação de Shatsky. O seu topo repousa a cerca de 1.980 metros abaixo da superfície oceânica, enquanto a base afunda por impressionantes 6,4 quilômetros de profundidade na crosta terrestre.

Essa proporção colossal faz com que a estrutura seja 60 vezes maior que o vulcão ativo Mauna Loa, localizado no Havaí. Para entender a escala astronômica dessa montanha submersa, organizamos as suas medidas oficiais de acordo com os dados geofísicos registrados:

Característica estrutural Medida geofísica
Altura total do fundo ao cume 4.460 metros
Área de cobertura principal 310.000 quilômetros quadrados
Extensão do domo arredondado 450 por 650 quilômetros
Profundidade exata do topo 1.980 metros submersos
Mapa batimétrico mostra o Maciço Tamu gigante sob o oceano

Leia também: Os “vulcões submarinos”, onde a vida prospera sem luz solar, a água passa de 400 °C e criaturas vivem sob a crosta do oceano

Como a descoberta de 2013 classificou a estrutura como um vulcão único?

A formação geológica foi oficialmente documentada e batizada em referência à universidade Texas A&M pelo pesquisador geofísico William Sager. Inicialmente, os cientistas acreditavam que a área era um platô oceânico comum composto por múltiplos pequenos vulcões agrupados na mesma região marítima.

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Em setembro de 2013, um anúncio na revista Nature Geoscience chocou o mundo ao classificar a área como o maior vulcão único da Terra. Essa teoria baseada em erupções efusivas centrais colocava o colosso terrestre em pé de igualdade com o gigantesco Olympus Mons de Marte em termos de volume e massa planetária.

A reviravolta de 2019 e o novo modelo magnético do supervulcão

A ciência exige revisões constantes e uma nova expedição a bordo do navio Falkor coletou quase 2 milhões de medições magnéticas na região em 2019. O resultado do mapeamento revelou blocos crustais com polaridade magnética oposta dispostos em um padrão estritamente linear no fundo do oceano.

Esse comportamento provou que o Maciço Tamu não era um vulcão em escudo tradicional, mas sim o resultado direto de uma expansão do fundo oceânico. O material magmático novo era adicionado no centro da dorsal de forma focada, enquanto a crosta mais antiga derivava lateralmente com o passar do tempo.

O que a Expedição 324 revelou sobre os fluxos de basalto no supervulcão?

Durante as perfurações do Programa Internacional de Descoberta Oceânica, os cientistas extraíram fluxos de basalto massivos que chegavam a 23 metros de espessura. Essas amostras profundas confirmaram a ocorrência de erupções extraordinariamente efusivas durante o período Jurássico Superior.

A estrutura inteira foi forjada há 145 milhões de anos em um ambiente tectônico extremo conhecido como junção tríplice. Entenda os fatores que transformaram essa área isolada no maior laboratório natural de vulcanismo submarino do mundo:

  • Junção de três placas que se separavam simultaneamente na bacia do Pacífico.
  • Fraturas crustais pré-existentes que permitiram a subida de volumes gigantescos de magma.
  • Interação pluma-dorsal que controlou a expansão focada da fenda vulcânica marinha.
  • Isostasia de Airy, criando uma raiz crustal profunda de até 30 quilômetros de espessura.

Como as novas regras da tectônica mudam a visão sobre o Maciço Tamu

A reclassificação dessa estrutura enfraqueceu antigas analogias da geologia, provando que platôs gigantescos podem nascer a partir da simples expansão de limites divergentes no fundo do mar. Os dados sísmicos recentes demonstram que nem as plumas isoladas nem as falhas comuns explicam o fenômeno geofísico por completo.

Para visualizar as dimensões astronômicas dessa descoberta e entender como o vulcão se compara às montanhas de Marte, selecionamos o conteúdo do canal TomoNews US, que possui mais de 2,66 milhões de inscritos. No vídeo a seguir, a animação detalha a topografia massiva que impressionou os pesquisadores de Houston:

O legado do gigante adormecido para o futuro da geofísica global

As expedições continuam explorando as profundezas para desvendar os mecanismos de vulcanismo extremo que moldaram a crosta antiga da Terra. Cada amostra de rocha extraída do abismo ajuda a reescrever os livros científicos sobre a formação de grandes províncias ígneas no registro geológico mundial.

Independentemente das nomenclaturas acadêmicas debatidas, o fato irrefutável é que uma montanha vulcânica extinta repousa em silêncio absoluto a quase 2 quilômetros abaixo da superfície do Pacífico. Esse colosso submerso serve como um laboratório natural impecável para a ciência moderna.

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