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A base científica futurista construída sobre esquis gigantes que foge sozinha das rachaduras no gelo na Antártida

LailaPor Laila
26/04/2026

Você já imaginou um prédio que literalmente foge do perigo? Na Antártida, uma base científica faz exatamente isso. Com pernas hidráulicas e esquis gigantes, ela foi rebocada por 23 quilômetros para escapar de uma rachadura no gelo que a teria engolido.

Por que as cinco bases científicas britânicas anteriores foram soterradas pelo gelo da Antártida?

A Halley VI não é a primeira estação britânica no local: é a sexta. As cinco anteriores foram soterradas e destruídas, algumas delas deliberadamente demolidas antes de serem engolidas pela neve. A Brunt Ice Shelf apresenta dois problemas simultâneos e devastadores para qualquer construção permanente.

O primeiro é o acúmulo de 1,5 metro de neve por ano, que soterra progressivamente qualquer estrutura fixa: a Halley I foi completamente engolida em menos de uma década. O segundo é a deriva da plataforma em direção ao mar a 400 metros por ano, arrastando tudo sobre ela e dando às estruturas fixas uma vida útil de aproximadamente 10 anos antes de chegarem à borda do gelo.

Trator pesado rebocando um módulo da base sobre o deserto de gelo

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Como pernas hidráulicas e esquis gigantes resolveram dois problemas ao mesmo tempo?

Cada módulo da Halley VI é suportado por pernas que se estendem hidraulicamente. Quando a neve acumula ao redor da base, a equipe empilha neve sob as pernas e as estende, levantando o módulo inteiro 3 metros acima do nível acumulado. O design aerodinâmico facetado da carcaça de cada módulo contribui ainda mais: o vento que passa sob as pernas carrega a neve para longe, reduzindo o acúmulo abaixo da estrutura.

Na base de cada perna há um esqui que distribui a carga no gelo e permite o deslizamento quando a base é rebocada por tratores pesados. O processo anual de elevação segue estas etapas:

  • Monitoramento do nível de neve acumulado ao redor das pernas hidráulicas
  • Empilhamento manual de neve compactada sob cada perna para criar base de apoio
  • Extensão hidráulica das pernas, elevando o módulo inteiro acima do nível da neve
  • Verificação do nivelamento de cada módulo individualmente após a elevação
  • Reconexão dos corredores articulados entre os módulos após o ajuste de altura

A arquitetura modular da base científica: £ 25,8 milhões e 12 semanas de montagem

O projeto foi desenvolvido pelo escritório Hugh Broughton Architects em parceria com a AECOM após um concurso internacional lançado pelo BAS em 2004. Conforme documentado pela Archello, os módulos foram pré-fabricados na África do Sul e transportados de navio até a Antártida, com montagem concluída em apenas 12 semanas a um custo total de £ 25,8 milhões.

A estrutura é composta por 7 módulos azuis de 152 m² e 80 toneladas cada, contendo dormitórios, laboratórios e plantas de energia, mais 1 módulo central vermelho de 467 m² e 180 toneladas, o coração social da base com pé-direito duplo e áreas de convívio. Os módulos são conectados por corredores articulados, como as juntas de um trem, que permitem ao conjunto dobrar ao longo do trajeto durante o reboque.

Característica Halley I a V (bases fixas) Halley VI (base móvel)
Solução contra neve Nenhuma Pernas hidráulicas elevam 3 m ao ano
Solução contra deriva Nenhuma Esquis permitem reboque por tratores
Vida útil estimada Até 10 anos Indefinida (base realocável)
Destino final Soterradas ou destruídas Realocada 23 km em 2017

A operação que rebocou a base científica por 23 km sobre o gelo antártico em 2017

Em 2012, uma fissura glacial que havia permanecido dormente por décadas começou a se movimentar em direção à estação, com risco de isolar a Halley VI em um iceberg à deriva no Mar de Weddell. O BAS planejou a realocação ao longo de três anos, com levantamento científico e preparações logísticas iniciadas no verão austral de 2015 – 2016.

No verão seguinte, os 8 módulos foram desacoplados e rebocados individualmente por tratores pesados ao longo de 23 quilômetros sobre a superfície de gelo, em uma operação que levou 13 semanas. O canal Deconstructed, com mais de 342 mil inscritos, produziu uma análise com animações 3D do mecanismo hidráulico, da história das cinco bases destruídas e dos detalhes da realocação, incluindo os sistemas de energia e o que a base representa para a engenharia espacial futura:

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O que a base científica pesquisa na Brunt Ice Shelf que justifica estar lá?

A localização da Halley VI não é arbitrária. A base está posicionada diretamente sob o cinto de radiação de Van Allen, ideal para monitorar tempestades geomagnéticas e o clima espacial. Foi em Halley que cientistas do BAS descobriram o buraco na camada de ozônio em 1985, publicado na revista Nature, em uma das descobertas mais importantes do século XX.

A base opera com até 52 pessoas no verão austral e 16 no inverno, quando a temperatura cai a -56 °C e o sol não aparece por até 100 dias. Conforme reportado pela Revista FAPESP, uma nova crevasse com 7 quilômetros de extensão foi detectada nas proximidades em 2024, levando o BAS a iniciar preparações para uma segunda realocação completa.

A Halley VI está fazendo o que nenhuma base polar anterior conseguiu

A infraestrutura projetada por Broughton e AECOM está cumprindo exatamente o que foi prometido em 2004: a cada nova ameaça glaciológica, a Halley VI responde com o que nenhuma das cinco versões anteriores tinha disponível. A solução não foi construir mais forte. Foi construir para se mover.

O que torna a Halley VI notável não é apenas a engenharia das pernas hidráulicas, mas a mudança de paradigma que ela representa: uma infraestrutura científica permanente que aceita a dinâmica do ambiente em vez de resistir a ela. É o mesmo princípio que pesquisadores já discutem para habitats na Lua e em Marte, onde o terreno também é incontrolável.

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