O dólar comercial recuou nesta segunda-feira (13) e voltou a operar abaixo de R$ 5,00, atingindo o menor patamar em cerca de dois anos, enquanto o Ibovespa renovou seu recorde intradia e superou pela primeira vez a marca de 198 mil pontos. A moeda norte-americana chegou a abrir o dia em alta, mas perdeu força ao longo da sessão e passou a registrar queda, refletindo fatores externos e fluxo favorável para ativos brasileiros.
Na bolsa, o movimento também foi positivo. Por volta das 16h (horário de Brasília), o Ibovespa — principal índice do mercado acionário brasileiro — subia 0,33%, aos 197.964,48 pontos, após atingir a máxima de 198.063,02 pontos. O avanço foi puxado principalmente pelas blue chips Vale (VALE3) e Petrobras (PETR3; PETR4), além do viés positivo observado em Wall Street.
No câmbio, a movimentação ocorre em meio a uma realocação global de capital fora dos Estados Unidos. Segundo o economista-chefe da Avenue, William Castro Alves, parte desse movimento está associada à percepção de risco em torno das políticas adotadas pelo presidente americano Donald Trump e ao reposicionamento de investidores em diferentes mercados.
“O primeiro ponto é que teve um rearranjo, especialmente tático, de realocação de capital global, que fez com que o dólar sofresse não só contra o real, mas contra diversas outras moedas”, afirmou o economista.
Nos últimos meses, o índice que mede a força do dólar frente a uma cesta de moedas apresentou desvalorização relevante, refletindo esse processo de redistribuição de recursos no mercado internacional. Contra o real, o movimento foi ainda mais intenso, ampliado pela entrada de capital estrangeiro no país.
Outro fator que contribuiu para a valorização da moeda brasileira no curto prazo foi a mudança de percepção de risco no cenário geopolítico. A expectativa de um possível cessar-fogo no conflito envolvendo o Irã trouxe maior disposição dos investidores a assumir risco, favorecendo ativos de países emergentes.
“Essa perspectiva de que a gente vai alcançar um acordo também ajudou o real”, destacou Castro Alves.
Além do ambiente externo, o Brasil também tem se beneficiado de características específicas da economia doméstica. O país é um exportador relevante de commodities, o que tende a favorecer a balança comercial em momentos de tensão global nos mercados de energia e matérias-primas.
Ao mesmo tempo, o diferencial de juros continua sendo um fator relevante para atrair recursos estrangeiros. A taxa Selic próxima de 15% coloca o Brasil entre os mercados com maior retorno nominal entre os emergentes, o que estimula operações de carry trade e aumenta o fluxo para ativos locais.
De acordo com o economista da Avenue, esse cenário tem levado investidores internacionais a buscar oportunidades tanto na renda fixa quanto na bolsa brasileira, especialmente após a desvalorização do real registrada no final de 2024.
“Fora isso, até mais do que a bolsa, a taxa Selic próxima a 15% é um valor muito acima daquilo que os emergentes oferecem”, explicou.
Apesar do cenário favorável no curto prazo para o câmbio e para a bolsa, o especialista alerta que persistem fragilidades estruturais na economia brasileira. Entre elas, estão o elevado déficit nominal do setor público, a dinâmica da dívida e a inflação implícita ainda elevada.
Segundo Castro Alves, esses fatores podem limitar uma valorização mais consistente da moeda brasileira no médio prazo e exigem cautela por parte dos investidores ao avaliar o cenário econômico do país.












