BM&C NEWS
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • COLUNA
  • MERCADOS
Sem resultado
Veja todos os resultados
  • 🔴 AO VIVO
  • MERCADOS
  • COLUNA
  • MERCADOS
Sem resultado
Veja todos os resultados
BM&C NEWS
Sem resultado
Veja todos os resultados

Trump e Netanyahu: a vitória que nunca veio

Marcus Vinícius de FreitasPor Marcus Vinícius de Freitas
09/04/2026

Há guerras que se vencem no campo de batalha. Outras, mais complexas, se definem na esfera política, econômica e simbólica. O confronto envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã pertence claramente à segunda categoria. E, sob essa perspectiva, a conclusão é inevitável: Donald Trump — ao lado de Benjamin Netanyahu — emerge como o grande perdedor.

Tratou-se de uma guerra de escolha, não de necessidade. Um conflito assimétrico no qual, paradoxalmente, o lado mais fraco conseguiu extrair ganhos estratégicos relevantes, enquanto o mais forte viu sua credibilidade ser corroída.

Leia Mais

recuo de trump

Trump recua e desiste de cobrar taxa de 20% sobre cargas no Estreito de Ormuz

14 de julho de 2026
Foto: Gerada por IA

O Pedágio de Trump em Ormuz

14 de julho de 2026

O primeiro desses ganhos foi expor, de forma quase didática, a lógica que sustenta o governo de Netanyahu: a guerra permanente como instrumento de sobrevivência política e afirmação regional. Ao buscar consolidar Israel como potência hegemônica no Oriente Médio, multiplicaram-se frentes de conflito, acompanhadas por acusações cada vez mais frequentes — e hoje amplamente reconhecidas — de violações graves do direito internacional humanitário. O resultado não foi segurança, mas instabilidade ampliada.

Paradoxalmente, essa estratégia produziu um efeito ainda mais perverso: contribuiu para o recrudescimento do antissemitismo global. Ao confundir deliberadamente Estado e identidade religiosa, abriu-se espaço para uma reação difusa e perigosa, que termina por vitimar precisamente aqueles que se pretendia proteger. Israel, concebido como refúgio seguro, transforma-se, assim, em um espaço de crescente vulnerabilidade.

Isso não significa, contudo, ignorar que a degradação das normas internacionais foi transversal. Ao longo do conflito, acumularam-se alegações consistentes de condutas configuráveis como crimes de guerra por diferentes atores. Operações militares com impacto desproporcional sobre civis, ataques a infraestruturas críticas e ações que desafiam os princípios de distinção e proporcionalidade passaram a fazer parte do repertório estratégico. O mais grave não é apenas a ocorrência desses atos, mas a sua progressiva banalização — um sinal inequívoco da erosão das bases normativas que sustentam a ordem internacional contemporânea.

Do lado norte-americano, a guerra revelou uma verdade incômoda: a função prioritária dos Estados Unidos não é a proteção de seus aliados árabes, mas a salvaguarda estratégica de Israel. Durante décadas, países do Golfo sustentaram a presença militar americana como garantia de segurança frente ao Irã. No entanto, o comportamento iraniano no conflito — concentrando-se em alvos militares específicos, sem expandir a guerra contra esses países — expôs os limites desse argumento.

Mais ainda: ao demonstrar capacidade de interferir diretamente no fluxo energético global, o Irã reposicionou-se como ator central. A crise no Estreito de Ormuz revelou que o poder militar norte-americano não é suficiente para garantir estabilidade econômica.

Nesse contexto, acelera-se um processo silencioso, mas profundo: a desdolarização paulatina do mercado energético. Ao incentivar transações em yuan e outras moedas, Teerã contribui para enfraquecer um dos pilares centrais do poder global dos Estados Unidos — o domínio do dólar.

Simultaneamente, os países do Golfo começam a rever seus compromissos estratégicos. Ao sugerir que o petróleo americano poderia substituir o da região, Trump não apenas cometeu um erro de cálculo — revelou uma disposição implícita de concorrência. A mensagem foi clara: Washington não é apenas protetor, mas potencial rival.

Nesse ponto, ressoa com particular força a frase atribuída a Henry Kissinger: ser inimigo dos Estados Unidos pode ser perigoso; ser seu amigo pode ser fatal.

O Irã, por sua vez, saiu do conflito enfraquecido militarmente, mas fortalecido politicamente. Diferentemente de outros regimes, demonstrou uma resiliência ancorada em história, identidade e coesão social. A lição é antiga, mas frequentemente ignorada: culturas políticas densas resistem onde estruturas frágeis colapsam.

As sanções, mais uma vez, mostraram seus limites. Longe de provocar mudança de regime, tendem a reforçar narrativas de cerco externo, legitimando internamente aqueles que deveriam enfraquecer.

Os europeus, como tantas vezes na história recente, ocupam o papel mais desconfortável: o de aliados subordinados. Dependentes de energia externa, enfrentarão o aumento dos custos e a persistência de uma estagnação econômica que a guerra apenas agrava. Mas, ao menos desta vez, tiveram a dignidade de não se alinhar automaticamente a Washington para romper com o Direito Internacional.

Ao final, o que se observa não é a vitória de um lado, mas a erosão da ordem internacional. Os Estados Unidos demonstraram limites. Israel aprofundou seu isolamento. E o Irã, mesmo sob pressão extrema, reposicionou-se como ator incontornável.

Trump pretendia afirmar poder. Terminou por revelar fragilidade. E, em política internacional, raramente há derrota mais contundente do que essa.

*Coluna escrita por Marcus Vinícius de Freitas, professor visitante na China Foreign Affairs University, e Senior Fellow no Policy Center for the New South. Tem vasta experiência em relações internacionais e é colunista da BM&C News.

*As opiniões transmitidas pelo colunista são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

*Leia mais colunas do autor clicando aqui. 

Foto: Gerada por IA

Foto: Gerada por IA

Leia

Warsh defende independência do Fed e reage a possível pressão de Trump

Ouro sobe 1,6% após inflação dos EUA aliviar pressão por juros

Trump recua e desiste de cobrar taxa de 20% sobre cargas no Estreito de Ormuz

recuo de trump
INTERNACIONAL

Trump recua e desiste de cobrar taxa de 20% sobre cargas no Estreito de Ormuz

14 de julho de 2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (14) que desistiu de cobrar uma taxa de 20% sobre...

Leia maisDetails
DONALD TRUMP
INTERNACIONAL

Trump eleva tom contra Irã e promete novos ataques

13 de julho de 2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (13) que o Irã será “duramente atingido” nos próximos dias,...

Leia maisDetails
Kevin Warsh (Foto: Bloomberg)
ECONOMIA

Warsh defende independência do Fed e reage a possível pressão de Trump

14 de julho de 2026
Esqueça o ferro, pois este elemento de número atômico 79 funde a 1.064°C e possui uma densidade de 19,3 gramas por centímetro cubic na natureza
ECONOMIA

Ouro sobe 1,6% após inflação dos EUA aliviar pressão por juros

14 de julho de 2026
recuo de trump
INTERNACIONAL

Trump recua e desiste de cobrar taxa de 20% sobre cargas no Estreito de Ormuz

14 de julho de 2026
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
ECONOMIA

Safra de grãos deve alcançar 360,1 milhões de toneladas, estima Conab

14 de julho de 2026

Leia Mais

Kevin Warsh (Foto: Bloomberg)

Warsh defende independência do Fed e reage a possível pressão de Trump

14 de julho de 2026

O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmou nesta terça-feira (14) que seguirá cumprindo seu papel à frente do banco...

Esqueça o ferro, pois este elemento de número atômico 79 funde a 1.064°C e possui uma densidade de 19,3 gramas por centímetro cubic na natureza

Ouro sobe 1,6% após inflação dos EUA aliviar pressão por juros

14 de julho de 2026

O ouro encerrou a sessão desta terça-feira (14) em alta, impulsionado por dados de inflação mais fracos nos Estados Unidos,...

recuo de trump

Trump recua e desiste de cobrar taxa de 20% sobre cargas no Estreito de Ormuz

14 de julho de 2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta terça-feira (14) que desistiu de cobrar uma taxa de 20% sobre...

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Safra de grãos deve alcançar 360,1 milhões de toneladas, estima Conab

14 de julho de 2026

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) ajustou a estimativa para a safra de grãos 2025/26. No levantamento divulgado nesta terça-feira (14), o...

Foto: Reprodução BM&C NEWS

Casas Bahia retoma foco no varejo e amplia crediário digital

14 de julho de 2026

O Grupo Casas Bahia concentrou seu processo de transformação nas atividades que historicamente sustentaram a operação, como lojas físicas, crediário,...

Etanol

Conselho eleva de 30% para 32% teor de etanol na gasolina por 180 dias

14 de julho de 2026

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira (14), o aumento temporário de 30% para 32% no teor obrigatório...

Foto: Reprodução BM&C NEWS

Stablecoins ampliam uso do dólar e avançam no sistema financeiro

14 de julho de 2026

As stablecoins estão ampliando as formas de acesso e movimentação do dólar ao combinar a estabilidade de uma moeda tradicional...

PETRÓLEO NO CENTRO DA TENSÃO ENTRE EUA E IRÃ

Petróleo supera US$ 86 com nova escalada entre Estados Unidos e Irã

14 de julho de 2026

O mercado internacional de petróleo voltou a operar em alta após a retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã....

lula

Petróleo, tarifas e Congresso ampliam pressão sobre o governo Lula

14 de julho de 2026

O aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã adicionou uma nova fonte de incerteza para a economia brasileira. Ao...

ESTADOS UNIDOS

CPI dos EUA recua 0,4% em junho, maior queda mensal desde 2020

14 de julho de 2026

Foto: Gerada por IA O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, conhecido como CPI, recuou 0,4% em junho,...

Veja mais

Quem somos

A BM&C News é um canal multiplataforma especializado em economia, mercado financeiro, política e negócios. Produz conteúdo jornalístico ao vivo e sob demanda para TV, YouTube e portal digital, com foco em investidores e executivos.

São Paulo – Brasil

Onde assistir

Claro TV+ – canal 547
Vivo TV+ – canal 579
Oi TV – canal 172
Samsung TV Plus – canal 2053
Pluto TV

Contato

Redação:
[email protected]

Comercial:
[email protected]

Anuncie na BM&C News

A BM&C News conecta marcas a milhões de investidores através de TV, YouTube e plataformas digitais.

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.

Sem resultado
Veja todos os resultados
  • AGENDAS BM&C
    • BRASIL PRODUTIVO
      • Mercado de Capitais
      • Inovação travada
    • CONTA BRASIL
      • Combustível Brasil
    • BRASIL QUE INOVA
    • BRASIL QUE EMPREENDE
  • MERCADOS
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • ELEIÇÕES 2026
  • EMPRESAS E NEGÓCIOS
  • CASO MASTER
  • PETRÓLEO E ENERGIA
  • INTERNACIONAL
  • PROGRAMAS BM&C
    • BM&C BUSINESS
    • BM&C STRIKE
    • BM&C TALKS
    • BM&C VISÕES
    • CONEXÃO SEGURA
    • GLOBAL WALLET
    • LEADERS CONNECTION
    • MANHATTAN CONNECTION
    • MANIFESTE-SE
    • MERCADO & BEYOND
    • MONEY REPORT
    • PAINEL BM&C
    • PAPO DE DINHEIRO
    • REPCAST
    • ROTA FÁCIL
    • SMART MONEY
    • WALL STREET CAST
  • CANNES LIONS
  • BRAZILIAN WEEK 2026
  • OPINIÃO
    • ALUIZIO FALCÃO FILHO
    • BRUNO CORANO
    • ESTEVÃO SECCATTO
    • FABIO ONGARO
    • FABRIZIO GUERATTO
    • FRANCISCO ALVES
    • MARCO SARAVALLE
    • MARCUS VINÍCIUS DE FREITAS
    • MIGUEL DAOUD
    • RENATO BATISTA
    • RUI DAS NEVES
    • VANDYCK SILVEIRA

COPYRIGHT © 2026 BM&C News. Todos os direitos reservados.