O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu ministros nesta terça-feira (31), no Palácio do Planalto, e anunciou a saída de ao menos 18 titulares da Esplanada que devem disputar as eleições de 2026. As mudanças devem ser confirmadas até o fim desta semana.
Durante o encontro com os integrantes do governo, Lula afirmou que parte dos ministros já comunicou formalmente a decisão de deixar os cargos.
“Pelo menos 14 companheiros já comunicaram que vão deixar o governo a partir de hoje, mais quatro vão anunciar daqui a pouco, e talvez mais alguns porque até quinta-feira à noite é tempo de me avisar”, disse o presidente.
A movimentação representa a maior troca de ministros por motivo eleitoral em um único momento desde a redemocratização. Na última desincompatibilização, em março de 2022, dez ministros deixaram o governo de Jair Bolsonaro para disputar eleições.
A legislação eleitoral determina que ocupantes de cargos públicos que pretendem concorrer precisam se afastar das funções até seis meses antes do pleito. Em 2026, o prazo final termina no próximo sábado, 4 de abril.
Ministros de Lula saem para eleições e deixam cargos
Entre os principais nomes que deixam a Esplanada está o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que já havia anunciado no dia 19 a saída do cargo para disputar o governo de São Paulo. O posto passou a ser ocupado por Dario Durigan, então secretário-executivo da pasta.
Na Casa Civil, Rui Costa deixará o governo para disputar uma vaga no Senado pela Bahia. A função passa a ser exercida pela secretária-executiva Miriam Belchior.
Outro movimento relevante envolve o vice-presidente Geraldo Alckmin, que deixa o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para se tornar pré-candidato à vice-presidência na próxima eleição.
No Ministério da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro também deixa o cargo para disputar o Senado por Mato Grosso.
A pasta deve ser assumida por André de Paula, que atualmente estava à frente do Ministério da Pesca e Aquicultura.
Ministros que permanecem no governo
Apesar da ampla reforma na Esplanada, alguns ministros permanecem em seus cargos.
É o caso de Jorge Messias, na Advocacia-Geral da União; Mauro Vieira, no Ministério das Relações Exteriores; Alexandre Padilha, na Saúde; Sidônio Palmeira, na Secretaria de Comunicação Social; Guilherme Boulos, na Secretaria-Geral da Presidência; e Wolney Queiroz, na Previdência Social.
No caso da AGU, Jorge Messias permanece no cargo ao menos até a conclusão da sabatina no Senado para a vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Caso seja aprovado, Lula terá de indicar um substituto para o comando da instituição.
Mudanças devem impactar articulação política
A saída simultânea de diversos ministros abre espaço para uma nova reorganização política dentro do governo, com substituições interinas e nomeações que podem alterar o equilíbrio de forças entre partidos da base.
Além da necessidade de cumprir a legislação eleitoral, a movimentação também deve influenciar as estratégias partidárias para as eleições de 2026, especialmente nas disputas por governos estaduais, Senado e Câmara dos Deputados.














