O Grupo Pão de Açúcar (GPA) protocolou pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de renegociar aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais. A informação foi confirmada em fato relevante divulgado pela companhia nesta terça-feira (10).
Segundo a empresa, o plano abrange obrigações financeiras sem garantia que não fazem parte das despesas correntes ou operacionais do negócio.
De acordo com o presidente do GPA, Alexandre Santoro, a iniciativa faz parte de um processo de reorganização do perfil de endividamento da companhia, sem impacto direto nas atividades do varejo.
“A operação segue funcionando normalmente. Essa medida é o início de um processo de reestruturação das nossas dívidas não operacionais”, afirmou o executivo.
Recuperação extrajudicial do GPA: Plano já tem adesão de parte dos credores
A recuperação extrajudicial do GPA já conta com a adesão de 46% dos credores. Para que o acordo seja homologado judicialmente, é necessário alcançar o apoio de 50% mais um dos credores envolvidos no processo.
Com o protocolo do pedido, a companhia terá um período de 90 dias para avançar nas negociações e definir as condições finais da reestruturação financeira. Durante esse prazo, as obrigações relacionadas aos credores incluídos no plano ficam suspensas.
Dívidas não envolvem despesas operacionais
A companhia destacou que a recuperação extrajudicial do GPA não envolve compromissos ligados à operação do negócio.
Entre os itens que não fazem parte do processo estão:
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pagamento a fornecedores;
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aluguel de lojas;
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salários de colaboradores;
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passivos trabalhistas;
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obrigações tributárias.
Segundo o diretor financeiro da empresa, Pedro Albuquerque, essas obrigações continuam sendo tratadas normalmente pela companhia.
O executivo também afirmou que o processo não tem relação com discussões anteriores envolvendo a operação do Assaí.
Conselho aprovou medida por unanimidade
A decisão de protocolar o pedido foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração da companhia.
O colegiado reúne acionistas que representam aproximadamente 70% das ações do GPA, segundo informou o CEO.
Santoro assumiu o comando da empresa há cerca de dois meses e afirmou que a reorganização do passivo faz parte da agenda de reestruturação da companhia.
Recuperação extrajudicial do GPA: vencimentos de curto prazo pressionam caixa
Segundo o CFO, Pedro Albuquerque, parte relevante do passivo incluído no plano possui vencimentos de curto prazo.
Entre os compromissos financeiros estão:
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cerca de R$ 500 milhões com vencimento em maio;
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entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão com vencimento em julho;
A renegociação busca reorganizar esses vencimentos e alongar o perfil da dívida da empresa.
Situação financeira do GPA
No último balanço divulgado pela companhia, o GPA informou que a dívida líquida somou R$ 2 bilhões ao final de 2025, considerando também os recebíveis de cartão de crédito que não foram antecipados.
O valor representa um aumento de R$ 729 milhões em relação ao fim de 2024, refletindo a pressão financeira enfrentada pela companhia nos últimos períodos.













