A escalada militar no Oriente Médio abriu a semana com forte reação no mercado internacional de energia e elevou a atenção dos investidores para o comportamento das commodities. Os preços globais do petróleo subiram após ataques lançados pelo Irã em resposta ao bombardeio realizado por Estados Unidos e Israel contra o país.
O petróleo Brent, referência internacional, chegou a subir cerca de 10% na abertura dos mercados asiáticos nesta segunda-feira (2), superando US$ 82 por barril. Ao longo da manhã, as cotações reduziram parte do avanço, mas analistas alertam que o comportamento da commodity dependerá diretamente da evolução do conflito.
A reação inicial ocorreu depois de relatos de que pelo menos três navios foram atacados próximo ao Estreito de Ormuz no fim de semana. A via marítima, localizada ao sul do território iraniano, concentra aproximadamente 20% do fluxo global de petróleo e gás. O Irã chegou a alertar embarcações para não cruzarem a região, praticamente paralisando o tráfego na entrada do estreito.
Segundo especialistas internacionais do setor energético, o mercado ainda não precifica uma crise de abastecimento, mas permanece extremamente sensível a qualquer interrupção logística. A avaliação predominante é que, até agora, a infraestrutura de produção não foi o alvo principal das operações militares. Caso o transporte marítimo seja normalizado, a tendência seria de acomodação dos preços; porém, um conflito prolongado poderia provocar uma nova escalada.
Mesmo com a tensão, produtores tentam reduzir o impacto. O grupo Opep+ decidiu no domingo elevar a produção em 206 mil barris por dia, numa tentativa de amortecer eventuais pressões adicionais sobre as cotações.
Geopolítica domina início de março
Para Francisco Alves, apresentador do Pré-Market e operador de mercado, o cenário internacional será o principal vetor de volatilidade nos próximos dias.
Ele afirma que os desdobramentos militares entre Estados Unidos, Israel e Irã poderão se intensificar, com possibilidade de respostas do Irã contra países vizinhos no Oriente Médio, elevando o nível de tensão global.
O operador destaca ainda que outros focos permanecem no radar dos investidores, como a guerra entre Rússia e Ucrânia e o relacionamento entre Estados Unidos e Cuba. Na avaliação dele, o ambiente político internacional neste início de março é complexo e tende a influenciar diretamente a formação de preços de ativos.
Segundo Alves, os mercados devem reagir principalmente ao comportamento do petróleo e de outras commodities, incluindo ouro, prata, cobre e minério de ferro, tradicionalmente sensíveis a choques geopolíticos.
Dados americanos e balanços corporativos
Nos Estados Unidos, a atenção se volta ao mercado de trabalho. A quarta-feira terá dados de emprego privado da ADP, na quinta-feira saem os pedidos semanais de seguro-desemprego e, na sexta-feira, o payroll. O Federal Reserve também divulga o Livro Bege, relatório que resume as condições econômicas do país.
O mercado acompanhará ainda resultados corporativos relevantes, como Broadcom, Target, Costco e Macy’s, além de indicadores ligados ao setor de inteligência artificial e consumo.
No Brasil, o destaque corporativo será a divulgação do balanço da Petrobras na quinta-feira, em uma semana na qual a própria commodity deve ser o principal determinante do humor dos investidores.
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