O Exército Brasileiro está na vanguarda da transformação militar com o VBCC Guarani, um blindado sobre rodas que promete mudar a forma como se combate em cenários urbanos e de guerra assimétrica. Equipado com radar AESA de última geração e sistema Hunter-Killer, ele é capaz de detectar alvos através de obstáculos e engajá-los com precisão cirúrgica. Mais rápido e tecnológico que os antigos tanques, o Guarani representa o futuro da cavalaria mecanizada.
O que é o VBCC Guarani e por que ele é tão avançado?
O VBCC Guarani é um Veículo Blindado de Combate sobre Rodas desenvolvido pelo Exército Brasileiro em parceria com a Iveco e a Elbit. Com configuração 8×8, ele pesa entre 24 e 32 toneladas e atinge 100 km/h em estrada, graças ao motor Cursor 13 de 520 cavalos. Sua autonomia chega a 800 quilômetros, e a proteção modular segue o padrão STANAG 4569 nível 2, com capacidade de suportar disparos de 30 mm na frontal.
O verdadeiro diferencial está nos sistemas de consciência situacional. O veículo conta com radar AESA integrado ao computador de tiro ROD13, que rastreia alvos automaticamente com base em velocidade angular e distância. O telêmetro laser georreferenciado trabalha em rede com o Sistema de Controle de Combate (SC2), permitindo que a tripulação tenha uma visão 360° do campo de batalha em tempo real.

Como funciona o radar que “vê” através de paredes?
A capacidade de “ver” através de paredes não é ficção científica. O radar UWB (Ultra-Wide Band Ground Penetrating Radar) é uma tecnologia testada pela DARPA que detecta movimentos e silhuetas a até 20 metros de distância, mesmo atrás de alvenaria. Embora o Guarani padrão foque no radar AESA para alvos a longa distância, variantes de combate urbano (CQB) podem ser equipadas com esse sistema, permitindo identificar inimigos escondidos em edificações antes mesmo de a infantaria desembarcar.
O modo Hunter-Killer é outra inovação: enquanto o comandante (Hunter) varre o terreno com o radar e identifica ameaças, o atirador (Killer) engaja alvos simultâneos com o canhão de 30 mm ou os mísseis anticarro MSS 1B1C. O sistema permite que o canhão se mova independentemente da torre, mantendo o foco em um alvo enquanto o comandante já busca o próximo.

Qual é a doutrina de emprego do Guarani no Exército Brasileiro?
A doutrina militar brasileira está migrando do conceito de tanques pesados para o de manobra blindada rápida. O Guarani opera em Grupos de Combate (VBC Cav + VBR LR) com foco em infiltração, fogo supressivo e desengajamento veloz. Enquanto um Leopard 1 atinge 65 km/h e exige pontes reforçadas para cruzar obstáculos, o Guarani faz 100 km/h e transpõe rios com até 1,2 metro de profundidade.
O Sistema de Controle de Combate digital (SC2) permite que todos os veículos da esquadra compartilhem imagens de radar, dados de alvos e coordenadas GNSS em tempo real. Algoritmos de inteligência artificial auxiliam na classificação de ameaças, reduzindo o tempo entre detecção e engajamento. Essa consciência situacional compartilhada é o que torna o Guarani letal em cenários de guerra assimétrica e combate urbano.
| Característica | VBCC Guarani | Tanque Leopard 1 |
|---|---|---|
| Velocidade máxima | 100 km/h | 65 km/h |
| Mobilidade | 8×8 sobre rodas, atravessa pontes leves | Lagartas, exigem pontes pesadas |
| Sensores | Radar AESA, Hunter-Killer, SC2 digital | Visão ótica básica |
| Proteção | Modular STANAG 4569 Lv2 + IED | Blindagem pesada, porém fixa |
| Custo operacional | Baixa manutenção (rodas) | Alto (lagartas e motor) |
| Doutrina | Manobra rápida, guerra urbana | Batalha campal convencional |

Quais as vantagens do sistema digital Hunter-Killer?
O sistema Hunter-Killer é o coração da superioridade tática do Guarani. Enquanto o comandante utiliza o radar e o telêmetro laser para identificar alvos a mais de 5 quilômetros, o atirador já está engajando outro ponto com o canhão de 30 mm. A torre possui estabilização eletrônica que permite disparos em movimento, mesmo em terrenos acidentados.
- Aquisição automática de alvos: O radar AESA rastreia múltiplos alvos simultaneamente e prioriza ameaças com base em velocidade e proximidade.
- Transferência instantânea: O comandante pode designar um alvo para o atirador com um clique, enquanto mantém a varredura do campo.
- Mira georreferenciada: O sistema integra dados GNSS e inerciais, garantindo precisão mesmo sem sinal de satélite.
- Bloqueador de IED: O sistema ROA15 detecta e interfere em sinais de rádio usados para detonar artefatos explosivos improvisados.
- Visão noturna termal: Câmeras de alta resolução permitem operações 24 horas em qualquer condição climática.
Qual é o futuro do Guarani e seu impacto na guerra moderna?
O primeiro lote do Guarani está previsto para 2026, com potencial de exportação para países do Mercosul. O Exército Brasileiro já estuda a integração de drones de reconhecimento e radares UWB nas versões de combate urbano. A filosofia por trás do programa é clara: em vez de investir em tanques pesados e caros, aposta-se em mobilidade, inteligência digital e custo operacional reduzido.
O Guarani não substitui apenas os tanques Leopard; ele substitui uma filosofia de guerra. Ao combinar radar de última geração, mira inteligente e mobilidade sobre rodas, o Exército Brasileiro se prepara para os conflitos do século XXI, onde a informação vale mais que o peso do blindado. A era dos tanques pesados está com os dias contados.

