Em Gana, uma iniciativa inovadora está transformando a construção civil: um empresário local desenvolveu um método que mistura areia e plástico reciclado para criar blocos de construção. A solução, criada pela Nelplast Eco Ghana, utiliza 70% de areia e 30% de plástico reciclado na fabricação de blocos para paredes, oferecendo uma alternativa mais barata e sustentável ao cimento, mantendo a estrutura de concreto apenas nas bases e colunas.
Como funciona a mistura de 70% areia e 30% plástico reciclado nos blocos?
A composição dos blocos desenvolvidos pela Nelplast Eco Ghana é simples e objetiva: uma pasta formada por 70% de areia e 30% de plástico reciclado é moldada em blocos que substituem a alvenaria convencional. O plástico reciclado não é apenas um complemento, mas sim um componente essencial que altera a densidade e o comportamento do material, além de dar destinação a resíduos urbanos que antes iriam para aterros.
Importante destacar que o sistema não elimina totalmente o concreto. As bases e colunas das construções continuam sendo feitas com concreto tradicional, garantindo a estabilidade estrutural. Os blocos entram como vedação, ou seja, para formar as paredes, tornando a solução híbrida e viável do ponto de vista técnico.

Qual é o custo de uma casa feita com esses blocos em Gana?
O valor informado para uma casa construída com o sistema da Nelplast é de US$ 11.000. Esse número coloca o custo no centro do debate, pois mostra que a iniciativa não se resume a uma curiosidade ecológica, mas sim a uma alternativa concreta para enfrentar o déficit habitacional de 2 milhões de unidades em Gana.
O preço acessível é um dos principais atrativos, especialmente em um país onde a pressão por moradia digna é alta. A empresa aposta que, com escala, é possível reduzir ainda mais os custos e ampliar o acesso da população de baixa renda a casas construídas com materiais sustentáveis.
Como os blocos de plástico reciclado ajudam a reduzir o déficit habitacional?
A relação entre os blocos e o déficit habitacional é direta: ao oferecer uma opção de construção mais barata, a Nelplast Eco Ghana permite que mais famílias tenham acesso à moradia. Além disso, a velocidade de produção e montagem pode ser maior do que em obras convencionais, agilizando a entrega de conjuntos habitacionais.
O projeto também gera emprego e renda na cadeia de reciclagem, pois o plástico usado como matéria-prima precisa ser coletado, separado e processado. Isso cria um ciclo virtuoso que movimenta a economia local enquanto ataca dois problemas graves: a falta de moradia e o acúmulo de lixo plástico.

De que forma o projeto desvia resíduos urbanos dos aterros?
Gana gera cerca de 1 milhão de toneladas de resíduos plásticos por ano, e mais de 95% desse total não tem destinação adequada, indo parar em aterros ou no meio ambiente. A Nelplast Eco Ghana tem capacidade atual de processar 1.100 toneladas por ano, com planos de expansão. Embora ainda seja uma fração do total, a iniciativa já contribui para desviar parte desse material da rota do descarte.
Transformar plástico reciclado em insumo para construção valoriza o resíduo e estimula a coleta seletiva. Catadores e cooperativas passam a ter um mercado para o material que antes não tinha comprador, fortalecendo a cadeia de reciclagem e reduzindo o impacto ambiental.
| Característica | Bloco de plástico reciclado (Nelplast) | Bloco convencional (cimento) |
|---|---|---|
| Composição principal | 70% areia, 30% plástico reciclado | Cimento, areia, brita |
| Uso na construção | Vedação (paredes), com base e colunas de concreto | Estrutural e vedação |
| Custo aproximado por casa | US$ 11.000 | Variável, geralmente mais alto |
| Impacto ambiental | Reduz resíduo plástico e emissões | Alta emissão de CO2 na produção |
| Matéria-prima | Resíduo urbano (plástico reciclado) | Recursos naturais não renováveis |

Quais os limites e desafios para escalar a produção?
Apesar do potencial, a solução enfrenta desafios típicos de projetos inovadores. O principal é a escala de produção. Com capacidade atual de 1.100 toneladas por ano, a Nelplast ainda está longe de atender à demanda nacional. A expansão depende de investimento, logística de coleta de plástico e padronização do material, já que o plástico reciclado varia conforme a origem.
Outro ponto é a aceitação do mercado. Construtoras e compradores precisam confiar na durabilidade e segurança dos blocos. A empresa já demonstrou que eles atendem requisitos técnicos para vedação, mas a percepção pública leva tempo para mudar. Além disso, a manutenção de preços competitivos em larga escala exige eficiência produtiva e logística.
- Redução do déficit habitacional: Casas mais baratas ampliam o acesso à moradia digna para famílias de baixa renda.
- Gestão de resíduos plásticos: Cada tonelada de plástico reciclado usada nos blocos é uma tonelada a menos em aterros ou no meio ambiente.
- Geração de emprego: A cadeia de coleta, separação e processamento do plástico movimenta a economia local e formaliza catadores.
- Menor emissão de CO2: A produção de blocos com plástico reciclado emite menos gases de efeito estufa do que a fabricação de cimento.
- Inovação construtiva: O sistema híbrido (blocos de vedação + estrutura de concreto) pode ser replicado em outros países com problemas semelhantes.
A experiência da Nelplast Eco Ghana mostra que é possível unir solução habitacional e sustentabilidade com criatividade e engenharia. Os números são claros: US$ 11 mil por casa, déficit de 2 milhões de unidades e 1 milhão de toneladas de resíduos plásticos por ano. O caminho é promissor, mas depende de escala, investimento e confiança do mercado. Se você pudesse escolher, o que te faria confiar em uma casa feita com blocos de plástico reciclado: o preço, a durabilidade ou o impacto ambiental positivo?

