No programa BM&C Talks, apresentado por Carlo Cauti, o deputado federal Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PL-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, analisou os desafios da política externa do Brasil diante do cenário geopolítico internacional e afirmou que o país ainda não se adaptou às mudanças estruturais que ocorrem no mundo.
“A dinâmica econômica e de política internacional passa por transformação acelerada e o Brasil permanece preso a um modelo antigo de inserção internacional. Ela está mudando de uma forma que nós não estamos preparados”, avalia o presidente da Comissão.
O parlamentar avaliou que a estratégia brasileira ainda segue a lógica do século XX, baseada no multilateralismo e em negociações entre blocos, enquanto as grandes potências passaram a priorizar interesses diretos e relações estratégicas específicas. Para ele, essa postura reduz a capacidade de defesa de interesses nacionais.
“A gente ainda tá nesse molde do século passado.”, analisa.
Na visão do deputado, o país deveria concentrar esforços na proteção de suas instituições e na celebração de acordos bilaterais, em vez de depender prioritariamente de estruturas supranacionais. Ele argumentou que a diluição de poder decisório em organismos multilaterais pode enfraquecer a posição brasileira nas negociações internacionais.
“Se a gente não tá protegendo o que é nosso, nós estamos fragilizando ainda mais o Brasil”, afirmou o parlamentar.
O presidente da Comissão de Relações Exteriores também colocou a revisão da lei de migração como prioridade e relacionou o tema à segurança nacional e ao controle de fronteiras. Para ele, o Brasil ainda não possui instrumentos adequados para lidar com riscos associados ao crime organizado transnacional.
“A gente precisa ter um rigor muito mais claro na questão imigratória.”
Além disso, Luiz Philippe defendeu mudanças legais para ampliar a atuação das Forças Armadas, afirmando que atualmente existem limitações jurídicas que restringem ações em defesa territorial.
O deputado citou o caso mexicano como exemplo de deterioração institucional associada ao avanço do crime organizado e afirmou que o Brasil deveria agir preventivamente para não chegar a um cenário semelhante.
“Eu não quero chegar nessa situação em que temos que votar para uma intervenção”, disse.
Credibilidade internacional e Itamaraty
Ao abordar a diplomacia brasileira, o parlamentar disse ver perda de previsibilidade internacional e avaliou que a reputação externa do país não é rapidamente reconstruída após mudanças políticas internas.
Ele também afirmou que a condução da política externa no Brasil tem gerado insegurança em parceiros comerciais e estratégicos, que teriam dificuldade de projetar relações de longo prazo com o Brasil.
“O país já entrou num nível de desconfiança.”, afirmou.
O deputado defendeu separar acordos comerciais de alinhamentos políticos, argumentando que o país pode negociar economicamente com diferentes nações sem necessariamente aderir a posicionamentos ideológicos.
“Essa postura permitiria ampliar oportunidades econômicas e reduzir conflitos diplomáticos. O Brasil tem que ter parcerias com todo mundo”, analisou.
Mercosul e acordos internacionais
Ao comentar o Mercosul, Luiz Philippe afirmou que o bloco teria se afastado do objetivo original de livre comércio e passado a exercer função predominantemente política. Ele defendeu que acordos bilaterais seriam mais eficientes, pois permitiriam negociações específicas com cada país e menor risco de veto coletivo.
“O caminho correto seria tratar diretamente com cada país”, avalia o deputado.
Sobre os Estados Unidos, o deputado afirmou que Washington tende a buscar cooperação prática e cumprimento de interesses estratégicos, especialmente no combate ao narcotráfico e na estabilidade econômica regional.
“Enquanto o governo brasileiro atender as vontades do governo americano, não haverá intervenção”, pontuou.
Ainda assim, ele considerou inadequado o país depender de pressões externas para implementar políticas internas.
“É saudável pro Brasil atender os Estados Unidos, mas deveria ser por iniciativa própria.”
Além da política externa do Brasil: eleições e cenário político
Por fim, Luiz Philippe comentou o cenário político doméstico e afirmou acreditar em mudança de governo após as eleições de 2026, associando o debate de política externa ao ambiente institucional interno.
Segundo ele, o posicionamento internacional do Brasil está diretamente ligado às escolhas políticas internas e ao modelo de desenvolvimento adotado pelo país.
“A política externa reflete o rumo que o país decide seguir”, conclui.












