Onze países africanos uniram forças para construir a maior estrutura viva do planeta: uma faixa de árvores, pastagens e solos restaurados com 8 mil quilômetros de comprimento por 15 km de largura. A Grande Muralha Verde atravessa o continente de leste a oeste, do Senegal ao Djibuti, para conter o avanço do deserto do Saara. Quando concluída, será três vezes maior que a Grande Barreira de Coral e visível do espaço.
Qual é a escala da Grande Muralha Verde?
O projeto abrange uma área planejada de 8 mil km de comprimento e 15 km de largura, cruzando o Sahel, a região semiárida ao sul do Saara. Participam 11 países: Senegal, Mauritânia, Mali, Burkina Faso, Níger, Nigéria, Chade, Sudão, Eritreia, Etiópia e Djibuti. A iniciativa beneficia diretamente 250 milhões de pessoas que vivem em áreas de risco de fome e desertificação.
Se concluída, será a maior estrutura viva da Terra, superando em escala qualquer outra intervenção ambiental já feita pela humanidade. O potencial de visibilidade do espaço reforça seu simbolismo como uma “parede verde” contra o deserto.

Leia também: Adeus ao gesso: novo revestimento custa 40% menos, dispensa pintura e fica pronto em horas
Por que o projeto é necessário?
O Sahel é uma das regiões mais vulneráveis às mudanças climáticas. O avanço do deserto degrada solos, reduz a produtividade agrícola e força migrações. Cerca de 250 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar, e a tendência é de piora sem ações de larga escala.
A Grande Muralha Verde nasceu em 2007, lançada pela União Africana e gerida pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD). O objetivo é restaurar 100 milhões de hectares de terras degradadas até 2030, criando um cinturão de vida e oportunidades econômicas.

O que já foi feito até agora?
Os números oficiais mostram avanços importantes, mas a meta ainda está distante. A tabela abaixo resume o progresso:
Países como Etiópia restauraram 15 milhões de hectares, a Nigéria recuperou 5 milhões e o Sudão, 2 mil hectares. Mais de 120 comunidades no Burkina Faso, Mali e Níger participam ativamente do cinturão verde, segundo o relatório da ONU News.
Quais são os impactos esperados quando concluída?
A Grande Muralha Verde é mais que uma barreira física. Os benefícios projetados incluem:
- Absorção de 250 milhões de toneladas de CO₂, contribuindo para o equilíbrio climático global.
- Aumento da produtividade agrícola em 256 milhões de toneladas por ano.
- Geração de 10 milhões de empregos verdes em atividades como plantio, manejo florestal e ecoturismo.
- Segurança alimentar para milhões de pessoas que hoje vivem em áreas degradadas.
- Estímulo à paz e estabilidade regional, reduzindo conflitos por recursos naturais.
Desafios e o futuro da muralha
Apesar do entusiasmo, o projeto enfrenta obstáculos significativos:
- Coordenação entre os 11 países, cada um com prioridades e capacidades diferentes.
- Monitoramento eficaz do avanço, que ganhou um impulso com a nova plataforma Observatory.
- Conflitos armados na região do Sahel, que dificultam o trabalho de campo e desviam recursos.
- Riscos ambientais como secas prolongadas e pragas que podem comprometer o plantio.
- Financiamento contínuo apesar dos US$ 19 bilhões recentes, ainda distante do necessário.
O prazo de 2030 para restaurar 100 milhões de hectares é ambicioso, mas especialistas apontam que o ritmo precisa acelerar. A criação de parcerias público-privadas e o engajamento comunitário são vistos como caminhos para turbinar os resultados.
A Grande Muralha Verde carrega um simbolismo que transcende a ecologia. Ela representa a esperança de um continente que se levanta contra a degradação ambiental e a pobreza, usando a própria terra como ferramenta. Se conseguir cumprir sua promessa, será muito mais que uma faixa de árvores: será um modelo de resiliência para o mundo inteiro.

