O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central excepcionalmente nesta quarta-feira (18) trouxe uma melhora moderada nas expectativas de inflação, mas reforçou uma mensagem importante para o mercado financeiro: mesmo com IPCA menor, as projeções do Focus para a Selic continuam apontando juros elevados por um período prolongado.
Segundo o relatório, a estimativa de inflação para 2026 recuou para 3,95%, aproximando-se da meta contínua de 3% definida pelo Conselho Monetário Nacional. Ainda assim, o mercado não alterou sua visão sobre política monetária.
A taxa básica de juros foi mantida em 12,25% para 2026, enquanto as projeções indicam 10,50% em 2027, 10,00% em 2028 e 9,50% em 2029.
Na prática, o mercado entende que a queda da inflação não é suficiente para permitir um ciclo rápido de afrouxamento monetário.
Inflação melhora, mas não resolve o problema do Banco Central
Apesar da revisão do IPCA, a inflação segue acima do centro da meta e, principalmente, com convergência lenta. O relatório mostra que apenas em horizontes mais longos, 2028 e 2029, a inflação ficaria próxima do nível considerado confortável para a autoridade monetária.
Como a convergência ainda é gradual, o mercado interpreta que o Copom deve manter uma postura cautelosa.
Crescimento baixo e fiscal pressionam expectativas
O relatório também manteve as projeções de atividade econômica moderadas. O mercado prevê crescimento do PIB de 1,80% em 2026 e 2027 e 2,0% em 2028 e 2029, indicando um potencial de expansão limitado da economia brasileira.
Ao mesmo tempo, as contas públicas continuam sendo um fator de preocupação. As estimativas apontam:
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resultado primário negativo até 2029;
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dívida líquida elevada ao longo do horizonte de projeção;
Esse conjunto de fatores ajuda a explicar por que a queda da inflação não se traduz automaticamente em juros menores.
Câmbio também reforça cautela
Outro dado que chamou atenção foi a estabilidade do dólar. O Focus manteve a projeção de R$ 5,50 para 2026 e 2027, com leve alta para R$ 5,51 em 2029.
A ausência de apreciação relevante do real indica que o mercado ainda exige prêmio de risco para investir no país, o que também limita cortes mais agressivos na taxa de juros.
O que o Focus sinaliza para o mercado
O relatório desta semana trouxe uma leitura clara: a inflação está melhorando, mas a política monetária deve continuar restritiva.
Em outras palavras, o mercado não vê espaço para uma redução rápida dos juros, pois fatores estruturais, crescimento baixo, incerteza fiscal e câmbio pressionado, continuam presentes.
Assim, mesmo com IPCA abaixo de 4%, o cenário base segue sendo de juros altos por mais tempo, o que deve continuar influenciando decisões de investimento, crédito e atividade econômica ao longo dos próximos anos.












