A forte valorização recente do ouro recolocou o metal no centro do debate entre investidores. Afinal, trata-se de uma oportunidade ou de um ativo próximo do topo do ciclo? Esse foi o tema do programa Wall Street Cast, apresentado pelo economista Bruno Corano, com participação dos especialistas Danilo Santiago e Daniel Faria. A discussão partiu de uma dúvida comum entre investidores: o ouro é um investimento para ganho ou um instrumento de proteção?
Para Santiago, o investidor precisa primeiro entender a natureza do ativo.
“O ouro não está ali na carteira para você ganhar dinheiro. Ele funciona como um seguro em momentos de incerteza”, afirmou.
Vale a pena investir em ouro?
Durante o programa, os participantes explicaram que o valor histórico do ouro está ligado à limitação de oferta e ao seu papel monetário ao longo dos séculos.
Segundo os debatedores, reis e governos historicamente reduziram o conteúdo metálico das moedas para ampliar gastos, processo conhecido como “debasement”. O ouro surgiu justamente como um mecanismo de disciplina monetária, pois sua extração é limitada.
A ligação entre moedas e ouro foi institucionalizada no sistema internacional até o século XX e só terminou em 1971, quando os Estados Unidos abandonaram o padrão-ouro.
Ouro como proteção em tempos de crise
De acordo com Daniel Faria, o metal tende a subir quando aumenta a incerteza econômica.
“O ouro vira refúgio. Se você tiver ouro, você consegue negociar em praticamente qualquer lugar do mundo”, explicou.
Ele destacou que a demanda recente tem sido puxada principalmente por bancos centrais, especialmente após o congelamento de reservas internacionais da Rússia, episódio que aumentou a percepção de risco geopolítico.
“Os bancos centrais passaram a comprar mais ouro porque ele não depende de outro país. Diferente de títulos, ninguém pode bloquear”, disse.
O argumento contrário: preço elevado
Já Danilo Santiago demonstrou cautela com o momento atual do mercado. Segundo ele, o ouro pode estar próximo de um pico histórico em termos reais.
“O investidor precisa olhar preço ajustado pela inflação e custo de produção. O ouro está sendo negociado muito acima do custo de extração”, afirmou.
Ele explicou que, como outras commodities, o metal costuma se afastar do custo de produção em momentos de escassez ou medo, mas tende a retornar ao equilíbrio ao longo do tempo.
“Commodity geralmente tem disparadas de preço e depois volta. O ouro tem diferenças, mas continua sendo uma commodity”, pontuou.
Investimento ou proteção patrimonial
Outro ponto levantado no programa foi que o ouro não gera fluxo de caixa. diferentemente de ações ou títulos.
Santiago citou a lógica clássica de investidores fundamentalistas:
“Você compra uma empresa que gera caixa e crescimento. O ouro não produz nada. Ele apenas preserva valor”.
Nesse sentido, os especialistas concordaram que o metal pode fazer sentido dentro de uma carteira diversificada, mas não necessariamente como principal estratégia de retorno.
Afinal, vale a pena investir em ouro?
O consenso do debate foi que a resposta depende do objetivo do investidor.
O ouro pode atuar como proteção em cenários de crise, inflação ou incerteza geopolítica. Porém, quando o ambiente econômico se estabiliza, outros ativos tendem a oferecer melhor retorno.
Assim, mais do que apostar na valorização, o metal é visto por especialistas como um instrumento de defesa patrimonial, não como motor principal de crescimento da carteira.













