O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia hoje a reunião que vai definir os juros pelos próximos 45 dias. A expectativa é pela manutenção da taxa Selic em 15,00%, e o mercado aguarda que o comunicado traga uma sinalização mais clara sobre a possibilidade de início de um ciclo de cortes a partir de março.
De acordo com o relatório da XP, a maior parte dos indicadores relevantes para a decisão do Copom permaneceu praticamente inalterada em relação à reunião de dezembro, o que faz com que os membros do Comitê não estejam mais nem menos confiantes quanto à convergência da inflação para a meta de 3,0%.
Projeção de inflação mais próxima da meta: mais clareza para o Copom?
Segundo o Boletim Focus, a mediana das projeções para o IPCA ao final de 2026 caiu de 4,16% para 4,00%, enquanto a expectativa para o terceiro trimestre de 2027 recuou de 3,81% para 3,74%.
A inflação corrente também segue relativamente comportada, com o IPCA anualizado retornando ao intervalo de tolerância da meta.
Atividade e mercado de trabalho ainda pressionam
A desaceleração da atividade econômica tem sido gradual, enquanto os indicadores do mercado de trabalho seguem fortes. A taxa de desemprego permanece próxima das mínimas históricas, e o hiato do produto segue positivo, indicando que o PIB opera acima do seu nível potencial.
Esse conjunto de fatores limita uma sinalização mais explícita de afrouxamento monetário imediato, reforçando a estratégia do Banco Central de manter uma postura dependente dos dados.
Comunicação do Copom deve mudar o tom
Na avaliação da XP, uma das formas de o Copom abrir espaço para cortes em março será ajustar a linguagem do comunicado, reforçando a necessidade de manter uma política monetária contracionista, mas não mais “significativamente contracionista”, como vinha sendo indicado nas comunicações anteriores.
Ainda assim, o Comitê deve preservar um tom considerado hawkish, evitando criar a percepção de que o corte de juros em março já está garantido.
O cenário-base da casa considera que o Copom iniciará um ciclo de flexibilização monetária em março, com cinco cortes consecutivos de 0,50 ponto percentual, levando a Selic para 12,50%. Após esse movimento, a expectativa é de uma pausa para reavaliação no segundo semestre.
No entanto, a extensão do ciclo de cortes dependerá fundamentalmente do ambiente fiscal a partir de 2027.
Fiscal define até onde os juros podem cair
Segundo a XP, o espaço para uma redução mais profunda da taxa de juros está diretamente condicionado à implementação de reformas fiscais estruturais. Caso o ajuste fiscal seja insuficiente, o Banco Central terá pouco espaço para continuar cortando juros nos próximos anos.
No cenário-base, a casa projeta a Selic em 11,00% ao final de 2027, ainda acima do nível neutro real estimado, refletindo os desafios fiscais esperados no médio prazo.













