O caso Banco Master deixou de ser apenas uma investigação sobre possível fraude e passou a funcionar como um teste de limites institucionais, envolvendo Banco Central, Polícia Federal, FGC e o Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação é de Bruno Rizzi, analista político e sócio da Fatto Inteligência Política, em entrevista ao programa BM&C Strike.
Para Rizzi, quando o tema chega ao STF, ele ganha outra natureza.
“Quando um caso envolve banco, sistema financeiro, FGC, Banco Central e chega ao Supremo, ele deixa de ser apenas um inquérito e vira um teste: de limites, de autoridade, de legitimidade, teste de poder”, afirmou.
Ambiência e confluência ampliam o alcance do caso
Segundo o analista, há uma “ambiência” de investigações do caso Banco Master em linhas paralelas, com diferentes órgãos atuando simultaneamente.
“Não estamos falando de um limite específico de um órgão apenas, mas de vários poderes atuando ao mesmo tempo, cada um dentro do seu quadrado”, disse.
Rizzi também destacou a “confluência”, quando frentes distintas se cruzam e ampliam a complexidade.
“Alguns casos dentro de cada órgão acabam se cruzando e isso cria um cenário quase infinito para que as investigações sigam avançando”, avaliou.
Blindagem interna e desgaste institucional no STF
Sobre o STF, ele afirma que há uma tentativa de blindagem interna. Para ele, isso blinda a instituição da porta para dentro, mas por fora continua pegando fogo.
O analista citou ainda o atrito entre PF e STF na condução do caso, e o impasse entre as instituições sobre o tratamento das provas.
“Esse vai e vem de decisões só mancha a condução do processo e gera um desconforto institucional muito grande”, diss.
Na dimensão reputacional, Rizzi avalia que o desgaste já é coletivo.
“Hoje já respinga a todo o Supremo, não é mais um problema isolado de um ministro”, afirmou.
Caso Banco Master entra no radar político-eleitoral
No campo político, ele vê potencial eleitoral com o caso Banco Master. Se a CPMI avançar, segundo ele, isso vira elemento de campanha, assim como foi a CPI da Covid, disse, destacando que o caso atinge figuras do centrão.
Na esfera subnacional, o analista alerta para impactos sobre estruturas públicas.
“Em determinados casos, isso deixa de ser só financeiro e vira um problema de Estado”, afirmou, ao citar BRB e previdência estadual.
Para Rizzi, o principal agora é acompanhar os desdobramentos institucionais.
“O ponto central é entender até onde vão os limites das instituições e quais serão os efeitos políticos daqui para frente”, concluiu.













