A última semana de janeiro encerra o primeiro mês de 2026 com uma agenda carregada de eventos capazes de mexer com juros, câmbio e Bolsa no Brasil e no exterior. O grande destaque fica para a chamada Super Quarta, quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos decidem suas taxas de juros.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) define o rumo da taxa Selic. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve anuncia a decisão sobre os Fed Funds, seguida da coletiva de imprensa do presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, que deve ser o centro das atenções do mercado.
A expectativa em torno de Powell é ampliada pelo fato de que seu mandato se aproxima do fim, previsto para maio de 2026. O tema ganhou ainda mais relevância após declarações recentes do presidente americano, que passou a discutir publicamente possíveis nomes para a sucessão, aumentando o componente político sobre a condução futura da política monetária dos Estados Unidos.
Super Quarta no radar: Brasil concentra dados-chave de inflação, emprego e fiscal
A agenda brasileira também é intensa. Um dos principais destaques é o IPCA-15 de janeiro, considerado a principal prévia da inflação oficial do país e um termômetro relevante para as expectativas de curto prazo do Banco Central.
Outro indicador importante é o IGP-M de janeiro, índice utilizado como referência para reajustes de aluguéis e contratos, que ajuda a medir pressões inflacionárias em diferentes setores da economia.
No mercado de trabalho, os investidores acompanham os dados da PNAD Contínua, que traz a taxa de desemprego, e do Caged, que mostra a criação de vagas formais no país.
Além disso, entram no radar os números fiscais, com a divulgação do resultado do setor público consolidado de dezembro, além dos dados de dívida bruta e dívida líquida do governo, indicadores fundamentais para avaliar a sustentabilidade das contas públicas e o risco fiscal.
Fed, emprego e setor imobiliário no foco dos EUA
Nos Estados Unidos, além da decisão do Federal Reserve, a semana traz uma bateria de indicadores econômicos relevantes, com destaque para os dados de emprego e para os números do setor imobiliário, ambos considerados essenciais para calibrar as próximas decisões de política monetária.
A leitura desses dados é especialmente importante em um momento em que o mercado busca sinais mais claros sobre o ritmo de desaceleração da economia americana e o espaço para eventuais cortes de juros ao longo de 2026.
Balanços das “Sete Magníficas” elevam a volatilidade
A semana também será marcada pela divulgação de resultados de quatro das chamadas “Sete Magníficas”, grupo que reúne as maiores empresas de tecnologia do mundo.
Entre quarta e quinta-feira, publicam seus balanços:
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Microsoft (MSFT)
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Meta (META)
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Tesla (TSLA)
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Apple (AAPL)
Os números são acompanhados com atenção redobrada pelos investidores, especialmente em relação aos investimentos em inteligência artificial, ao ritmo de crescimento das receitas e, principalmente, aos guidances para os próximos trimestres.
Como essas empresas têm peso relevante nos principais índices globais, seus resultados podem influenciar diretamente o comportamento das bolsas internacionais.
Além da Super Quarta: Europa divulga PIBs do quarto trimestre
Na Europa, o destaque fica para os PIBs preliminares do quarto trimestre, com dados de economias centrais como Alemanha, França, Espanha, Itália e da própria Zona do Euro.
Os números ajudam a compor o cenário de atividade econômica do bloco e servem de base para as expectativas em relação às próximas decisões do Banco Central Europeu.
Semana define o tom para fevereiro
Na avaliação de Francisco Alves, apresentador do Pre-Market, trata-se de uma semana com potencial para redefinir o humor dos mercados no início de 2026. Com decisões de juros, dados de inflação, mercado de trabalho e balanços corporativos relevantes, o período concentra praticamente todos os principais vetores que influenciam os preços dos ativos financeiros.
“O mercado vai buscar sinalizações claras tanto do Fed quanto do Copom sobre o rumo da política monetária. Ao mesmo tempo, os dados de inflação e emprego ajudam a calibrar expectativas, enquanto os balanços das big techs devem ditar o ritmo da Bolsa no cenário global”, avalia.













