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Mercado brasileiro de bikes elétricas e autopropelidos pode crescer até 55% e atingir 83 mil unidades vendidas

Setor fatura R$ 511 milhões em 2024 mesmo com preço médio três vezes maior que bicicletas convencionais

Agência DC NewsPor Agência DC News
23/01/2026

O mercado brasileiro de bicicletas elétricas e autopropelidos deve crescer entre 42% e 55% em 2025, segundo projeções da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike) divulgadas no Boletim Aliança Bike 2025. O faturamento apenas com bicicletas elétricas de pedal assistido movimentou R$ 511 milhões em 2024, por isso a expectativa é alta para os números de 2025, focando na meta de 83,3 mil unidades vendidas. “O destaque são as mountain bikes elétricas, que têm um ritmo constante de crescimento”, afirmou Luiz Saldanha, coordenador geral da Aliança Bike. O desafio, no entanto, reside na infraestrutura das cidades.

Os números chamam a atenção: os autopropelidos (que utilizam acelerador e não exigem pedalada) atingiram 160 mil unidades em 2024 e responderam por aproximadamente 75% do mercado total de micromobilidade elétrica. O avanço consolidou um setor que saiu de 7,6 mil unidades em 2016 para cerca de 284 mil veículos elétricos leves em circulação no país em 2024, um crescimento de 3.637% na frota em menos de 10 anos. No último ano, o Brasil importou 26.333 unidades de bicicletas elétricas e autopropelidos conforme dados da Receita Federal processados pela Aliança Bike. Já a produção nacional no Polo Industrial de Manaus somou 19.147 unidades em 2024, segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).

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MUDANÇA DE PERFIL – A mudança mais significativa no mercado brasileiro foi a equiparação entre mountain bikes elétricas e modelos urbanos. As e-MTB (mountain bikes elétricas) alcançaram 50% do mercado em 2024, enquanto os modelos urbanos representam 48% e as bicicletas de estrada apenas 2%, conforme o boletim da Aliança Bike. A dominância das mountain bikes reflete uma tendência global. “Tem modificado também a forma de cicloturismo, de lazer, que as pessoas estão se sentindo mais à vontade para fazer”, disse Saldanha. O coordenador citou o exemplo do Caminho da Fé, tradicional rota de peregrinação no interior de São Paulo, onde ciclistas com e-MTB conseguem equalizar grupos com diferentes níveis de condicionamento físico. O preço médio das mountain bikes elétricas (R$ 14.041) é três vezes superior ao dos modelos urbanos (R$ 5.108), o que explica a diferença expressiva no faturamento do segmento.

Quem apostou nessa mudança de perfil foi Bernardo Omar, CEO da Bee, marca brasileira de veículos elétricos para diferentes públicos. Com mais de 25 anos trabalhando com importação de motocicletas para a clientela exigente do setor, o executivo viu nas mudanças forçadas pela pandemia uma oportunidade que o trouxe a um patamar de faturamento de R$ 50 milhões em 2024 com crescimento de 30% sobre o ano anterior. “As pessoas não queriam mais utilizar o transporte público. Todo mundo começou a buscar alguma solução de mobilidade individual”, disse Omar. A Bee desenvolve produtos a partir de chassis existentes na China, fazendo modificações para adequação ao uso brasileiro e à legislação local. “O brasileiro tem um jeito peculiar de usar esses veículos, então alguns reforços são interessantes”, afirmou. A especificidade brasileira até inspirou a produção de um chassi exclusivamente brasileiro e da Bee, mas o modelo ainda não tem previsão de chegar ao catálogo.

INFRAESTRUTURA INSUFICIENTE – A necessidade de investir em educação e convivência no trânsito, segundo executivos do setor, ainda encontra resistência institucional no Brasil. “Educação urbana precisa ser vista como responsabilidade de marca”, disse Omar, que relata oposição em órgãos públicos. A Polícia Militar de São Paulo, por exemplo, mantém posicionamento contrário aos micromodais, segundo o executivo, que já realizou palestras no Departamento de Trânsito da corporação. “Eles tratam como praga que atrapalha e causa acidentes”, afirmou. Para Omar, “o problema não é o veículo, mas a ausência de fiscalização e planejamento urbano”.

O diagnóstico dialoga com os dados de infraestrutura. Menos de 3% da malha viária das capitais brasileiras conta com ciclovias e ciclofaixas, segundo levantamento da Aliança Bike divulgado em dezembro de 2024. Fortaleza lidera com 8% de cobertura, enquanto a média nacional permanece abaixo de 3%. Estudo da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), realizado em 2024, indica que 29,4% dos usuários abandonaram o transporte público desde 2017, enquanto 27,5% reduziram a frequência — um movimento que pressiona alternativas individuais de mobilidade sem que a cidade esteja preparada para absorvê-las.

O contraste com o cenário internacional é evidente. O mercado global de bicicletas elétricas foi estimado em US$ 50,1 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 148,7 bilhões até 2032, segundo a Fortune Business Insights. A região da Ásia-Pacífico concentra 57% da receita global; a China lidera com um mercado estimado em US$ 10,7 bilhões em 2024. No Brasil, apesar da escala menor, o crescimento é acelerado, mas limitado por entraves urbanos. Sem avanços em fiscalização e infraestrutura, o país corre o risco de ver o mercado crescer mais rápido do que a capacidade das cidades de integrá-lo com segurança.

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