A tokenização imobiliária desponta como uma das principais forças de transformação no mercado de imóveis e investimentos, ao ampliar o acesso a ativos historicamente ilíquidos e introduzir ganhos relevantes de eficiência, transparência e liquidez. Com projeção global de atingir US$ 16 trilhões até 2030, segundo o estudo “Approaching the Tokenization Tipping Point”, da Boston Consulting Group (BCG), a tokenização avança sobretudo em ativos de grau institucional, como imóveis comerciais, infraestrutura e grandes fundos imobiliários, permitindo a propriedade fracionada e a entrada de um público investidor mais amplo.
No Brasil, o estudo “Tokenização no Brasil: Um estudo qualitativo”, publicado pela ABcripto, aponta o país como um ambiente particularmente favorável para o desenvolvimento desse modelo, especialmente no setor imobiliário, tradicionalmente marcado por altos valores de entrada e baixa liquidez. O levantamento destaca que a tokenização permite transformar frações de imóveis ou de recebíveis imobiliários em ativos digitais negociáveis, abrindo novas possibilidades de acesso ao investimento e de circulação de capital. “Ao converter ativos imobiliários em tokens, o mercado ganha mobilidade, eficiência e uma nova dinâmica de liquidez, sem romper com a estrutura jurídica existente”, afirma o professor José Carneiro, Doutor em Finanças pela Universidade de Brasília (UnB).
Casos concretos já ilustram essa transformação. A Netspaces, plataforma que atua desde 2021, recria em ambiente digital os principais elementos das transações imobiliárias, incluindo compra, venda, crédito e administração de imóveis. Por meio da tokenização, a empresa viabiliza a aquisição de frações de propriedades, com negociações digitais, redução de custos operacionais e maior transparência. O modelo de “propriedade digital” adotado pela plataforma prevê governança específica e patrimônio segregado, oferecendo maior proteção aos investidores e segurança jurídica nas operações.
Para Tony Volpon, ex-diretor do Banco Central, a tokenização representa uma evolução estrutural do mercado. “Estamos falando de uma transformação que combina segurança jurídica, tecnologia e novos modelos de investimento. O Brasil reúne características muito favoráveis para esse avanço: um mercado imobiliário robusto, investidores familiarizados com produtos estruturados e um ambiente regulatório em amadurecimento. Esse conjunto coloca a tokenização imobiliária entre os caminhos mais promissores para destravar valor a partir de 2026”, avalia.












