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Especialista explica como o tarifaço de Trump afeta o comércio e as alianças

Renata Nunes Por Renata Nunes
11/08/2025
Em Entrevista, Exclusivo, INTERNACIONAL, Mundo

No BM&C Visões, o empresário e especialista em assuntos internacionais Fernando Fonseca analisou o tarifaço de Donald Trump contra diversos países, incluindo o Brasil. Segundo ele, a medida integra um plano de reposicionamento que busca restaurar a indústria americana, reequilibrar relações comerciais e recuperar protagonismo estratégico. Além disso, Fonseca argumenta que a agenda combina ações domésticas e externas, encadeadas para minimizar efeitos adversos e potencializar ganhos de poder.

Nesse sentido, o especialista resgatou o contexto histórico do pós-Segunda Guerra para explicar a mudança de rota. Por décadas, os Estados Unidos reduziram tarifas para facilitar a reconstrução de aliados e a expansão do comércio global. Por outro lado, esse arranjo contribuiu para a desindustrialização americana e a ascensão de polos asiáticos, especialmente a China. Enquanto isso, o novo pacote tarifário é apresentado como resposta corretiva que procura “reprecificar” o acesso ao mercado americano.

Por que o tarifaço agora?

Para Fonseca, a lógica atual parte de uma leitura de risco industrial e geopolítico. Os EUA teriam aceitado assimetrias tarifárias que beneficiaram parceiros por décadas, mas agora, o tarifaço pretende reequilibrar o tabuleiro. Além disso, Trump opera sob a ideia de “paz pela força”, isto é, fortalecer a base econômica e militar para evitar conflitos diretos, mas impor custos a comportamentos vistos como antagônicos à liberdade econômica.

Ao mesmo tempo, a medida mira a reativação da capacidade produtiva doméstica. Segundo a análise, proteger setores críticos amplia resiliência em cadeias estratégicas e reduz dependências externas. Por outro lado, tarifas elevam preços de importados e podem pressionar a inflação; daí a necessidade de contrapesos fiscais e administrativos em casa.

Quais são as estratégias por trás do tarifaço?

De acordo com Fonseca, a agenda segue etapas encadeadas que buscam compensar efeitos econômicos:

  • Endurecimento contra imigração ilegal para consolidar coesão e apelo doméstico;
  • Cortes de gastos e redução de impostos para produzir efeito deflacionário e ganho de eficiência;
  • Imposição de tarifas para estimular a indústria interna, com inflação compensada pelos passos anteriores.

Além disso, o reequilíbrio tarifário com a Europa, com referência a alíquotas de 15%, simboliza a tentativa de reduzir assimetrias históricas. Por outro lado, a Casa Branca combina pressão com negociação, sinalizando que metas finais podem ser calibradas conforme contrapartidas de parceiros.

Impactos do tarifaço para o Brasil

Na avaliação apresentada, o Brasil foi incluído por fatores econômicos e políticos. Alinhamentos recentes com a China e a compra de energia russa teriam sido lidos como movimentos de distanciamento do eixo ocidental. Nesse sentido, o tarifaço funciona também como instrumento de dissuasão, pressionando Brasília a recalibrar posicionamentos em temas sensíveis.

Por outro lado, o país detém ativos estratégicos, energia, alimentos e recursos naturais, que ampliam seu poder de barganha. Enquanto isso, a elevação de tarifas pode encarecer exportações brasileiras e exigir esforço de diversificação de mercados, acordos setoriais e fortalecimento de cadeias produtivas internas para preservar competitividade.

O tarifaço pode redesenhar alianças?

Segundo Fonseca, há potencial para reconfiguração de alianças, aproximando economias ideologicamente convergentes e punindo divergentes. Além disso, a Europa tende a aumentar investimentos em defesa e a buscar maior coordenação econômica. Por outro lado, o Brasil terá de fazer escolhas pragmáticas para evitar a posição de mero coadjuvante, transformando relevância logística e produtiva em contrapartidas concretas.

Nesse sentido, a ambiguidade prolongada eleva riscos e reduz previsibilidade para investidores. Por isso, o especialista defende uma identidade nacional clara, com prioridades de longo prazo, que guie políticas comerciais, energéticas e tecnológicas, e que ancore negociações simultâneas com Ocidente e Oriente.

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Quais caminhos o Brasil pode seguir?

Além de intensificar diálogo técnico para mitigar impactos setoriais, a análise sugere avançar em três frentes:

  • Previsibilidade regulatória para atrair investimento produtivo.
  • Acordos comerciais focados em cadeias críticas (alimentos, energia, minerais).
  • Políticas de conteúdo local que aumentem produtividade sem fechar a economia.

Por outro lado, a diplomacia econômica precisa mapear “moedas de troca” brasileiras (mercado consumidor, insumos estratégicos e infraestrutura) para negociar reduções tarifárias específicas ou prazos de adaptação. Enquanto isso, empresas podem acelerar planos de diversificação geográfica, hedge cambial e redesenho de suprimentos para reduzir exposição a choques tarifários.

Assista na íntegra:

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