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Bolha de IA? Especialista alerta para sinais de euforia exagerada no mercado de tecnologia

Renata Nunes Por Renata Nunes
03/04/2025
Em Análises

O mercado de ações de tecnologia vive hoje um momento de forte concentração de expectativas em torno da inteligência artificial (IA). Para Fabio Fares, estrategista de investimentos, esse movimento lembra os ciclos de euforia das pontocom nos anos 2000. Segundo ele, embora ainda estejamos longe de um colapso estrutural, já é possível identificar traços típicos de bolha em alguns segmentos do mercado.

“A narrativa da IA tomou proporções gigantescas. Grandes empresas seguem entregando resultados sólidos, com geração de caixa robusta, mas vemos múltiplos esticados e uma empolgação generalizada que muitas vezes anda mais rápido do que os fundamentos”, explica Fares.

Três fatores por trás da possível bolha de IA: expectativa, manada e liquidez

Na avaliação do estrategista, os principais fatores que alimentam uma possível bolha estão bem definidos:

  1. Expectativas de crescimento irrealistas: empresas que sequer começaram a monetizar suas soluções de IA já estão sendo negociadas como se tivessem receita recorrente e margens sustentáveis.
  2. Efeito manada entre investidores institucionais: gestores, com receio de ficarem de fora da tese, acabam comprando ativos “na história”, o que impulsiona ainda mais os preços.
  3. Excesso de liquidez no sistema: com dinheiro sobrando e juros em trajetória de queda em algumas economias, a IA virou o “canal preferencial” da especulação.

“Esse é um padrão clássico de bolha. A diferença é que agora temos uma base tecnológica mais concreta do que no passado, mas isso não impede distorções graves na precificação dos ativos”, pontua Fares.

Modelos de IA mais baratos desafiam gigantes e pressionam margens

A entrada de novos modelos de IA de baixo custo, como os da chinesa DeepSeek e outras iniciativas de código aberto, traz um novo componente de pressão sobre as líderes do setor. Fares avalia que essa democratização da tecnologia tem um duplo efeito sobre o mercado:

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  • Acelera a adoção da IA, facilitando o acesso para pequenas empresas, startups e desenvolvedores independentes.
  • Pressiona as margens das gigantes, que antes operavam com vantagens competitivas associadas à exclusividade tecnológica e ao domínio de infraestrutura.

“O mercado precificava nomes como Nvidia, Microsoft e Alphabet como se tivessem um monopólio inabalável. Mas com modelos mais baratos e acessíveis surgindo, essa tese começa a ser testada. As barreiras de entrada estão diminuindo, e isso muda a lógica dos valuations”, alerta o estrategista.

Queda das ações de tecnologia: correção ou início do fim da euforia?

A recente correção das ações de tecnologia, com destaque para algumas empresas que surfaram a onda da IA, levanta dúvidas sobre o possível estouro da bolha. Fares, no entanto, acredita que o movimento ainda não representa uma ruptura total, mas sim um sinal de alerta.

“É o mercado testando os limites dessa narrativa. Ainda há espaço para correção, especialmente em empresas que cresceram apenas com base em promessa, sem entregar resultados concretos”, afirma.

Segundo ele, o desafio agora está em separar o ruído da substância: “As líderes que já monetizam a tecnologia, que têm base instalada, canais de distribuição e capacidade de escalar, devem continuar entregando valor ao acionista. O investidor precisa estar atento, focado em fundamentos e não apenas em promessas.”

Disciplina, fundamentos e foco: o que fazer diante de um mercado eufórico

Para Fabio Fares, momentos como o atual exigem disciplina por parte do investidor e uma análise mais crítica sobre os fundamentos por trás das empresas. “A IA é real, a transformação é real, mas isso não significa que todo ativo que mencione ‘inteligência artificial’ mereça o valuation que carrega. A história nos ensina que, cedo ou tarde, o mercado volta a precificar a realidade”, finaliza.

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