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Trump, pelo jeito, deve voltar à presidência

A frase de James Carville, estrategista do então candidato Bill Clinton em 1992, virou uma espécie de mantra para campanhas eleitorais ao redor do planeta

Aluizio Falcão Filho Por Aluizio Falcão Filho
11/03/2024
Em OPINIÃO

“It’s the economy, stupid”.

A frase de James Carville, estrategista do então candidato Bill Clinton em 1992, virou uma espécie de mantra para campanhas eleitorais ao redor do planeta. Ao dizer que o desempenho da economia era o que realmente importava para os eleitores, Carville criou uma abordagem vencedora para Clinton e inspirou candidatos em diversos países nos últimos 32 anos.

Vejamos, então, o que ocorre atualmente com a economia americana. O PIB dos Estados Unidos subiu 3,3 % no quarto trimestre de 2023, contra uma expectativa de 2 % dos analistas. A taxa desemprego, de 3,7% em janeiro, ficou abaixo do esperado e os salários mostraram um crescimento real.

Trump, pelo jeito, deve voltar à presidência
Foto: reprodução money report

A preocupação dos economistas é se esse movimento poderá gerar inflação e um aumento das taxas de juros – mas essa inquietação não chega à grande camada da população, que desfruta de um bom cenário econômico.

Se a economia é tão importante assim, por que as pesquisas mostram que Donald Trump deve vencer Joe Biden nas eleições de 2024?

Biden andou derrapando em determinados pontos de sua política externa, mas nada que fosse tirar o sono do eleitor americano médio. Algumas de suas ações sofreram um forte bombardeio nas redes sociais ao longo dos últimos meses. Mas isso também não teve tanta repercussão nos levantamentos sobre intenção de voto.

Há, porém, dois pontos mais importantes neste cenário.

O primeiro é o etarismo. Biden já cruzou a fronteira dos 80 anos e manifesta fisicamente os efeitos dessa idade. Sua voz soa hesitante, ele parece inseguro ao se movimentar e sua memória dá mostras de não ser mais a mesma.

É muito difícil para o americano médio aceitar um líder que emana hesitação – mesmo que os resultados de sua gestão possam ser eventualmente positivos. Neste aspecto, o estilo fanfarrão e assertivo de Trump acaba sendo uma vantagem competitiva enorme na corrida presidencial americana.

Não que Donald Trump seja um garotão. Pelo contrário: o ex-presidente tem 77 anos, apenas quatro a menos que Biden. Mas, em política, especialmente nos Estados Unidos, imagem é tudo em uma campanha. E, neste quesito, o republicano está bem à frente de seu opositor.

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A outra questão é o cansaço que a cultura “woke” está causando no eleitor médio. O estilo politicamente correto ao extremo, típico de metrópoles como Nova York, não tem tanta repercussão no interior do país. Ocorre que o partido Democrata abraçou essa cultura como se ela refletisse o espírito de toda a nação. A rejeição aos valores “woke” é um fator que turbina a candidatura Trump ao mesmo tempo que fustiga a de Biden.

No fundo, este é um duelo de rejeições. E a fotografia atual mostra que o candidato democrata é mais rejeitado que o republicano (apesar de todas as presepadas que Trump acabou produzindo em seus quatro anos na Casa Branca e declarações absolutamente descabidas desta pré-campanha).

Como o sistema americano utiliza o Colégio Eleitoral, no qual o vencedor de um estado recebe todos os votos da região, não adianta ganhar no voto popular. É preciso conquistar estado por estado e amealhar a maioria de 271 votos (em um total de 538).

Neste sistema, há estados que tradicionalmente são republicanos e outros que sempre dão vitória aos democratas. Mas há um grupo de seis unidades (os chamados “swing states”), que não são fiéis a um partido ou outro: Nevada, Arizona, Georgia, Michigan, Pensilvânia e Wisconsin. Nas pesquisas mais recentes, Biden venceria apenas no último e Trump nos demais (com grande vantagem apenas em Nevada).

A eleição ainda não está decidida e será muito concorrida. Mas as maiores chances, hoje, estão no campo republicano.

Não é a primeira vez que a Direita ressurge no cenário político americano depois de um período de enorme descrédito. Em 1968, por exemplo, Richard Nixon era considerado uma carta fora do baralho. Mas a desistência de Lyndon Byron Johnson de disputar a reeleição abriu caminho para os republicanos. Resultado: Nixon ganhou de forma incontestável, apesar de dividir parte do eleitorado com o candidato independente George Wallace, que amealhou 46 sufrágios. O republicano teve 301 votos contra 191 do democrata Hubert Humphrey, que havia sido vice de LBJ.

*Coluna escrita por Aluizio Falcão Filho jornalista, articulista e publisher do portal Money Report, Aluizio Falcão Filho foi diretor de redação da revista Época e diretor editorial da Editora Globo, com passagens por veículos como Veja, Gazeta Mercantil, Forbes e a vice-presidência no Brasil da agência de publicidade Grey Worldwide;


As opiniões transmitidas pelos nossos colunistas são de responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a opinião da BM&C News.

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