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Dólar a R$ 10 ou a R$ 3,75? Wall Street Cast debate os rumos do câmbio

Redação BM&C News Por Redação BM&C News
26/09/2025
Em Análises, dólar, Entrevista, Exclusivas, Exclusivo, finanças, INTERNACIONAL, WALL STREET CAST

No episódio do Wall Street Cast desta semana, mediado por Bruno Corano, o futuro do real foi colocado no centro da mesa. Corano sustenta que o dólar deve “chegar a R$ 10” em horizonte de 5 a 8 anos, ancorado em histórico de desvalorização acumulada e fragilidades estruturais do Brasil. A tese sugere uma trajetória quase inevitável de perda de poder de compra do real frente ao dólar, com ciclos mais curtos para saltos de preço em patamares elevados.

Por outro lado, o gestor Danilo Santiago contrapõe com uma leitura técnico-histórica do câmbio, ajustando a série desde 1995 pelo diferencial de inflação, a linha de referência (“meia-vida” da cotação) ficaria em torno de R$ 3,75. Enquanto isso, o nível atual próximo de R$ 5,50 teria estado, em 30 anos, entre os 10% piores momentos do real, sugerindo que boa parte do pessimismo já estaria no preço, ainda que não haja garantia de reversão rápida.

Real e dólar: como chegamos até aqui? Real e dólar

O episódio revisita marcos que moldaram o real:

  • a âncora cambial do Plano Real em 1994/95;
  • a maxidesvalorização de 1999; o “pânico Lula” em 2002 e a subsequente acomodação com tripé macroeconômico;
  • o superciclo de commodities que levou a moeda a picos de apreciação entre 2005 e 2011.
  • deterioração fiscal e o fim do ciclo de commodities na década seguinte, somados aos choques da pandemia, recolocaram a moeda em patamares mais fracos.

“Mesmo quando o Brasil faz a lição de casa, os EUA tendem a crescer mais, com menor inflação e maior robustez institucional, sustentando o status do dólar como reserva global“, destaca Corano. Nesse sentido, o “imã” de capitais favorece a moeda americana e aprofunda o gradiente de retorno estrutural. Já Danilo lembra que “forças de paridade de poder de compra e diferencial de inflação operam como elásticos de longo prazo, ainda que a realidade política, fiscal e de termos de troca possa alongar esse elástico por longos períodos“.

O dólar pode voltar a R$ 3,75, ou a rota é R$ 10?

A divergência central reside no “polo de atração” do câmbio. “A série ajustada pela inflação indica que o real esteve historicamente mais forte em 90% do período, o que não elimina a fraqueza atual, mas alerta para extrapolações lineares“, lembra Santiago. Além disso, reitera que ciclos cambiais são longos, retornar à zona de referência pode exigir uma década de disciplina fiscal, inflação controlada e choques externos favoráveis.

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Corano, em contraste, argumenta que a combinação de déficit fiscal crônico, baixa produtividade, insegurança institucional e a “assimetria injusta” do dólar como moeda hegemônica reduz o espaço para qualquer apreciação sustentada do real. “A previsão de R$ 10 é certeza dependeria menos de timing perfeito e mais da persistência do regime macro brasileiro, que tende a repetir padrões“, avalia.

O que isso significa para o investidor brasileiro?

Ambos convergem em um ponto prático: a decisão patrimonial independe de acertar o ponto exato do câmbio. Além disso, a diversificação internacional recorrente, como “poupança em moeda forte”, dilui o risco de ciclos longos e imprevisíveis. Nesse sentido, em vez de tentar “cravar” a máxima do dólar, o investidor pode construir uma política de alocação cambial gradual, refletindo renda em reais e objetivos de longo prazo.

  • Estratégia de fluxo: converter parte da renda em dólares de forma sistemática, reduzindo o risco de mau timing.
  • KPIs patrimoniais: acompanhar câmbio médio, volatilidade total do portfólio e correlação entre ativos locais e globais.
  • Disciplina macro: monitorar fiscal, inflação e termos de troca; choques favoráveis podem encurtar ciclos.
  • Horizonte longo: ciclos cambiais podem durar 10 anos ou mais; paciência e processo superam previsões pontuais.

Quais variáveis realmente movem o câmbio?

O debate resgata fundamentos clássicos, diferencial de inflação, diferencial de crescimento, balança comercial, termos de troca (commodities), prêmio de risco soberano, credibilidade fiscal e arcabouço institucional. Enquanto isso, o papel do dólar como moeda de reserva adiciona um “vento de cauda” estrutural à moeda americana. Por outro lado, janelas de alinhamento, responsabilidade fiscal, reformas pró-produtividade e ciclos globais benignos, podem, sim, produzir períodos de apreciação do real.

O programa expõe duas leituras legítimas sobre o real: a visão “inercial” de desvalorização contínua, apoiada no histórico e no prêmio global do dólar; e a leitura “reversiva” de que a série, quando ajustada por inflação, exibe referência mais forte que o presente. Além disso, ambas apontam para a mesma recomendação de política patrimonial, diversificar moedas, ativos e geografias. Nesse sentido, a pergunta que resta ao investidor não é “qual é o número mágico?”, mas “qual é o meu processo para não depender dele?”.

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