‘Ainda há ajustes a serem feitos na Selic’, diz diretor de Política Monetária do BC

"Ainda tem espaço para Brasil surfar na rotação de techs para valor", destacou Bruno Serra

Bruno Serra, diretor de Política Monetária do Banco Central do Brasil, participou de uma live do ModalMais exibida nesta quarta-feira (9), para fazer um retrato do cenário econômico no País e no mundo.

Durante a entrevista, Serra comentou que ainda há alguns ajustes a serem feitos na Selic pelo BC e que o câmbio está depreciado. “Ainda tem espaço para Brasil surfar na rotação de techs para valor”, destacou.

Segundo o Diretor, a inflação em 2021 foi afetada por importados: “Choque de importados e de energia explica quase todo o desvio da meta do ano passado. Começa a contaminar inflação subjacente”.

Sobre a ata do Copom divulgada na terça-feira (8), Serra disse que a mudança para o ‘cenário de referência’ é uma sutileza e ‘cenário básico’ poderia ser entendido como o que o BC estava perseguindo, mas não é bem assim. “Apesar de ciclo bastante rápido, nível de Selic estava bastante baixo”, ressaltou.

“Estamos olhando 2023 com grau menor em 2022. Depois de março, ciclo não tem mais efeito em 2022”, falou o diretor do Banco Central.

“Apesar de projeção do IPCA de 2023 na meta, BC tem comunicado que, com o risco fiscal, está acima. Por isso, o Banco Central tem considerado que será preciso ir com a Selic além do cenário de referência”, disse ele.

Além disso, Serra falou que as projeções do Copom indicavam que era preciso fazer ciclo mais contracionista que o Boletim Focus.

CENÁRIO INTERNACIONAL

O diretor de Política Monetária do Banco Central também comentou que o cenário externo “mudou bastante” desde o fim do ano passado com a inflação do mundo, principalmente nos países desenvolvidos, se mostrando mais resiliente.

Para ele, os Bancos Centrais internacionais mostraram uma reação mais rápida do que era esperado, principalmente o Federal Reserve, nos Estados Unidos. “Está claro que as condições financeiras vão precisar ser apertadas, em especial nos EUA”, ressaltou ele.

Serra ainda comentou que o dinheiro flui para as ações de tecnologia e criptoativos durante a pandemia de Covid-19. “Emergentes não surfaram nessa onda. Houve aumento de investimentos externos de brasileiros”, destacou.

(Com informações do BDM)

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