Energia elétrica: chuvas pelo Brasil podem ajudar empresas do setor?

O analista Pedro De Marco diz que este ano será melhor para as companhias de energia elétrica na Bolsa e o grande evento para o setor será a privatização da Eletrobras
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Desde o ano passado, o setor de energia elétrica e o Brasil vêm enfrentando a crise hídrica, considerada a pior dos últimos 91 anos. O menor nível dos reservatórios do Sudeste e do Centro-Oeste de 2021 foi registrado em setembro, quando os mesmos operaram com 17% de capacidade. 

Vale lembrar que esses reservatórios representam 70% da geração de energia do país. Com isso, o governo adotou uma série de medidas, dentre elas, a aplicação da bandeira de escassez hídrica na conta de luz. 

Mas o período de chuvas que está acontecendo no Brasil trouxe um pouco de esperança para todos. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), os níveis dos reservatórios das hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste deverão alcançar 41,4% da capacidade no fim do mês de janeiro. 

As hidrelétricas da região deverão receber chuvas equivalentes a 106% da média histórica em janeiro, ante 105% da previsão anterior, de acordo com o ONS.

Será que essas chuvas estão ajudando o setor de energia elétrica? Segundo Adriano Pires, CEO do Centro Brasileiro de Infraestrutura, o setor já está sendo beneficiado por esse período. “Ele já está ajudando e muito, os reservatórios já estão com um nível muito superior ao que todo mundo imaginava, por exemplo, em setembro do ano passado”, afirmou. 

“As chuvas mudaram o panorama do setor elétrico em 2022”, completou. Adriano disse ainda que, com a melhora nos reservatórios, o preço da energia para as indústrias será favorecido. 

“Vai ser um ano melhor, mais tranquilo para o setor elétrico brasileiro”, disse o CEO. 

Para Adriano, todo o setor de energia elétrica se beneficia com a recuperação dos reservatórios, sejam geradoras ou de transmissão e distribuição. “De maneira geral, é bom para todo mundo”, ressaltou. 

Já Pedro De Marco, analista da Reach Capital, avalia que as empresas de geração e as distribuidoras serão mais beneficiadas com esse período. 

O analista diz ainda que este ano será melhor para as companhias de energia elétrica na Bolsa e o grande evento para o setor será a privatização da Eletrobras (ELET3;ELET6). “Se acontecer, vai ser muito positivo, porque melhora a qualidade dos sistemas, poderá revisar as garantias físicas das hidrelétricas e também parte do dinheiro vai para uma conta que paga térmicas, subsídios”, afirmou.  

“Uma vez que esse dinheiro da Eletrobras vai pra essa conta, você deixa de ter essa falta de recursos que está tendo hoje. Isso vai aliviar as tarifas das pessoas, o que é bom para todas as empresas”, completou. 

Sobre as empresas de energia elétrica na Bolsa, Pedro ressalta que as companhias são um componente de gestão de portfólio. “É um setor que é menos volátil historicamente, ele anda muito com os juros bons para o Brasil. Se o risco do país cair, é um setor que se beneficia com isso”, informou. 

O analista disse que gosta de algumas companhias do setor: “Não é uma recomendação, mas pode ter uma simetria interessante em Cesp (CESP6) e Eletrobras (ELET3;ELET6)”. 

Sobre a Cesp, ele disse que a empresa é interessante porque está passando por uma reestruturação relevante, que será a incorporação de outros ativos renováveis no portfólio da Votorantim Energia. “Vai ser uma empresa que tem esse reservatório, uma hidrelétrica grande, que é o Porto Primavera, mas também ela vai ter muito crescimento em energia eólica e solar”, afirmou. 

Inflação

Na terça-feira (11), o Banco Central citou a crise hídrica como um dos motivos para a alta da inflação. Adriano destaca que esse fator continuará em 2022, tendo em vista que a tarifa de energia não terá uma queda considerável. 

“Vai afetar menos, porque a tarifa não vai cair tanto assim. A tarifa de energia elétrica no Brasil para o consumidor cativo, ela tem uma composição complicada, metade da conta é imposto, você tem também subsídios para energia solar e eólica, a tarifa social”, destacou. 

Adriano concluiu dizendo que “a pressão inflacionária da tarifa de energia elétrica em 2022 será menor que em 2021, mas terá um papel ainda significativo”.

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