O gasto mensal médio das famílias brasileiras com pets chega a R$ 690 para cães e R$ 574 para gatos, segundo o Estudo CVA Petcare 2026, elaborado pela CVA Solutions. O levantamento foi realizado em março de 2026 com 4.032 consumidores, shoppers e tutores de cães e gatos que compram produtos petcare no Brasil.
A ração aparece como o principal item da cesta mensal. No caso dos cães, o gasto médio com ração é de R$ 202 por mês. Entre os gatos, o valor é de R$ 158. O estudo também considera despesas com antipulgas, vermífugos, vacinas, veterinário, exames, plano de saúde e, no caso dos cães, banho e tosa.
Entre os cães, os gastos mensais incluem R$ 174 com banho e tosa, R$ 135 com plano de saúde, R$ 48 com exames, R$ 43 com veterinário, R$ 42 com antipulga, R$ 25 com vacina e R$ 21 com vermífugo.
No caso dos gatos, além da ração, o estudo aponta gastos mensais médios de R$ 122 com areia sanitária, R$ 125 com plano de saúde, R$ 44 com exames, R$ 43 com veterinário, R$ 38 com antipulga, R$ 24 com vacina e R$ 20 com vermífugo.
Para Sandro Cimatti, sócio-diretor da CVA Solutions, os números refletem uma mudança na forma como os animais ocupam espaço dentro das casas e do orçamento familiar.

“Neste período notamos uma crescente humanização dos pets, aproximando os cães e gatos de seus tutores em termos emocionais e físicos, fazendo com que passem a viver dentro de casa e, às vezes, dentro do próprio quarto. Isso leva a maior necessidade de gastos com higiene, beleza, medicamentos, planos de saúde, mimos, brinquedos e alimentos mais palatáveis, como alimentos úmidos em sachês”, diz Cimatti.
Pets estão mais dentro de casa
O levantamento mostra que 50,3% dos cães passam a maior parte do tempo dentro de casa. Entre os gatos, esse percentual chega a 71,4%. Essa presença mais próxima dos tutores ajuda a explicar o crescimento de categorias ligadas a saúde, higiene, alimentação diferenciada e serviços.
A percepção afetiva também reforça esse comportamento. Entre os tutores de cães, 33,2% dizem ver o animal “como um filho”. Entre os tutores de gatos, o percentual é de 34,0%. Quando somadas as respostas “como um filho”, “membro da família” e “como um bebê”, o índice chega a 73,4% entre cães e 71,9% entre gatos.
Esse movimento sustenta uma cesta de consumo mais ampla. O pet deixa de concentrar gastos apenas em alimentação e passa a demandar produtos e serviços recorrentes, como veterinário, medicamentos, banho e tosa, areia sanitária, planos de saúde e itens de bem-estar.
Varejo disputa cesta recorrente
A alimentação ainda é o principal motivo que leva o tutor a escolher onde compra. Segundo o estudo, 61,2% dos entrevistados apontam alimentos, como ração, biscoitos e ossinhos, como a categoria que define a maior parte das compras em uma loja pet. Depois aparecem medicamentos, com 10,1%, acessórios e produtos de higiene, com 8,7%, serviços veterinários, com 6,6%, e banho e tosa, com 5,1%.
Apesar do avanço das grandes redes e do e-commerce, os pet shops de bairro continuam como principal canal de compra para 35,9% dos tutores de cães e 30,5% dos tutores de gatos. As mega pet shops aparecem com 19,6% entre tutores de cães e 21,4% entre tutores de gatos.
A principal vantagem dos pet shops de bairro é a proximidade. No estudo, 60 % dos entrevistados citam esse fator como motivo para escolher a loja onde compram produtos pet.
Do outro lado da disputa, grandes redes especializadas ampliam sua atuação para além da venda de produtos. No ranking das lojas onde os consumidores mais compram, Petz aparece com 11,3%, seguida por Cobasi, com 10,4%, Atacadão, com 4,9%, American Pet, com 4,6%, e Pet Love, com 4,4%.
Para Cimatti, as grandes redes avançam porque conseguem integrar diferentes frentes de relacionamento com o tutor: “Os mega pet shops estão virando ecossistemas oferecendo todos os produtos e serviços”.
O digital adiciona outra camada de competição. Na compra de ração pela internet, 49,3% dos entrevistados dizem não comprar ração em site. Entre os canais citados por quem compra online, a Amazon aparece com 9,3%, seguida por Petz, com 5,7%, Cobasi, com 5,2%, Mercado Livre, com 5,1%, e Petlove, com 4,5%.














