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Por trás da calma azul desse planeta existe um mundo com ventos extremos e possíveis chuvas de diamantes

Larissa Por Larissa
05/01/2026
Em Curiosidades, ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Urano parece tranquilo visto de longe, com aquele tom azul-esverdeado uniforme, mas por trás dessa aparência calma o planeta esconde camadas extremas, possíveis chuvas de diamantes, ventos violentos e um interior que ainda desafia os cientistas, da atmosfera até o núcleo.

O que torna Urano um gigante de gelo diferente dos demais planetas?

Urano é o sétimo planeta a partir do Sol, a cerca de 2,9 bilhões de quilômetros de distância, classificado como gigante de gelo por ter seu interior dominado por água, amônia e metano, além de hidrogênio e hélio. Isso o diferencia de gigantes gasosos como Júpiter e Saturno, onde predominam gases leves em grande quantidade.

Seu diâmetro equatorial chega a cerca de 51 mil quilômetros, com gravidade parecida com a da Terra, em torno de 8,87 m/s². A cor azul-esverdeada vem do metano na atmosfera, e seu eixo extremamente inclinado faz o planeta “girar de lado”, possivelmente por um impacto gigante no passado.

Por trás da calma azul desse planeta existe um mundo com ventos extremos e possíveis chuvas de diamantes
Urano é o planeta mais enigmático do sistema solar e esconde extremos inacreditáveis (Créditos: depositphotos.com / claudiocaridi.libero.it2)

Como é a atmosfera extrema de Urano por dentro?

Logo após os anéis escuros de poeira e gelo, começa a atmosfera externa, dominada por hidrogênio, hélio e metano congelado, em temperaturas próximas de -224 °C. Nessa região surgem ventos que podem atingir cerca de 900 km/h, além de tempestades elétricas com raios que iluminam brevemente o ambiente escuro.

Em camadas mais profundas, aparecem nuvens de sulfeto de hidrogênio, gás tóxico associado ao cheiro de ovos podres, com pressões até 100 vezes a do nível do mar na Terra e temperaturas próximas de 50 °C. Nessa combinação de pressão extrema e metano abundante surgem hipóteses sobre chuvas de diamantes, em que o carbono se cristalizaria e cairia como “gotas” sólidas.

O que existe no misterioso manto de Urano?

Após cerca de 130 a 150 quilômetros de descida a partir do topo da atmosfera, chega-se ao manto de Urano, que representa aproximadamente 60% do volume e da massa do planeta. Em vez de gelo sólido, há um fluido extremamente quente e denso, composto por água, amônia e metano em estados supercríticos, iônicos ou superiônicos.

Esse manto é tão comprimido e aquecido que se torna altamente condutor de eletricidade, ajudando a explicar o campo magnético inclinado e irregular de Urano. Para entender melhor por que essa região é tão particular, vale destacar alguns pontos principais:

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  • Fluido denso de água, amônia e metano sob pressões enormes.
  • Alta condutividade elétrica, ligada à geração do campo magnético.
  • Possível formação e reciclagem de diamantes em profundidade.

Com mais de 256 mil visualizações, o vídeo do canal Mundo Indomável mostra por que Urano é um dos planetas mais misteriosos e extremos do Sistema Solar:

Como é o núcleo de Urano em termos de estrutura e condições extremas?

No centro de Urano, os modelos apontam para um núcleo rochoso composto por silicatos e ferro-níquel, com raio inferior a 20% do planeta e massa aproximada de 0,55 massa terrestre. A densidade pode chegar a cerca de 9 g/cm³, com pressões próximas de 8 milhões de bares e temperaturas em torno de 5.000 K.

Há hipóteses de um oceano de carbono metálico líquido envolvendo o núcleo, onde blocos de diamante poderiam flutuar como “icebergs”. A baixa emissão de calor em comparação a Netuno sugere camadas internas que isolam termicamente o planeta, mas a estrutura detalhada ainda depende de novas missões para ser confirmada.

Leia também: A cidade das 100 cachoeiras: destino pouco explorado oferece trilhas gratuitas e piscinas naturais cristalinas

Seria possível explorar o interior de Urano algum dia?

Com a tecnologia atual, descer pelas camadas de Urano é inviável, pois uma nave enfrentaria ventos intensos, tempestades elétricas e uma rápida elevação de pressão capaz de esmagar qualquer estrutura conhecida. Além disso, a ausência de uma superfície sólida bem definida dificulta qualquer ideia de pouso tradicional.

Mesmo assim, agências como a NASA estudam missões para a década de 2030, com sondas orbitais e veículos projetados para mergulhar nas camadas superiores da atmosfera. Esses equipamentos poderiam medir campos magnéticos, composições químicas e variações de pressão e temperatura, aproximando a ciência de respostas mais precisas sobre o interior desse gigante de gelo.

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