A internet deixou de ser apenas uma ferramenta de comunicação e se tornou uma infraestrutura central para a vida contemporânea. Em 2024, mais de 5 bilhões de pessoas utilizavam a rede diariamente para trabalhar, estudar, consumir informação e realizar tarefas simples, como pagar contas ou pedir comida, o que torna cada vez mais relevante discutir os riscos de um possível “apagão da internet”.
Quais são as principais vulnerabilidades da infraestrutura da internet?
O funcionamento da web global depende de uma complexa rede de cabos submarinos, data centers, satélites e pontos de troca de tráfego. Em muitos casos, um único ponto de falha pode afetar milhões de pessoas e comprometer serviços básicos em diversas regiões.
Cabos de fibra óptica que cruzam oceanos podem ser danificados por âncoras, obras, terremotos ou ações deliberadas, tornando cidades costeiras pontos estratégicos e sensíveis. A isso se somam riscos como falhas de energia, incêndios, problemas de refrigeração e desastres naturais que atingem estruturas críticas.

Como ataques físicos podem comprometer a conectividade global?
Além dos cabos submarinos, há edifícios que funcionam como grandes entroncamentos da rede, concentrando data centers, empresas de telecomunicações e pontos de interconexão. Estima-se que algumas dezenas de prédios concentrem parte significativa da infraestrutura crítica mundial.
Em cenários de guerra, terrorismo ou tensão geopolítica, ataques coordenados contra esses locais poderiam causar interrupções regionais relevantes. Mesmo incidentes localizados, como panes elétricas ou falhas em sistemas de resfriamento, já foram suficientes para tirar serviços essenciais do ar por horas ou dias.
De que forma decisões políticas e ciberataques podem causar um apagão de internet?
Governos já demonstraram capacidade de restringir ou cortar o acesso à rede em determinados territórios, por motivos de segurança, controle social ou crise política. Em regiões de conflito, bloqueios temporários afetaram escolas, hospitais, empresas e meios de comunicação, usando a conectividade como instrumento de poder.
No campo digital, ciberataques contra o sistema de nomes de domínio (DNS) e outros elementos centrais podem comprometer o acesso a sites e serviços. Entre os principais riscos monitorados por especialistas, destacam-se:
- Ataques de negação de serviço (DDoS) em larga escala contra provedores e servidores críticos.
- Invasões a servidores raiz de DNS ou comprometimento de chaves de segurança.
- Malwares direcionados a infraestruturas de telecomunicações e roteadores centrais.
Com mais de 2,6 milhões de visualizações, o canal Ciência Todo Dia explica como seria o mundo se a internet deixasse de existir:
Quais seriam os impactos econômicos e sociais de uma queda prolongada da internet?
Uma interrupção longa ou ampla da internet afetaria inicialmente atividades rotineiras, como mensagens, redes sociais, trabalho remoto e aplicativos de transporte ou entrega. A circulação de informações passaria a depender de rádio e televisão, com ritmos muito mais lentos e alcance reduzido.
Na economia, comércio eletrônico, sistemas de cartão, Pix e plataformas bancárias seriam diretamente prejudicados, forçando o retorno massivo ao dinheiro em papel. Cadeias de suprimentos, logística, estoques, telemedicina, ensino a distância e sistemas de transporte inteligentes sofreriam atrasos, falhas e desorganização.
A sociedade está preparada para viver com menos internet e mais resiliência?
A ruptura da conectividade teria impactos sociais e psicológicos profundos, sobretudo em gerações que estruturaram relações, trabalho, estudo e lazer em plataformas digitais. A sensação de perda, desorientação e dificuldade de adaptação seria mais intensa entre quem depende da rede para renda, acesso a serviços públicos e contato com familiares.
Embora um apagão total e permanente seja improvável pela arquitetura distribuída da rede, interrupções regionais ou temporárias tendem a continuar. Isso reforça a importância de reduzir a dependência absoluta de serviços online, fortalecer infraestruturas críticas, diversificar meios de acesso à informação e manter alternativas analógicas mínimas para momentos de crise.

