Criado como um desejo de gravidez em uma pequena loja nos Emirados Árabes, o Chocolate de Dubai explodiu nas redes sociais e se tornou uma obsessão mundial. Hoje, a barra de pistache com massa crocante é muito mais que um doce: é um motor econômico que movimenta fábricas, exportações e tendências globais.
Como uma barra artesanal virou febre mundial?
A história começou em 2021 com Sara Hammuda, fundadora da Fix Dessert Chocolatier. Buscando sabores tradicionais do Oriente Médio, ela criou uma barra recheada com creme de pistache e kataifi (massa crocante). O produto era um segredo local até um vídeo no TikTok, com mais de 100 milhões de visualizações, viralizar a textura crocante e o recheio cremoso.

O efeito ASMR (resposta sensorial) do vídeo gerou uma demanda incontrolável. Turistas passaram a viajar para Dubai apenas para provar o doce, e a pequena produção artesanal de 500 barras por dia rapidamente se tornou insuficiente diante do apetite global.
Por que o nome “Chocolate de Dubai” não tem dono?
Apesar de ter sido criado por uma marca específica, o termo “Chocolate de Dubai” não pode ser registrado como marca exclusiva. Legalmente, nomes geográficos são considerados genéricos, o que abriu as portas para que qualquer empresa, da gigante Lindt à padaria da esquina, lançasse sua própria versão “estilo Dubai”.
Isso gerou uma corrida de imitações e adaptações. Grandes redes e pequenos negócios em todo o mundo começaram a lucrar com a tendência, criando desde croissants até milk-shakes inspirados na receita original, sem infringir nenhuma patente.
Impacto da falta de registro:
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Proliferação de Cópias: Marcas globais lançaram versões próprias.
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Diversificação: O sabor pistache com kataifi se espalhou para outros produtos.
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Competição: O mercado foi inundado por opções de todos os preços.
Como a indústria correu para atender a demanda?
A viralização causou um choque na cadeia de suprimentos. A demanda por kataifi disparou 1.800% em alguns fornecedores, e o preço do pistache de alta qualidade subiu drasticamente. Fábricas na Turquia tiveram que automatizar suas linhas para produzir até 50 toneladas de chocolate por dia, utilizando câmeras e robôs para garantir a qualidade em escala industrial.
Para descobrir como um doce artesanal se tornou uma febre viral que mobiliza fábricas ao redor do mundo, acompanhe esta reportagem do Business Insider. O vídeo detalha o boom do “chocolate de Dubai”, explorando a cadeia de suprimentos por trás de ingredientes como a kunafa e o pistache, e como as empresas estão correndo para atender à demanda global por essa iguaria luxuosa:
Esse boom afeta o comércio internacional de alimentos, um setor monitorado no Brasil pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), que regula a importação e exportação de ingredientes. O fenômeno mostra como uma tendência digital pode pressionar a agricultura e a indústria globalmente.
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É apenas uma moda passageira ou veio para ficar?
O Chocolate de Dubai transcendeu a internet para se tornar um item de luxo e um souvenir obrigatório. A venda de mais de 1,2 milhão de barras apenas no aeroporto de Dubai prova que o produto se consolidou no turismo. Além disso, influenciadores continuam a manter o interesse vivo, vendendo versões personalizadas por valores exorbitantes.
O mercado de confeitaria, cujos dados de inflação e consumo são acompanhados pelo IBGE, mostra que os consumidores estão dispostos a pagar mais por experiências sensoriais únicas. O sucesso duradouro dependerá da capacidade das marcas de inovar e manter a qualidade diante da massificação.
| Característica | Versão Original (Artesanal) | Versão Industrial (Mundial) |
| Produção | Pequena escala (500/dia), feita à mão. | Automatizada (milhões/dia), maquinário pesado. |
| Preço | Alto (item de luxo e exclusivo). | Variável (do popular ao premium). |
| Ingredientes | Pistache e Kataifi frescos e selecionados. | Pastas industrializadas e substitutos para escala. |

