A descoberta de um novo fatberg gigante em dezembro de 2025, no subsolo de Londres acendeu um alerta vermelho para o descarte de resíduos durante as festas de fim de ano. Engenheiros da Thames Water localizaram uma massa de 100 toneladas em Whitechapel, reacendendo o pesadelo sanitário na região histórica.
O que é o “neto” do monstro de 2017?
Segundo a empresa Thames Water, o apelidado de “neto” devido à sua localização, este bloco maciço é composto por gordura congelada, óleos e lixo não biodegradável compactado. Estima-se que ele tenha 100 metros de comprimento, o equivalente a uma fila de 7 ônibus de dois andares, competindo em peso e extensão com grandes estruturas de engenharia civil.
A massa sólida serve como um lembrete físico de que o lixo jogado no ralo não desaparece magicamente, mas se acumula nas tubulações. Sua extração completa é uma prioridade urgente, mas a operação complexa pode levar semanas para ser finalizada pelos técnicos.

Por que o fim de ano é crítico para o esgoto?
O período de dezembro e janeiro registra um aumento sazonal crítico nos bloqueios de tubulações, impulsionado pelo preparo intenso de refeições festivas. A Thames Water gasta cerca de £ 2,1 milhões apenas nesses dois meses para tentar desobstruir a rede sobrecarregada.
Molhos, cremes e a gordura de assados são os principais vilões, solidificando-se rapidamente ao encontrar as baixas temperaturas do subsolo. Esses resíduos oleosos representam 28% de todos os mais de 20.000 entupimentos registrados anualmente pela companhia.
Uma pesquisa recente revelou quais substâncias os moradores despejam na pia sem saber do perigo:
| Substância Descartada | % de Moradores que Despejam | Risco Principal |
|---|---|---|
| Sucos de carne | 40% | Congelamento rápido nos canos |
| Molhos (Gravy) | 39% | Acúmulo de gordura sólida |
| Creme de leite | 28% | Aglutinação de resíduos |
| Gordura animal/Banha | 18% | Bloqueio total do fluxo |
Impactos financeiros e risco de inundações
Além do custo operacional milionário repassado aos clientes, os bloqueios são a causa principal de inundações internas em residências e jardins. O refluxo de esgoto traz riscos sanitários graves e danos materiais que poderiam ser evitados com mudanças simples de hábito na cozinha.
A poluição de rios e vias navegáveis é outra consequência direta, já que o sistema obstruído precisa extravasar o excesso de carga. Tim Davies, chefe de operações, reforça que o dinheiro gasto em reparos chega a dezenas de milhões de libras anualmente, recurso que sai do bolso do consumidor.
Como evitar alimentar os fatbergs?
A regra de ouro é nunca despejar alimentos líquidos como molho, creme ou óleo quente diretamente na pia ou no vaso sanitário. A melhor prática é deixar a gordura esfriar e raspá-la para o lixo comum ou utilizar recipientes para centros de reciclagem.
O uso de coadores nos ralos é essencial para capturar restos sólidos antes que entrem na tubulação e causem estragos. Pequenas atitudes, como limpar pratos e panelas com papel toalha antes da lavagem, reduzem drasticamente a pressão sobre o sistema.
Siga estas diretrizes de descarte para proteger sua casa:
- Regra dos 3 Ps: No vaso sanitário, apenas xixi, cocô e papel (Pee, Poo and Paper); jamais lenços umedecidos.
- Resfriamento de Óleo: Nunca jogue água fervente ou sanitária para “empurrar” a gordura; isso apenas move o problema para baixo.
- Monitoramento: Se o dreno parecer lento, resolva imediatamente antes que o bloqueio se torne uma massa sólida.
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Lições para um saneamento sustentável
- Consciência Sazonal: O aumento de gordura no Natal custa milhões; evite despejar sobras de assados e molhos na pia.
- Custo Compartilhado: As dezenas de milhões gastas em reparos de esgoto são pagas, em última análise, pelas tarifas de todos os clientes.
- Ação Preventiva: A simples instalação de filtros de pia e o descarte correto no lixo evitam inundações de esgoto dentro da própria casa.

