Um aperto de mão firme entre representantes do Governo da Bahia e executivos do consórcio chinês CCCC/CR20, sob o olhar atento de autoridades e técnicos presentes ao III Fórum Bahia-China. Na prática, esse movimento físico marcou o ponto de partida para tirar do papel um projeto esperado há cerca de meio século: a ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica, atravessando a Baía de Todos-os-Santos, consolidando uma nova fase de cooperação sino-baiana em infraestrutura e energia limpa.
Como a China se tornou peça-chave para viabilizar a ponte Salvador-Itaparica?
O ponto de virada ocorreu no III Fórum Bahia-China, criado para aproximar governos, empresas e bancos dos dois países. Ali, a demanda histórica de melhoria da ligação entre Salvador e a Ilha de Itaparica foi apresentada como peça-chave de um novo corredor logístico no Nordeste, entrando na carteira estratégica de investimentos chineses no Brasil.
O acordo, ratificado com participação direta da cônsul-geral da China em Salvador, Tian Min, consolidou o aporte de capital estrangeiro que faltava para destravar a engenharia financeira. Estimado em mais de R$ 13 bilhões, o projeto passa a contar com grupos estatais chineses, trazendo também segurança política e institucional ao empreendimento.

Quais são as principais características da ponte Salvador-Itaparica?
A chamada ponte Salvador-Itaparica foi concebida para ter cerca de 12,4 km de extensão sobre a Baía de Todos-os-Santos, o que deve torná-la a maior ponte da América Latina em comprimento sobre o mar. O projeto prevê um grande vão estaiado, com cabos de aço ancorados em torres altas, permitindo a passagem de navios de médio e grande porte sob o tabuleiro.
Do ponto de vista de engenharia, o desafio envolve fundações profundas em ambiente marítimo, controle de ventos e correntes e monitoramento estrutural em tempo real. A ponte deverá operar com múltiplas faixas de rolamento em cada sentido e dispositivos modernos de segurança, conectando Salvador à Ilha de Itaparica e a novas vias que distribuem o fluxo pelo interior do estado. Veja abaixo as principais características:
- Extensão total prevista: aproximadamente 12,4 km sobre o mar.
- Estrutura principal em vão estaiado, preservando rotas de navegação.
- Faixas múltiplas de rolamento e sistemas de segurança avançados.
Como a ponte deve impactar o ferry-boat e a mobilidade até a Ilha de Itaparica?
Hoje, a travessia entre Salvador e Itaparica depende em grande parte do ferry-boat, sujeito a filas e limitações de capacidade; contornar a Baía de Todos-os-Santos pelo Recôncavo leva cerca de 2h30. Com a nova ponte, a projeção é reduzir o trajeto para aproximadamente 28 minutos, mudando a lógica de deslocamento diário entre capital e ilha.
Esse encurtamento tende a transformar o ferry-boat em opção mais complementar, com foco em pedestres e turismo. A mobilidade ampliada favorece trabalhadores, estudantes e prestadores de serviço e integra a Ilha de Itaparica de forma mais orgânica à região metropolitana, estimulando novos investimentos imobiliários, serviços e geração de empregos.
Com mais de 73 mil visualizações, o canal Urbana apresenta quais são as principais características da ponte Salvador-Itaparica:
Quais oportunidades econômicas a ponte cria para a Ilha de Itaparica e região?
A infraestrutura da ponte deve impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento ao redor da Baía de Todos-os-Santos. A melhoria do acesso atrai investidores que veem na ilha e no entorno potencial para expansão urbana planejada, turismo diversificado e instalação de equipamentos públicos e privados.
Com deslocamentos mais rápidos e previsíveis, ampliam-se as condições para empreendimentos de saúde, educação, comércio e lazer em escala regional. A obra em si gera empregos diretos e indiretos, enquanto o pós-obra tende a consolidar polos de serviços e de turismo durante todo o ano, e não apenas em períodos de veraneio.
Por que a China investe em logística e energia verde na Bahia?
O interesse chinês na Bahia combina posição geográfica estratégica e agenda de sustentabilidade. O estado pode se consolidar como hub logístico de exportação e importação, escoando produção do agronegócio e da mineração do Nordeste e do Centro-Oeste por meio de novos corredores rodoviários, portos e, futuramente, ferrovias.
Ao mesmo tempo, a Bahia tornou-se polo nacional em energia eólica e solar, atraindo fabricantes e operadores de usinas renováveis. Para investidores chineses, a melhoria da malha viária, simbolizada pela ponte, reduz custos logísticos e cria sinergias para projetos em hidrogênio verde, linhas de transmissão, portos e cadeias produtivas associadas à transição energética.

