Uma barreira geográfica histórica no coração do Brasil está prestes a ser superada. Governos estaduais oficializaram a construção de uma mega ponte de concreto que será a primeira ligação física pavimentada entre Mato Grosso e Mato Grosso do Sul na região pantaneira, consolidando a promissora “Rota da Onça”.
O fim de uma barreira histórica no Pantanal
Pela primeira vez, os dois estados que dividem a maior planície alagável do mundo estarão conectados por via terrestre segura sobre o Rio São Lourenço. Até hoje, a falta de uma travessia estruturada funcionava como um gargalo que isolava comunidades e dificultava o fluxo turístico.
Essa obra representa um marco de integração logística. A parceria inédita entre a Sinfra-MT e a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul) viabilizou o projeto técnico, dividindo responsabilidades para acabar com o isolamento secular da região de Porto Jofre.

Detalhes técnicos da obra de R$ 60 milhões
O projeto não é apenas uma passagem, mas uma obra de engenharia robusta preparada para as cheias do bioma. A estrutura terá 300 metros de extensão, feita inteiramente de concreto para garantir durabilidade e segurança o ano todo.
O investimento total estimado é de R$ 60 milhões, custeado igualitariamente pelos dois governos. A ponte conectará o fim da icônica estrada Transpantaneira (no lado de MT) à rodovia MS-214 (no lado de MS), criando um corredor contínuo.
Segundo o projeto detalhado pela Agesul, essa conexão é fundamental para viabilizar o tráfego em uma área que, durante meses, ficava praticamente intransitável.
Como nasce a “Rota da Onça”?
O principal impacto econômico da nova ponte será no turismo de observação de vida selvagem. A região de Porto Jofre é reconhecida mundialmente como o melhor local do planeta para avistar onças-pintadas em seu habitat natural.
Com a ligação física, nasce um corredor turístico internacional. Visitantes poderão desembarcar em Cuiabá ou Campo Grande e realizar um circuito completo, sem precisar retornar pelo mesmo caminho, potencializando a ocupação de pousadas e o comércio local.

A ponte como ferramenta de sustentabilidade
Existe um consenso técnico de que a infraestrutura, quando bem planejada, serve à preservação. A nova ponte funcionará como um estratégico corredor ecológico e de fiscalização.
Facilitar o acesso de órgãos ambientais a áreas remotas é crucial para o combate a incêndios florestais e ilícitos ambientais. Além disso, o fluxo organizado de ecoturismo cria uma barreira econômica contra a caça e o desmatamento, valorizando a floresta em pé.
O legado para as próximas gerações
A construção sobre o Rio São Lourenço prova que desenvolvimento e meio ambiente podem andar juntos. A “Rota da Onça” deixará de ser apenas um conceito para se tornar uma artéria vital de economia verde, unindo dois estados em prol da biodiversidade.

